{"id":837,"date":"2013-11-13T16:15:42","date_gmt":"2013-11-13T18:15:42","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=837"},"modified":"2022-11-03T10:56:12","modified_gmt":"2022-11-03T13:56:12","slug":"homenagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/homenagem\/","title":{"rendered":"Homenagem"},"content":{"rendered":"<p>Na \u00faltima segunda-feira, dia 11 de novembro, \u00a0recebi uma bela homenagem pelos mais de 30 anos trabalhando na forma\u00e7\u00e3o de jovens como professor da Faculdade Mineira de Direito da PUC-Minas.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o discursaram o Professor Ronaldo Bretas, assim como o Professor Marcelo Gallupo, que foi meu aluno na gradua\u00e7\u00e3o cursando a mat\u00e9ria Introdu\u00e7\u00e3o ao Direito e, anos depois, meu professor no mestrado.<\/p>\n<p>Marcelo enviou-me por e-mail o seu discurso, que muito emocionou-me. Decidi ent\u00e3o compartilh\u00e1-lo com voc\u00eas.<br \/>\n<strong><!--more--><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>DISCURSO DE SAUDA\u00c7\u00c3O AO PROFESSOR PATRUS ANANIAS DE SOUSA NA HOMENAGEM QUE LHE PRESTOU A FACULDADE MINEIRA DE DIREITO DA PUC MINAS<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0NOMINATA<\/p>\n<p>Quando solicitaram-me que apresentasse o Professor Patrus Ananias de Sousa nesta homenagem, senti-me muito honrado e muito temeroso ao mesmo tempo. Sei que n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil apresentar uma figura p\u00fablica, como Patrus. Mas sei, tamb\u00e9m, que provavelmente escolheram-me porque, de algum modo, represento uma gera\u00e7\u00e3o de professores cuja trajet\u00f3ria foi decisivamente marcada pela presen\u00e7a de Patrus entre n\u00f3s; assim, aceitei esse encargo em nome dessa gera\u00e7\u00e3o, composta por professores como Ant\u00f4nio Fabr\u00edcio Mattos, Roberto Martins, Leonardo Isaac Yaroschewsky e o rec\u00e9m-falecido F\u00e1bio Alves dos Santos.<\/p>\n<p>Seria in\u00fatil apresentar aqui uma s\u00edntese do pensamento de Patrus. Primeiro, porque trata-se de um pensamento em constante evolu\u00e7\u00e3o, ainda que guarde profunda coer\u00eancia com seus valores fundamentais. Por isso, eu sempre correria o risco de apresentar suas ideias em um ponto aqu\u00e9m do que elas se encontram, se tentasse sintetiz\u00e1-las. Al\u00e9m disso, eu nunca poderia faz\u00ea-lo t\u00e3o bem como o pr\u00f3prio Patrus, que de fato o far\u00e1 em alguns minutos. Ent\u00e3o, resolvi falar de Patrus, meu professor.<\/p>\n<p>Em 1986, quando mudei-me para Belo Horizonte para estudar Direito, encontrei-me pela primeira vez com Patrus. Ele foi meu professor de Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Direito. A barba um pouco mais escura e bem mais comprida n\u00e3o conseguiam esconder a marca do sorriso de Patrus, que revela sua sabedoria e generosidade, para al\u00e9m do seu conhecimento e da sua erudi\u00e7\u00e3o.Mas havia algo ainda mais impressionante em Patrus do que sua barba e seu sorriso: era quando ele come\u00e7ava a falar. Ele era tomado de entusiasmo. \u00c9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o nessa palavra: entusiasmo. No meio dela, aparece o radical <i>theos<\/i>: Deus. Ter Deus dentro de si. E, \u00e0 medida que falava, seu entusiasmo geralmente se transformava em indigna\u00e7\u00e3o. A den\u00fancia prof\u00e9tica da situa\u00e7\u00e3o daqueles de nosso povo que foram humilhados e ofendidos pelo sistema sempre caracterizou o magist\u00e9rio de Patrus. Mas os profetas s\u00e3o movidos pela esperan\u00e7a, a esperan\u00e7a de que, apesar do escuro, n\u00f3s sabemos que a manh\u00e3 vai chegar.