CPI do Crime da Vale aceita requerimentos de Patrus para audiências

A CPI do Rompimento da Barragem de Brumadinho aprovou a convocação do ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco para prestar informações à Comissão.

A CPI aprovou também o requerimento do deputado Patrus Ananias (PT-MG) para ouvir a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, Coordenadora do Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apuração (CIAEA).

O Comitê foi criado pela Vale S.A. para apoiar seu conselho de administração na apuração de causas do rompimento da Barragem I, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

A pedido do deputado Patrus, serão ouvidos também os deputados Gustavo Valadares (PSDB-MG) e André Quintão (PT-MG), respectivamente presidente e relator da CPI da Barragem de Brumadinho, instalada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A Comissão convocou também os funcionários da empresa TÜV SÜD, que atestou a segurança da barragem de Brumadinho. Além disso, a CPI aprovou requerimento de informações à Vale sobre o plano de ação adotado para evitar o rompimento de outras barragens sob a responsabilidade da empresa.

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Muitas bandeiras, muitas lutas: nas ruas pela Educação

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A manifestação contra o corte de verbas na educação foi também momento de outras lutas e movimentos sociais irem para as ruas. Foi o momento de ouvir que “A nossa luta unificou / É estudante junto com trabalhador”, logo depois … Continuar lendo

Patrus apóia o relançamento da Frente em Defesa dos Bancos Públicos

O meu compromisso com os bancos públicos brasileiros tem origem na minha história. No sertão de Minas, onde nasci, senti a importância do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Nordeste, que atuavam no apoio à agricultura, aos programas de moradia e à agroindústria, respectivamente.

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Mais recentemente, destaco nos governos Lula e Dilma o programa Minha Casa, Minha Vida, da CEF, e a importância do Banco da Amazônia e do BNDES para o desenvolvimento regional e nacional.

No relançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos, que enfrentará as ameaças de privatização dos bancos públicos brasileiros, alertei para a importância de unificar as nossas lutas.

Os graves retrocessos que o desgoverno Bolsonaro vêm impondo ao país exigem de nós a unificação dessas lutas.

Enfrentamos no Brasil 3 grandes desafios que se convergem:
• a ameaça ao Estado Democrático de Direito, a democracia hoje no Brasil está ameaçada;
• a defesa dos direitos sociais, com as reformas trabalhista, da Previdência e o desmonte das políticas públicas; e
• a quebra da soberania nacional, com a entrega da Petrobras, das riquezas do Brasil e a privatização dos nossos bancos públicos.

Nesse encontro, afirmei às lideranças e às trabalhadoras e trabalhadores dos bancos públicos que essa frente deve ter claramente o compromisso de unificar essas lutas, unificar o povo brasileiro para vencermos essas forças do atraso, para retomarmos o caminho e deixarmos para as gerações futuras a pátria que queremos e merecemos.

No programa Ponto a Ponto, Patrus discute os cortes na educação e o desmonte das políticas sociais

Assista no link o programa Ponto a Ponto com o deputado Patrus Ananias!

https://www.facebook.com/patrusananias13/videos/476889666184523/

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Deputados da oposição obstruem votações contra o corte do orçamento da Educação

Deputados da oposição OBSTRUÍRAM todas as votações da sessão ordinária de ontem da Câmara em protesto ao corte de 30% do orçamento das universidades e dos institutos federais, anunciado pelo Ministério da Educação.

A intenção da oposição é obstruir todas as votações em plenário até que o governo Bolsonaro recue no corte orçamentário imposto às universidades e aos institutos federais.

O deputado Patrus Ananias participou da reunião da Frente Parlamentar Pela Valorização das Universidades Federais que decidiu pelo enfrentamento ao governo Bolsonaro, a começar pela obstrução das votações na Câmara.

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A Frente decidiu ainda estudar medidas legais que revertam os cortes orçamentários; articular com as demais frentes do ensino superior público ações que repercutam na mobilização em defesa da educação superior pública; requerer urgência para a votação do PLP 08/2019, que determina que os recursos do Orçamento da União para as universidades públicas federais e os institutos federais não sejam objeto de limitação de empenho e movimentação financeira, entre outras medidas.

