{"id":947,"date":"2014-09-08T14:29:21","date_gmt":"2014-09-08T17:29:21","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=947"},"modified":"2022-11-03T10:44:20","modified_gmt":"2022-11-03T13:44:20","slug":"brasil-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/brasil-2022\/","title":{"rendered":"Brasil 2022"},"content":{"rendered":"<p>Em 2006, quando era ministro do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome, Patrus Ananias produziu uma s\u00e9rie de artigos voltados a pensar os desafios postos ao Brasil para 2022, quando s\u00e3o celebrados 200 anos de Independ\u00eancia. Ao todo, foram 13 artigos, publicados, na ocasi\u00e3o, no jornal Estado de Minas. Hoje, estamos em 2014, h\u00e1 apenas 8 anos do bicenten\u00e1rio, quando essa reflex\u00e3o se faz mais do que necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Faltam 16 anos para 2022, quando estaremos celebrando os 200 anos da Independ\u00eancia do Brasil. Trata-se de data fundamental para darmos um\u00a0balan\u00e7o no processo civilizat\u00f3rio brasileiro e para unirmos a nacionalidade em torno de compromissos e na constru\u00e7\u00e3o de objetivos comuns. Se 16 anos s\u00e3o um tempo significativo na vida de uma pessoa, na perspectiva da hist\u00f3ria s\u00e3o um tempo muito curto na vida dos povos e na\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o come\u00e7armos agora a estabelecer as metas e prioridades para as comemora\u00e7\u00f5es do segundo centen\u00e1rio, vinculando-as, inclusive, aos objetivos do mil\u00eanio estabelecidos pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), estaremos, mais uma vez, postergando o encontro do Brasil consigo mesmo no am\u00e1lgama da liberdade com desenvolvimento e justi\u00e7a social. Se n\u00e3o fizermos esse dever de casa que o simbolismo de uma data hist\u00f3rica nos imp\u00f5e, repetiremos os tristes fiascos e desacertos das fracassadas comemora\u00e7\u00f5es dos 500 anos.<\/p>\n<p>A primeira pergunta que se coloca \u00e0s consci\u00eancias do Pa\u00eds \u00e9 como queremos ver o nosso Brasil em 2022. Penso que, em tese, estamos de acordo: queremos um pa\u00eds livre e soberano, com institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas est\u00e1veis e eficazes, consolidando um grande projeto nacional de desenvolvimento integral e sustent\u00e1vel, com a libera\u00e7\u00e3o de todas as energias e potencialidades criadoras do povo brasileiro. Queremos que o Brasil, um dos<br \/>\nquatro ou cinco pa\u00edses mais ricos do mundo em termos de possibilidades e recursos naturais e humanos, esteja igualmente entre os quatro ou cinco mais desenvolvidos e justos do mundo. Ou, pelo menos, caminhando firmemente nessa dire\u00e7\u00e3o. Mas como precisar melhor esses objetivos?<br \/>\nNa ditadura, falava-se nos \u201cobjetivos nacionais permanentes\u201d. Os tempos n\u00e3o permitiam um amplo debate e constru\u00e7\u00e3o de consensos. Mas os<br \/>\ntermos n\u00e3o me parecem fora do contexto e dos nossos desafios hist\u00f3ricos.<br \/>\nTrata-se de estabelecer metas e procedimentos que superem as divis\u00f5es ideol\u00f3gicas, regionais, religiosas e partid\u00e1rias. E o ponto de partida para as<br \/>\nnossas reflex\u00f5es compartilhadas e discuss\u00f5es democr\u00e1ticas na consecu\u00e7\u00e3o desses objetivos constru\u00eddos coletivamente \u00e9 sempre a liberdade.<br \/>\nTeoricamente, \u00e9 um valor bem assentado; na pr\u00e1tica, nem sempre. A liberdade, ensinava a marxista Rosa Luxemburgo, \u00e9 sempre a liberdade do outro; mais do que a toler\u00e2ncia, pressup\u00f5e a escuta atenta e acolhedora dos diferentes. A democracia, al\u00e9m de elei\u00e7\u00f5es livres e transparentes, \u00e9 sempre a dif\u00edcil, mas necess\u00e1ria, constru\u00e7\u00e3o da conviv\u00eancia dos contr\u00e1rios. Isso implica construir no Pa\u00eds, desafio para 2022, uma cultura pol\u00edtica que, sem desvertebrar princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es, coloque os interesses superiores da p\u00e1tria e do bem p\u00fablico acima dos interesses pessoais e corporativos. Trata-se de compreender que estamos todos no mesmo grande barco da nacionalidade brasileira e que juntos chegaremos ao porto seguro na realiza\u00e7\u00e3o das aspira\u00e7\u00f5es nacionais ou juntos naufragaremos. Estou convicto de que venceremos.<br \/>\nO princ\u00edpio da liberdade com responsabilidade social se traduz, assim, nas normas e regras democr\u00e1ticas e participativas. Ao desafio de colocar em<br \/>\npr\u00e1tica as exig\u00eancias da liberdade e do respeito aos direitos do outro e da sociedade no cotidiano de nossas vidas, acrescem-se as exig\u00eancias de uma<br \/>\nordem democr\u00e1tica \u00e9tica, transparente e que atenda \u00e0s leg\u00edtimas reivindica\u00e7\u00f5es individuais, familiares e comunit\u00e1rias e ao clamor dos pobres.<br \/>\nMas \u00e9 for\u00e7oso reconhecer que a democracia exige aten\u00e7\u00e3o e cuidados especiais para chegar plena e vigorosa \u00e0 festa da emancipa\u00e7\u00e3o do Brasil. E<br \/>\nesses s\u00e3o assuntos que integram um quadro mais amplo de discuss\u00e3o do papel do Estado democr\u00e1tico de direito.<br \/>\nSobre as atribui\u00e7\u00f5es e responsabilidades inerentes ao Estado, tenho feito algumas reflex\u00f5es nesse espa\u00e7o quinzenal. Nos pr\u00f3ximos artigos,<br \/>\nretornarei \u00e0 quest\u00e3o democr\u00e1tica e a outros temas que me parecem fundamentais na formula\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o do projeto nacional para os<br \/>\npr\u00f3ximos 16 anos. Com isso, espero deixar minha modesta contribui\u00e7\u00e3o para as reflex\u00f5es e debates em torno de importantes temas nesse caminho. Penso<br \/>\nque estaremos certos sempre que sinalizarmos para o exerc\u00edcio pleno da democracia, efetivamente estendido a todos os cidad\u00e3os, para al\u00e9m dos<br \/>\nespa\u00e7os institucionais. Creio que um pa\u00eds se p\u00f5e de p\u00e9 e acerta o encontro com seu destino e com a hist\u00f3ria quando o seu povo se faz sujeito e assume o seu leg\u00edtimo lugar de titular e fonte do direito e do Estado.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2006, quando era ministro do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome, Patrus Ananias produziu uma s\u00e9rie de artigos voltados a pensar os desafios postos ao Brasil para 2022, quando s\u00e3o celebrados 200 anos de Independ\u00eancia. Ao todo, foram 13 artigos, publicados, na ocasi\u00e3o, no jornal Estado de Minas. 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