<\/p>\n<p>Se quisermos compreender Patrus, precisamos compreender as ra\u00edzes desse seu compromisso social. Sei que Patrus sempre foi assim, e que sua m\u00e3e se preocupava com a compuls\u00e3o que seu menino sentia em Bocai\u00fava em alimentar a todos aqueles que batiam \u00e0 sua porta, pedindo por um pouco de alimento. Mas tamb\u00e9m sei que seu compromisso social encontrou sua express\u00e3o intelectual quando, em 1972, Patrus conheceu seu professor de Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Direito na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, o mestre Edgar de God\u00f3i da Mata-Machado (de quem celebramos o centen\u00e1rio de nascimento no corrente ano), tamb\u00e9m professor desta casa e grande conhecedor da obra de Jacques Maritain. Influenciado pelo personalismo de Mounier e pela obra de Tom\u00e1s de Aquino e de Arist\u00f3teles, o pensamento de Maritain representou a mais importante renova\u00e7\u00e3o do Direito Natural e do humanismo de cunho cat\u00f3licono s\u00e9culo XX. Esse encontro de Patrus com a obra de Maritain, por meio de Mata-Machado, foi decisivo para consolidar seus valores, que o levaram a envolver-se com um outro curso da PUC Minas, al\u00e9m do curso de Direito: o curso de Servi\u00e7o Social. Esse compromisso e sua vincula\u00e7\u00e3o ao humanismo de Maritain tamb\u00e9m levou Patrus a fundar e a dirigir a se\u00e7\u00e3o mineira do Instituto Jacques Maritain na PUC Minas, quando coordenou uma das mais interessantes cole\u00e7\u00f5es j\u00e1 editadas pela Universidade: o <i>Cora\u00e7\u00e3o Informado<\/i>, com contribui\u00e7\u00f5es de pensadores como Marcelo Perine e Padre Vaz.<\/p>\n<p>Mas a natureza prof\u00e9tica de seu magist\u00e9rio e seu compromisso social n\u00e3o dizem tudo sobre Patrus. Quando o conheci, os tempos eram outros. O Brasil come\u00e7ava a se redemocratizar, a Assembleia Nacional Constituinte fora convocada, mas ainda pairava sobre todos o medo de que o arb\u00edtrio retornasse ao pa\u00eds. Eu bem sabia o que era isso, tendo sido meu pr\u00f3prio pai convidado a prestar algumas informa\u00e7\u00f5es \u00e0 DOPS, na d\u00e9cada anterior.<\/p>\n<p>Apesar da instabilidade, apesar do medo, apesar de tudo, era preciso preparar e formar uma massa de alunos que chegavam ao curso de Direito pasteurizados pela tecniza\u00e7\u00e3o domesticadora que a reforma Passarinho produzira tamb\u00e9m no ensino fundamental e m\u00e9dio. Era preciso preparar aqueles jovens para a democracia e para a cidadania. E foi a\u00ed que ter estudado na Faculdade Mineira de Direito e ter me encontrado com Patrus fez toda a diferen\u00e7a para mim.<\/p>\n<p>Lembro-me de que um dos primeiros livros que ele pediu que eu e meus colegas l\u00eassemos foi uma pequena obra de Raymundo Faoro, um desconhecido para mim at\u00e9 ent\u00e3o: Assembleia Constituinte: a legitimidade recuperada. Raymundo Faoro ensinava que uma constituinte n\u00e3o \u00e9 fruto de ruptura com o passado, mas de profundas aspira\u00e7\u00f5es por mudan\u00e7a, e que \u201csem a plenitude da participa\u00e7\u00e3o do povo, o governo n\u00e3o ser\u00e1 nunca um governo constitucional, mas (apenas) um governo de fato, dissimulado em apar\u00eancias constitucionais\u201d.Democracia: era disso que se tratava. Para Patrus, n\u00e3o era apenas de uma quest\u00e3o intelectual ou conceitual. Patrus traz para a sala de aula a experi\u00eancia democr\u00e1tica. Na sua aula, as propostas pedag\u00f3gicas estavam sujeitas ao di\u00e1logo, e o cotidiano era uma experi\u00eancia de cont\u00ednua aprendizagem democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda uma terceira caracter\u00edstica que devemos acrescentar, se quisermos compreender a import\u00e2ncia de Patrus para minha gera\u00e7\u00e3o. E, para isso, preciso lembrar de outro grande nome dessa Faculdade.