Bons debates e definição de prioridades na Plenária do Mandato Patrus

Mais de 170 pessoas, entre militantes históricos do PT e juventude, deputados, vereadores, prefeito e ex-prefeitos, dirigentes do partido, trabalhadores e trabalhadoras da Educação, Saúde, Assistência Social, lideranças comunitárias, integrantes de movimentos sociais e religiosos participaram da plenária do mandato do deputado federal Patrus Ananias, no último sábado (04.05).

O encontro, realizado na Escola Sindical 7 de Outubro, no Barreiro, em Belo Horizonte, contou com uma análise de conjuntura feita pelo ex-ministro Gilberto de Carvalho, que apresentou fatores que contribuíram para o atual cenário de desconstrução de políticas públicas e o ataque à Constituição de 1988. “Fomos vítimas de um golpe, que se deu por causa das nossas virtudes, com a colaboração dos nossos erros. Temos que olhar para trás, mas não reeditar o passado. O Brasil mudou muito, a classe trabalhadora e as empresas mudaram profundamente, a cultura mudou, os serviços cresceram muito, a consciência de classe é muito diversa na sua formação, no seu diálogo, na sua interação. Mudou a própria organização da sociedade”.

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O dia inteiro de trabalho possibilitou um exercício de escuta e algumas posições e temas foram recorrentes. A campanha perversa e maciça dos meios de comunicação criou um clima de desconfiança em relação aos representantes políticos. Por outro lado, o distanciamento do trabalho de base e a ausência de formação de novos quadros políticos do Partido dos Trabalhadores prejudicaram o diálogo com a população.

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Essas constatações encontraram eco nos diversas intervenções e depoimentos feitos durante o debate. E o caminho, a rota de saída, foi traçada: “ Nós podemos usar a mesma metodologia. Com generosidade, ousadia e criatividade devemos rever o método, muito simples – estar junto do povo, estar na luta social e retomar o processo de construção e formação de quadros, e investir na comunicação”, afirmou Gilberto de Carvalho.

Neste processo, o ex-ministro destacou a importância da juventude. “Os mais jovens podem nos ensinar muito. Vamos vencer essa desconfiança conversando com o povo. A direção do PT está empenhada, está com esta visão. Temos que retomar o método que nos fez crescer, que nos fez construir, e o projeto de formação nacional tem necessidade absoluta”.

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Para o deputado Patrus Ananias a plenária confirmou e esclareceu vários pontos. “ A nossa luta será de resistência, em defesa da democracia. Temos o desafio, para o mandato e para todos nós, de ampliar o Comitês Lula Livre e temos que pensar em projetos e iniciativas que garantam o Estado Democrático de Direito; temos que resistir ao desmonte dos direitos sociais – educação, saúde, moradia, segurança pública. O combate à fome, à miséria e à exclusão social é inquestionável, mas quero construir com vocês e assegurar aos brasileiros e brasileiras o direito à Educação. O projeto nacional, a independência de uma nação, a afirmação da soberania nacional passa pela política pública de Educação. Defendo a visão integrada e integral das políticas públicas, elas se complementam, temos que trabalhar nessa perspectiva. E vamos retomar, na Câmara Federal, a Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, o que também é entendimento do Lula”, concluiu o deputado.

Patrus Ananias enfatizou ainda outro compromisso do mandato. Retornar aos lugares onde recebeu apoio, para quebrar o paradigma de que político só aparece para pedir voto e, ainda,  para realizar um trabalho pedagógico e um exercício de escuta.

A plenária contou com a participação de representantes de diversas  regiões do estado (Norte de Minas, Vale do Mucuri, Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce Zona da Mata, Vertentes, Sul de Minas, Triângulo, Centro-Oeste, Central e RMBH) deputados e deputadas estaduais da bancada do PT André Quintão, Marília Campos, Marquinho Lemos e representação do mandato da deputada Leninha; o prefeito de Itamarandiba, Luiz Fernando, a ex-prefeita de Betim, Maria do Carmo Lara; os vereadores Pedro Patrus (BH), Wanderson Castelar (JF), Ronney Sávio (Morro do Pilar); e lideranças regionais do PT, Dezinho do PT (Rio Doce), Auro Maia (Sul), Symâ Rodrigues e Felippe Hungria (Palma).

