{"id":943,"date":"2014-09-01T10:49:12","date_gmt":"2014-09-01T13:49:12","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=943"},"modified":"2022-11-03T10:55:39","modified_gmt":"2022-11-03T13:55:39","slug":"economia-solidaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/economia-solidaria\/","title":{"rendered":"Economia solid\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser vidente ou profeta para saber que o capitalismo fundado na exacerba\u00e7\u00e3o do consumismo n\u00e3o aponta para as perspectivas do futuro e da emancipa\u00e7\u00e3o das pessoas, fam\u00edlias, comunidades e na\u00e7\u00f5es. Uma sociedade que elege o dinheiro, os bens materiais e a propriedade privada como refer\u00eancias absolutas, em detrimento dos valores \u00e9ticos e sociais da conviv\u00eancia, da coopera\u00e7\u00e3o e da solidariedade, des\u00e1gua inevitavelmente no individualismo, na viol\u00eancia e na corrup\u00e7\u00e3o. Nada contra o direito de propriedade e nem contra a livre iniciativa, desde que exercidos nos limites do bem comum nacional, da justi\u00e7a social e do respeito \u00e0 natureza e ao meio ambiente, media\u00e7\u00f5es que esse tipo de capitalismo tem deixado a desejar.<br \/>\nComo agravantes dessa situa\u00e7\u00e3o, acrescem ainda as novas exig\u00eancias e paradigmas do mundo do trabalho. As mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e os avan\u00e7os da inform\u00e1tica e da rob\u00f3tica s\u00e3o os reflexos mais vis\u00edveis de uma nova realidade nas tradicionais rela\u00e7\u00f5es de emprego: as empresas produzem mais com menos gente. O desemprego torna-se estrutural.<br \/>\nDiante desse quadro, o Estado e a sociedade devem buscar novos modelos de produ\u00e7\u00e3o que atendam \u00e0s crescentes demandas por bens, servi\u00e7os e necessidades pessoais e coletivas, em novas bases de rela\u00e7\u00f5es produtivas e pol\u00edticas. Primeiro e mais vis\u00edvel contraponto a esse tipo de capitalismo, o socialismo autorit\u00e1rio e estatizante tornou-se capitalismo de Estado e n\u00e3o atendeu aos leg\u00edtimos desejos de liberdade e de expans\u00e3o das melhores possibilidades humanas. Na busca por um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o, tivemos as experi\u00eancias autogestion\u00e1rias na Iugosl\u00e1via do Marechal Tito. Tamb\u00e9m n\u00e3o prosperaram. O marechal, n\u00e3o obstante seu forte nacionalismo e coragem para confrontar o expansionismo totalit\u00e1rio de Stalin, n\u00e3o era dado aos procedimentos democr\u00e1ticos, sem os quais n\u00e3o florescem as novas experi\u00eancias e organiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEmergem ent\u00e3o as formas econ\u00f4micas alternativas com o potencial de abrir novas possibilidades de inclus\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel, como a economia solid\u00e1ria, que vem buscando os seus espa\u00e7os, identidade, express\u00f5es conceituais e pr\u00e1ticas. Longe de ser uma realidade acabada, trata-se de uma nova proposta em processo de constru\u00e7\u00e3o nos mais variados campos produtivos.<br \/>\nA economia solid\u00e1ria nos rep\u00f5e, e encontra os seus fundamentos te\u00f3ricos, no movimento Economia e Humanismo, semeado pelas obras e a\u00e7\u00f5es do padre Lebret &#8211; inspirador, sen\u00e3o o redator, da enc\u00edclica do Papa Paulo VI sobre o Desenvolvimento dos Povos, a Populorum Progressio &#8211; e na \u201ceconomia humana\u201d presente nos textos e na vigorosa milit\u00e2ncia de Emmanuel Mounier. Podemos encontrar tamb\u00e9m as suas primeiras refer\u00eancias entre n\u00f3s no solidarismo de padre Fernando Bastos D\u2019\u00c1vila. Economistas not\u00e1veis como Fran\u00e7ois Perrout, Gunnar Myrdal, Celso Furtado e os contempor\u00e2neos Joseph Stiglitz e Amartya Sen tamb\u00e9m se depararam com os limites e fracassos previs\u00edveis dos dois gigantes &#8211; capitalismo desembestado e socialismo centralizador e ditatorial &#8211; e buscaram novos horizontes ainda que por diferentes caminhos e media\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA economia solid\u00e1ria enfrenta seus desafios para se consolidar como tal alternativa. Como construir uma marca e um registro pr\u00f3prios respeitando e promovendo as diversidades? Como liberar as potencialidades dos novos arranjos produtivos em face do poder das grandes corpora\u00e7\u00f5es? Como prosperar incorporando novas tecnologias e mercados sem perder os compromissos inaugurais com a qualidade, a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, os valores da partilha e do respeito ao primado da vida? Como manter-se fiel ao princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade e do lucro? Como entrar na l\u00f3gica fria do mercado sem perder o rumo e perder-se?<br \/>\nS\u00e3o quest\u00f5es e riscos inerentes aos empreendimentos humanos. Nem por isso podemos abandonar os projetos e horizontes que se abrem quando \u00e9 a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da humanidade e dos sonhos mais anunciadores que est\u00e3o em jogo. Vejo a economia solid\u00e1ria vinculada ao projeto nacional e aos trabalhos de constru\u00e7\u00e3o de paz elaborando as suas redes emancipadoras. Precisa encontrar apoio do Estado e da sociedade. O Estado ap\u00f3ia dando o necess\u00e1rio est\u00edmulo e sustenta\u00e7\u00e3o com financiamentos e pol\u00edticas adequadas; a sociedade, prestigiando bens e servi\u00e7os que respeitem a sa\u00fade e bem-estar das pessoas, as leis da natureza e o compromisso com as gera\u00e7\u00f5es futuras.<br \/>\nPatrus Ananias ( Correio Braziliense em 11\/09\/2006)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser vidente ou profeta para saber que o capitalismo fundado na exacerba\u00e7\u00e3o do consumismo n\u00e3o aponta para as perspectivas do futuro e da emancipa\u00e7\u00e3o das pessoas, fam\u00edlias, comunidades e na\u00e7\u00f5es. 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