<\/p>\n<p>Considero que tr\u00eas diretores, no passado, foram os grandes respons\u00e1veis por sermos hoje quem somos. O primeiro deles, nosso fundador, o professor Lopes da Costa, que, inspirado pelo sonho de instituir uma presen\u00e7a cat\u00f3lica no ensino jur\u00eddico mineiro, sob o p\u00e1lio do vers\u00edculo b\u00edblico do livro de Salmos: <i>Lex tua veritas <\/i>(a tua lei \u00e9 a verdade), criou a c\u00e9lula m\u00e3e de nossa Universidade h\u00e1 sessenta e tr\u00eas anos. Mais recentemente, o professor C\u00e9sar Fiuza, criando o Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Direito e redefinindo as rela\u00e7\u00f5es da pesquisa com o ensino, e da gradua\u00e7\u00e3o com a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, possibilitou o caminho para que nossa Faculdade se constitu\u00edsse em um dos centros de excel\u00eancia do ensino jur\u00eddico brasileiro. Mas, entre eles, h\u00e1 um homem que temo que tenha sido esquecido por muitos de n\u00f3s, aquele que foi nosso diretor entre 1985 e 1988, o professor Oswaldo Machado dos Santos. Muito antes de o MEC e a OAB o exigirem, o professor Oswaldo percebeu que o futuro da Faculdade dependia da vinda de professores com mestrado e doutorado para nossa institui\u00e7\u00e3o. Aquele era um contexto de profundas mudan\u00e7as, devidas \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o e \u00e0 reconstitucionaliza\u00e7\u00e3o por que passava o pa\u00eds, e as velhas teorias da \u00e9poca da ditadura militar n\u00e3o dariam conta da tarefa de criar o novo. Foi neste contexto que Carmem L\u00facia Antunes Rocha, Ronaldo Bretas e \u00c1lvaro Ricardo de Souza Cruz, dentre outros,ingressaram para nossa Faculdade como professores. Uma das atitudes inovadoras do professor Oswaldo foi criar um n\u00facleo discente de pesquisa. Alunos como eu, nossa saudosa N\u00fabia e o hoje desembargador do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais, Oswaldo Firmo, se reuniam sob a orienta\u00e7\u00e3o da professora Carmem L\u00facia, do professor Joaquim Carlos Salgado e do professor Patrus. Mas havia algo diferente com Patrus. \u00c9 que os livros que ele lia n\u00e3o eram os livros que a maioria dos professores da Faculdade liam. Durante semanas vi ele subir com um livro na m\u00e3o para a sala de pesquisa, onde hoje \u00e9 a secretaria do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Direito. O livro era\u00a0<i>Os sentidos da Paix\u00e3o.<\/i> O que aquilo tinha a ver com o Direito? H\u00e9lio Pellegrino, Pedro Nava, Guimar\u00e3es Rosa, Cervantes, Thoureau, esses eram os seus autores. Certa vez, em sala de aula, ele me perguntou: \u201cMarcelo, voc\u00ea j\u00e1 leu Dom Quixote?\u201d E o que ouvi dele, quando respondi que n\u00e3o, ainda hoje me desconcerta: \u201cQue inveja eu tenho de voc\u00ea! Porque voc\u00ea ainda vai passar por um prazer que eu n\u00e3o posso sentir mais: L\u00ea-lo pela primeira vez!\u201d Outra vez, ele me perguntou: \u201cMarcelo, voc\u00ea sabe o que quer dizer autenticidade? Voc\u00ea nunca vai saber se n\u00e3o ler Walden\u201d. S\u00f3 muito tempo depois \u00e9 que eu percebi que aquilo tudo de fato n\u00e3o tinha a ver com o Direito: aquilo <i>era<\/i> o Direito. N\u00e3o o direito dos livros, que ensina t\u00e9cnicas para preservar os poderosos no poder, mas o Direito real, da vida real, do tempo real.<\/p>\n<p>Inquieta\u00e7\u00e3o intelectual, compromisso com a democracia e compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o social sempre caracterizaram o professor Patrus.<\/p>\n<p>Mas agora preciso falar de um outro Patrus. Todos n\u00f3s conhecemos o homem p\u00fablico Patrus, e, se \u00e9 desnecess\u00e1rio apresentar o professor Patrus, chega a ser um insulto \u00e0 intelig\u00eancia dessa assembleia apresentar o pol\u00edtico. Mas isso \u00e9 necess\u00e1rio, porque o que caracteriza meu professor \u00e9 que ele n\u00e3o \u00e9 duas pessoas, mas uma s\u00f3, e a coer\u00eancia \u00e9 quarta caracter\u00edstica da marca que ele deixou em n\u00f3s, seus alunos.