Entidades sindicais, movimentos sociais, universidades, grupos religiosos e núcleos de juventude também marcaram presença: Neuza Freitas (SindSaúde), Fábio Maia (Sindibel), Maria Mônica, Efigênia e Marcinha (SindUte), Cícero Barbosa (CUT-Minas), Samuel Rodrigues (POPRua), Irmã Cristina Bove (Pastoral de Rua), Nely Medeiros, Silvana, Marli Miguel e Elis Regina (Coopersoli), Roseane Linhares (Itaka), Pastor Barros (Associação Comunitária Vila Cemig), Padre Delmar (FAJE – jesuítas), Professor Leonardo Avritzer (Democracia Participativa – UFMG), Luiza Dulci, Artur Queiroz e Phillipe Silva, (Juventude da Articulação-JPT); Carlos Eduardo e Sacramento (Executiva do PT-MG), Alexandre Freitas (vice –presidente do PT-BH), Werloany Benfica, o Coruja (PT-Betim); Fabiana Santos (PPCAM), José Ribeiro (CRESS) Darklane Rodrigues (subsecretária de Segurança Alimentar e Nutricional de BH), Carla Anunciato (presidente do Conselho Municipal de Saúde de BH),  e os professores da PUC-MG, Lucas Gontijo e Ércio Sena, entre outros.

Sobre a aposentadoria dos parlamentares

Esclareço que sou a favor da adoção do Regime Geral da Previdência Social para os parlamentares. Este é o único ponto, em toda a proposta da Reforma da Previdência do governo, que considero favorável.

Por ser esse o único ponto de avanço entre tantos, sou totalmente contrário à aprovação da “Reforma” da Previdência atual. Não é possível sequer considerar a aprovação de uma proposta que sacrifica os trabalhadores e os que mais necessitam sem ampliar de qualquer maneira a segurança social.

Nota de esclarecimento

O DIREITO À VIDA, O DIREITO À ÁGUA*

por Patrus Ananias

Recebemos a natureza de graça. Para quem tem fé, de Deus; para quem não tem fé, da vida, de uma origem misteriosa. Mas nós recebemos de graça. O ar que nós recebemos e respiramos é vital, cinco minutos sem ele, morremos. Recebemos de graça a terra pela qual nos alimentamos e edificamos nossa casa e cidades.

Vinculada à terra, está a água. Não satisfeitos, ao invés de aproveitarmos e usarmos bem, nós envenenamos o ar que respiramos, a terra e consequentemente a água. A questão do aquecimento global e da diminuição das águas são aspectos preocupantes. Como podemos mobilizar corações e mentes, como podemos sensibilizar as pessoas para causas relacionadas com a vida a partir desse tema vital que é a água e que se acumula naturalmente com o ar, com a natureza e com a terra?

Função social da terra e da água
A água tem uma função social; teoricamente a água é um bem público. A terra é a guardiã das águas, e vinculada à terra, estão os recursos que possibilitam e mantém as águas: a biodiversidade, os ecossistemas. A terra no Brasil é vista como um bem privado sem limites, aliás o direito de propriedade no Brasil é do século XIX. É o direito de ter, usar e abusar.

Para preservar as águas, esse bem sagrado, essencial a vida de cada família, de cada comunidade, de cada região, nós temos que preservar a terra. Por esta razão, o direito à propriedade não pode ser absoluto. O direito à propriedade tem que estar adequado às exigências do bem comum, do interesse coletivo e do projeto nacional. O direito à propriedade tem limites. Precisamos fazer o uso mais racional e amoroso da terra, da água, dos bens da natureza.

A superação do individualismo também é importante. Os meios de comunicação, centrados no indivíduo, estimulam o consumismo, ao cada um por si e o diabo contra todos. Pois bem sabemos que Deus só opera onde há solidariedade e trabalho coletivo. Uma coisa são os direitos e garantias individuais, o respeito ao mistério e a individualidade de cada ser humano, agora, outra coisa é o individualismo. Nenhum ser humano existe sozinho. Nós somos essencialmente seres comunitários, sociais. Por dependermos uns dos outros, temos que recuperar a dimensão comunitária, societária da vida e começar a discutir a questão vital da água, em relação a esse direito abusivo da propriedade.

A Casa Comum
Os direitos individuais têm que se adequar aos direitos sociais, aos direitos coletivos. O que é o bem comunitário? O Papa Francisco colocou isso muito bem na Encíclica Laudato Sien – Sobre o Cuidado com a Casa Comum. Seja aqui em Belisário, seja no município de Muriaé, seja na Zona da Mata, seja em Minas Gerais, seja no Brasil, seja na América Latina, seja no planeta, nós vivemos em comunidade, nós vivemos em uma casa comum, o ar que respiramos é o mesmo e as fontes da vida são as mesmas. E associada a essa dimensão comunitária da vida se encontra o nosso compromisso com as gerações presentes e com as gerações futuras.

Temos o legado secular da concentração da terra urbana e rural e a terra para fins especulativos. No século XXI com os desafios sociais ambientais que nós estamos vivendo, não se admite mais propriedade especulativa, uma propriedade que não cumpra uma função social, que não contribua para o bem comum.

Como enfrentar a poluição e a redução das águas? É uma coisa assustadora: qualquer rio que passe em qualquer cidade fica poluído. É o caminho natural dos esgotos. A minha região é seca e por isso sou apaixonado com chuva. Em Bocaiúva se chover 20 dias o povo diz: “Ô tempo bom! ”. O que assusta na minha região é a diminuição dos rios, os rios que eram perenes na minha infância não existem mais por vários fatores: poluição, desmatamento, fim das matas ciliares e a ação nefasta das mineradoras. A economia de Minas está muito ligada à mineração e o que aconteceu em Mariana, Brumadinho e pode acontecer em outras cidades, é inaceitável. As mineradoras cometem essas tragédias criminosas, comprometem bacias hidrográficas e ainda há setores da sociedade que avaliam que a Vale tem que voltar a funcionar, pois gera emprego.

Como enfrentar de forma eficaz a questão nefasta das mineradoras? Como enfrentar setores do agronegócio? Tudo isso é herança nefasta do latifúndio, do coronelismo, da exploração das terras e das mineradoras. É razoável você fazer irrigação de pastos, milhares e milhares de hectares, dia e noite por meio de poços artesianos? Assim como as nossas nascentes, os nossos poços têm limites. Os recursos hídricos subterrâneos também têm limites. O Brasil precisa produzir alimentos? Precisa. Mas alimentos saudáveis e, sobretudo, os que promovam a vida e não a morte.

Ainda temos o desafio do saneamento básico. Desde menino eu escuto que os governantes não gostam de fazer saneamento básico por que não aparece. Segundo dados da ONU, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável; 100 milhões, quase a metade da população do Brasil, não têm acesso ao saneamento básico, ou seja, nós praticamente não temos acesso ao tratamento de esgoto. Um país como o Brasil ainda não tem investimento consolidado no tratamento de esgoto.

Precisamos ter uma relação melhor com as águas da chuva. No governo Lula, tivemos algumas experiências interessantes e uma delas se consolidou: a experiência com as cisternas. Foram construídas um milhão e duzentas mil cisternas. Uma tecnologia simples, feita por um nordestino, se resume a um equipamento que se coloca nas casas para aproveitar a água das chuvas, muito útil principalmente nos períodos da seca. Eu visitei no sertão da Bahia, quando era ministro d Desenvolvimento Social e Combate à Fome, uma residência onde existia uma cisterna. Perguntei sobre os benefícios para a dona da casa e ela disse: “o benefício maior é ficar mais perto dos meus filhos”. Ela gastava três ou quatro horas, por dia, carregando água na cabeça.

Ocasionalmente a chuva provoca estragos. Mas de fato, tudo está interligado como se fôssemos um. Tudo está interligado numa casa comum. É uma questão urbana, do jeito que as nossas cidades estão, qualquer chuva é um problema. Com a especulação imobiliária, tudo é asfalto e cimento. As áreas verdes cada vez mais reduzidas, se não, inexistentes. Então vira tragédia. Por isso eu digo sempre, temos que pensar a questão rural e urbana de uma forma mais integrada. Na área rural, principalmente nas regiões mais áridas, precisamos estabelecer uma relação bem mais saudável, de aproveitamento. Que foi o que começamos a fazer e podemos continuar desenvolvendo.