<\/p>\n<p>Em 1988, tivemos a primeira elei\u00e7\u00e3o de que participei como eleitor: a primeira elei\u00e7\u00e3o municipal ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, a primeira, em trinta anos, sem restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e0 escolha de prefeitos e vereadores. Patrus foi candidato a vereador. Lembro-me ainda hoje do slogan de sua campanha, um verso de Caetano Veloso: \u201cgente \u00e9 p\u2019r\u00e1 brilhar, n\u00e3o p\u2019r\u00e1 morrer de fome\u201d. O que me marcou, ent\u00e3o, foi o jeito de Patrus fazer pol\u00edtica. Com pouqu\u00edssimos recursos, Patrus reuniu seus alunos do curso de Direito e do curso de Servi\u00e7o Social em sua casa para ajudarem a discutir uma plataforma para orientar seu mandato. E, assim, eu contribu\u00ed, pela primeira vez, com a constru\u00e7\u00e3o de um projeto para a cidade. Eleito vereador, ele foi o relator da Lei Org\u00e2nica do Munic\u00edpio, que, se n\u00e3o me engano, \u00e9 a \u00fanica de uma capital brasileira que prev\u00ea a possibilidade de o povo emenda-la por iniciativa popular.<\/p>\n<p>Depois, em 1992, Patrus elegeu-se Prefeito de nossa Capital. Lembro-me como se fosse hoje de sua propaganda na televis\u00e3o. O tempo n\u00e3o era muito, mas que estrago ele fez! Lembro-me do jingle, que era uma m\u00fasica de Samuel Rosa (na verdade, acho que, em certo sentido, Patrus inventou o Skank). A m\u00fasica era <i>Indigna\u00e7\u00e3o<\/i>. Eu mesmo gravei uma pequena manifesta\u00e7\u00e3o para um de seus programas de televis\u00e3o. Eu disse: \u201cVoto no Patrus porque ele une o Sonho de Dom Quixote com a lucidez de Sancho Pan\u00e7a\u201d(e acho que isso ainda hoje define o Patrus!) Patrus elegeu-se prefeito e governou Belo Horizonte de 1993 a 1996. Foi o prefeito do centen\u00e1rio e, mais importante, foi o prefeito mais solid\u00e1rio e mais democr\u00e1tico que nossa capital j\u00e1 teve: or\u00e7amento participativo, festivais de cultura popular, Festival Internacional de Teatro, preserva\u00e7\u00e3o dos campos de v\u00e1rzea: uma cidade para todos. Creio que, de todas as realiza\u00e7\u00f5es de seu governo, as mais exemplares, do ponto de vista da democracia, foram a barragem Santa L\u00facia e o Parque JK. A zona sul queria que o espa\u00e7o fosse transformado em um centro de lazer para seu uso exclusivo. Os moradores da comunidade reivindicavam o espa\u00e7o para si. A solu\u00e7\u00e3o de Patrus foi um espa\u00e7o de conviv\u00eancia entre a comunidade e os moradores dos bairros nobres da zona sul, onde poderiam aprender juntos com a sua diversidade que a solidariedade \u00e9 poss\u00edvel, que uma outra cidade, menos exclusiva e mais inclusiva, era poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A\u00ed ocorreu o mais impressionante. Depois do t\u00e9rmino de seu mandato com prefeito, Patrus realizou um gesto de humildade de que somente os grandes homens s\u00e3o capazes: Patrus voltou para os bancos da escola, e cursou o mestrado em Direito em nossa Faculdade. Em 2000, meu professor Patrus foi meu aluno na disciplina de Filosofia do Direito. Que constrangimento para mim! Lembro-me de que, naquele semestre, dedicamo-nos a estudar\u00a0<i>Uma Teoria da Justi\u00e7a<\/i>, de John Rawls. Pergunto-me em que medida as ideias de Rawls, aliadas \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o Tomista e Maritainiana, n\u00e3o contribu\u00edram para o \u00faltimo cargo pol\u00edtico que Patrus exerceu: o de Ministro do Desenvolvimento Social e do Combate \u00e0 Fome, de 2004 a 2010, depois de ter sido deputado federal entre 2002 e 2004, o mais bem votado da hist\u00f3ria de Minas Gerais. No cargo de Ministro, Patrus foi respons\u00e1vel pelo mais bem sucedido programa social do governo Lula, o programa Fome Zero, atando a vida de hoje com as preocupa\u00e7\u00f5es do menino de Bocai\u00fava.