Considero fundamental cada um fazer sua parte: reduzir o lixo, participar da coleta seletiva, dar um uso mais cuidadoso e carinhoso para a água, porém não podemos perder de vista que o drama maior está com o grande capital, com as mineradoras, com o agronegócio com as grandes indústrias e corporações que não têm limites.

Uma grande tarefa nossa, como cristãos, como pessoas de bem, comprometidas com a vida, que queremos uma sociedade mais anunciadora, mais acolhedora, é fortalecer a dimensão comunitária. Vamos estimular as pessoas a abrirem os olhos e o coração, a pensar mais no coletivo. A sociedade brasileira precisa consolidar um conceito ampliado de comunidade com as pessoas de boa vontade, com as pessoas que querem construir uma sociedade justa, fraterna, solidária, que preserve os recursos naturais, que preserve a água para gerações futuras.

*Palestra proferida no I Fórum das Águas de Belisário – Muriaé/MG – 23/03/2019

Patrus propõe inscrição do Marechal Rondon no Livro dos Heróis da Pátria

O deputado Patrus Ananias (PT-MG) apresentou projeto de lei 2350/2019, no qual propõe a inscrição do nome de Marechal Rondon no Livro dos Heróis da Pátria, arquivado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.

O deputado justificou o projeto destacando as relações de respeito e de diálogo de Rondon com as tribos indígenas nas suas atividades em torno das pesquisas e das linhas telegráficas, que levaram à criação do Serviço de Proteção aos Índios.

Abaixo, texto escrito pelo deputado Patrus.

 

JUSTIFICAÇÃO

Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), ou Marechal Rondon como é bem conhecido, merece ser inscrito no Livro dos Heróis da Pátria pelos trabalhos notáveis que desenvolveu a serviço da pátria brasileira em várias frentes. Duas delas se destacaram.

Cabe salientar, inicialmente, nesta justificativa que Cândido Mariano da Silva Rondon era um apaixonado pelo Brasil. O amor de Rondon à pátria brasileira traduzia em palavras, gestos e obras.

Nas suas andanças pelos sertões brasileiros ainda não conhecidos Rondon levava os símbolos da pátria. Nas palavras de uma de seus biógrafos, Todd A. Diacon“Em plena selva, tão longe do Rio de Janeiro, ordenou que o Hino Nacional fosse tocado em um gramofone levado até lá exclusivamente com essa finalidade (…) o Hino Nacional anunciava sonoramente que aquelas terras e o povo que as habitava eram agora tão “brasileiros” quanto quem vivia nas cidades. A bandeira brasileira adejava no alto de um mastro comprido cravado no meio da selva, reforçando as lições sobre a importância de construir a nação que eram aprendidas sob ela” (Rondon – o Marechal da floresta. Tradução Laura Teixeira Motta; coordenação Elio Gaspari e Lilia M. Schwarcz – Sâo Paulo: Companhia das Letras, 2006.)

O compromisso do Marechal Rondon com o Brasil manifestou-se com maior força e visibilidade nos trinta anos que passou em Mato Grosso, seu estado natal, e em territórios da Amazônia – lembrando a homenagem que lhe foi prestada no estado de Rondônia! – construindo linhas telegráficas, a partir de 1890, que visavam integrar o nosso País.  Supervisionou a linha telegráfica de 580 quilômetros ligando Cuiabá a uma estação no oeste de Goiás. Posteriormente os trabalhos de ligação Cuiabá-Corumbá. A partir de 1900 vieram desafios mais amplos: foram aproximadamente 1800 quilômetros de linhas telegráficas, 350 quilômetros através do Pantanal e outros 240 através de florestas. A partir de 1907 as linhas telegráficas sob supervisão e o comando diretos de Rondon transcendem os territórios matogrossenses e chegam à bacia amazônica nos territórios do Amazonas, do Acre, do Alto Purus e do Alto Juruá onde situa-se atualmente o estado de Rondônia.

Às atividades de integração nacional através das linhas telegráficas que eram essenciais na época, Rondon desenvolvia explorações para conhecimento de territórios e atividades de cartografia para melhores informações sobre as diferentes realidades do imenso e fascinante continente nacional brasileiro.