<\/p>\n<p>Depois disso, vieram (pelo menos) mais duas elei\u00e7\u00f5es. Primeiro, como candidato a vice-governador e Minas Gerais e, mais recentemente, novamente como candidato a prefeito de nossa capital. Nessas duas, ele n\u00e3o se elegeu (o que indica para n\u00f3s que \u00e0s vezes \u00e9 bom estar do lado dos derrotados). Nessa \u00faltima elei\u00e7\u00e3o para prefeito, tamb\u00e9m gravei um depoimento para seu programa de televis\u00e3o, um depoimento bem emocionado, no qual disse que se tem algo diferente no Patrus \u00e9 que ningu\u00e9m trata ele por \u201cdoutor\u201d Patrus: ele \u00e9 igual \u00e0 gente.<\/p>\n<p>Entre essas duas elei\u00e7\u00f5es, Patrus voltou mais uma vez para Faculdade, e assumiu seu velho posto de professor de Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Direito. Lembro-me do ar de surpresa daqueles que eram seus alunos ao encontrarem o Ministro Patrus em sala de aula.<\/p>\n<p>Com sua coer\u00eancia, com seu compromisso social, com seu compromisso com a democracia, com sua inquieta\u00e7\u00e3o intelectual, Patrus \u00e9 um homem \u00fanico, que ajudou a moldar parte de meu car\u00e1ter, meus valores e meus ideais.<\/p>\n<p>A vida ensinou-me que aquilo que parecemos ser na esfera p\u00fablica \u00e0s vezes n\u00e3o passa de uma m\u00e1scara que, mais cedo ou mais tarde, sempre cai. Por isso, \u00e9 preciso avaliar a coer\u00eancia da vida de cada homem. E h\u00e1 duas maneiras de se fazer isso. A primeira, \u00e9 fazendo aquilo que Jesus Cristo pediu-nos que fiz\u00e9ssemos: que verific\u00e1ssemos onde est\u00e3o os tesouros de um homem. Pois onde estiver o tesouro de um homem, a\u00ed estar\u00e1 seu cora\u00e7\u00e3o. Sempre desconfiei de falsos socialistas que bebem <i>Whiskey Single Malt<\/i>e fumam charutos cubanos, e que dizem que querem que todos tenham acesso ao <i>Single Malt<\/i>e ao charuto cubano&#8230; Porque, como nos lembra Sarte, quem fala de sangue, e n\u00e3o est\u00e1 sangrando, \u00e9 um impostor. Nesse quesito, Patrus foi provado e aprovado. O seu relativamente modesto patrim\u00f4nio \u00e9 uma prova de uma vida que busca, n\u00e3o o seu pr\u00f3prio bem, mas o bem comum: <i>non sibi. <\/i>A outra maneira de se avaliar a coer\u00eancia da vida de algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 por meio de sua biografia, mas das biografias de seus filhos e netos. Patrus tem dois filhos com a professora Vera Victer. Conhe\u00e7o bem um deles, o hoje vereador Pedro Patrus, que tem se mostrado a voz mais vigorosa na C\u00e2mara Municipal em prol da luta pela democracia e pela solidariedade. Tamb\u00e9m nesse quesito, Patrus foi provado e aprovado. Seu exemplo, Patrus, transcende em muito qualquer coisa que eu poderia dizer sobre voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0-o-<\/p>\n<p>\u00a0Todas as vezes em que participamos juntos de algum evento, Patrus honra-me dizendo que eu fui seu aluno, depois seu colega, e finalmente seu professor. Infelizmente, tenho que corrig\u00ed-lo. Patrus, serei para sempre seu aluno. Porque, como diz Riobaldo, \u201cmestre n\u00e3o \u00e9 quem ensina, mas quem de repente aprende\u201d.<\/p>\n<p align=\"right\">Belo Horizonte, 11 de novembro de 2013<\/p>\n<p align=\"right\">Marcelo Campos Galuppo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima segunda-feira, dia 11 de novembro, \u00a0recebi uma bela homenagem pelos mais de 30 anos trabalhando na forma\u00e7\u00e3o de jovens como professor da Faculdade Mineira de Direito da PUC-Minas. Na ocasi\u00e3o discursaram o Professor Ronaldo Bretas, assim como o Professor Marcelo Gallupo, que foi meu aluno na gradua\u00e7\u00e3o cursando a mat\u00e9ria Introdu\u00e7\u00e3o ao Direito &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/homenagem\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Homenagem&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,30,6,35],"tags":[],"views":347,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/837"}],"collection":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=837"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6496,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/837\/revisions\/6496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}