Outra contribuição notável do Marechal Rondon ao nosso país foi a sua relação amorosa com os indígenas. Assim como Jerônimo de Albuquerque que no alvorecer da história brasileira, era neto de índia e “disse tinha orgulho e fazia alarde”, Rondon era descendente de índios terena e bororo. Nas suas caminhadas Brasil adentro, Rondon alertava seus comandados e acompanhantes sobre as possibilidades de ataques e dava ordens expressas de não revidarem. “Morrer se preciso for, matar nunca” era o sentimento e a ordem manifesta na relação com os índios. Ordem que se aplicava ao próprio comandante. A relação respeitosa de Rondon com os indígenas se traduzia concretamente no respeito à vida, à integridade física e emocional, a cultura e práticas existenciais, convivenciais e de relação com a natureza.

As relações de respeito e de diálogo do Marechal Rondon com as tribos indígenas nas suas atividades em torno das pesquisas e das linhas telegráficas levaram à criação do Serviço de Proteção aos Índios. Tornou-se o primeiro diretor deste serviço em 14 de março de 1910, enfatizando a necessidade de “proteção dos indígenas contra ataques, o direito dos índios ao título de posse das terras que ocupavam e a necessidade de restituir terras já usurpadas pelos brancos”. Rondon reiterou o compromisso de “manter-se o mais escrupuloso respeito pela organização interna das diversas tribos, não intervindo para alterá-lo senão com brandura e fraternalmente, sem forçar nem enganar, sempre, portanto, consultando a vontade deles”.

Nos seus esforços, sempre pacíficos, de estabelecer relações com os índios nambikwara, Rondon aprendeu a língua nambikwara.

Nas palavras do já citado biógrafo de Rondon: “ A invenção e a reinvenção de Cândido Mariano da Silva Rondon continuará a acompanhar a invenção e a reinvenção da nação brasileira”.

Em 1912, o antropólogo e escritor Edgard Roquette – Pinto que por muitos anos dirigiu o Museu Nacional, esteve no norte de Mato Grosso e testemunhou o legado de Rondon: “Em relação à dedicação de Rondon aos indígenas do Brasil, Roquette-Pinto não deixou de lembrar a importância do contato que este vinha realizando com a população do interior, possibilitando a coleta de materiais etnográficos e o conhecimento de diferentes grupos indígenas (…). A influência do tenente-coronel Cândido Rondon sobre Roquette-Pinto seria, sem dúvida, decisiva tanto no seu modo de conceber a realidade do interior do Brasil quanto no tratamento dispensado aos grupos indígenas e a população sertaneja (…). Além de construção das linhas telegráficas, a Comissão Rondon também tinha como objetivo realizar, por meio de experiências científicas, o reconhecimento hidrográfico e topográfico da região, o estudo das riquezas minerais, a observação da fauna e da flora, a descrição das condições de vida e o conhecimento das línguas e dos costumes das populações indígenas e sertanejas (…) A conquista geográfica e todo o empreendimento levado a cabo pela Comissão Rondon só seria comparável à “ciclópica” realização do canal do Panamá …” (Vanderlei Sebastião de Souza; Em busca do Brasil – Edgard Roquette-Pinto e o retrato antropológico brasileiro (1905-1935). Rio de Janeiro: FGV Editora e Editora Fiocruz, 2017).

A vida do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon expressa muito bem a capacidade do povo brasileiro de buscar a plena afirmação do projeto nacional através da integração do território nacional, do desenvolvimento integral, integrado e sustentável, respeitando a identidade, a cultura e os valores dos que formaram a nacionalidade e que nos precederam nestas generosas terras brasileiras.

Assim, nobres pares promover a inscrição de Cândido Mariano da Silva Rondon no Livro dos Heróis da Pátria é um reconhecimento à extraordinária contribuição deste brasileiro notável ao nosso país e à nossa identidade histórica e cultural. Rondon foi um militar qualificado, corajoso, com profundos sentimentos patrióticos e nacionalistas, que ousou usar, com destemor, as armas da justiça e da não-violência.

Assim, espero contar com o apoio de Vossas Excelências para que o Marechal Rondon tenha o lugar que merece no coração e na memória do povo brasileiro.

Sala das Sessões, em 16 de abril de 2019.

PATRUS ANANIAS

Deputado Federal

PT/MG