{"id":8131,"date":"2022-08-06T16:23:13","date_gmt":"2022-08-06T19:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=8131"},"modified":"2023-01-23T16:28:49","modified_gmt":"2023-01-23T19:28:49","slug":"discurso-de-recepcao-da-professora-maria-antonieta-antunes-cunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/discurso-de-recepcao-da-professora-maria-antonieta-antunes-cunha\/","title":{"rendered":"Discurso de recep\u00e7\u00e3o da professora Maria Antonieta Antunes Cunha"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"8131\" class=\"elementor elementor-8131\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-51b55085 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"51b55085\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-66397705\" data-id=\"66397705\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1ba58fd7 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1ba58fd7\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Academia Mineira de Letras<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Discurso de recep\u00e7\u00e3o da professora\nMaria Antonieta Antunes Cunha pelo acad\u00eamico Patrus Ananias<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Bocai\u00fava, no in\u00edcio dos anos\n1960, era uma pequena cidade bem t\u00edpica do interior de Minas. No contexto da\nuniversalidade mineira, das diferen\u00e7as convergentes de Minas \u2013 \u201cMinas \u00e9 muitas!\u201d\n\u2013, Bocai\u00fava se inclu\u00eda com maior semelhan\u00e7a entre as cidades, cidadezinhas do\nnorte, dos gerais, do sert\u00e3o de Minas. Afinava ainda mais com aquelas por onde passavam\nas linhas e se erguiam as esta\u00e7\u00f5es da Estrada de Ferro Central do Brasil, para\nsempre celebradas nos versos de Fernando Brant e Milton Nascimento.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\nvida se repete na esta\u00e7\u00e3o<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">(&#8230;) E assim chegar e partir <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">S\u00e3o s\u00f3 dois lados <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Da mesma viagem<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O trem que chega <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\u00c9 o mesmo trem <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Da partida<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A hora do encontro <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\u00c9 tamb\u00e9m, despedida<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A plataforma dessa esta\u00e7\u00e3o <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\u00c9 a vida desse meu lugar<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\u00c9 a vida desse meu lugar<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\u00c9 a vida &#8230;<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As pessoas, as not\u00edcias, os\nutens\u00edlios rurais e dom\u00e9sticos, os animais iam e vinham em viagens bem\ndemoradas, sinuosas, que evitavam o confronto direto com as montanhas. Viagens\nque possibilitavam encontros e boas conversas estrada afora e a acolhida visual\ndas paisagens sertanejas; bem verdes e plenas de vida no tempo das \u00e1guas;\nrecolhidas e fragilizadas no tempo da seca. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A nossa casa, a casa de meus pais,\nonde passei a inf\u00e2ncia e boa parte da juventude, era pr\u00f3xima \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, em\nfrente \u00e0 linha da Central. Guardo bem preservados nos ouvidos, no cora\u00e7\u00e3o e na\nmem\u00f3ria os longos apitos dos trens, sobretudo nas noites, madrugadas,\nanunciando a chegada e a partida.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Bocai\u00fava da minha inf\u00e2ncia\nparecia fechada \u00e0s possiblidades do desenvolvimento, que se tornara uma palavra\nmuito presente no Brasil nos anos 1950. Era um mundo encantado em si mesmo. N\u00e3o\nt\u00ednhamos telefone, que chega t\u00edmido na d\u00e9cada de sessenta. Primeiro, eram s\u00f3 as\nliga\u00e7\u00f5es urbanas. Alguns anos depois, vieram as tentativas das liga\u00e7\u00f5es\ninterurbanas. Era uma peleja&#8230; Se consegu\u00edamos vencer a barreira dos 46 km que\nnos separavam da Central de Montes Claros, terra de Ciro dos Anjos e Darcy\nRibeiro, abria-se ent\u00e3o peleja maior: fazer chegar as nossas vozes e ouvir os\nque estavam em Belo Horizonte e al\u00e9m-fronteiras.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas n\u00f3s nos bast\u00e1vamos em\nBocai\u00fava. T\u00ednhamos os encontros, as celebra\u00e7\u00f5es, a Festa do Senhor do Bonfim. Seresteiros,\nmais ou menos afinados, acordavam as namoradas. T\u00ednhamos a pra\u00e7a central, do\nvai e vem, dos primeiros olhares que se encontravam, das boas prosas. T\u00ednhamos\no Cine Paroquial, vers\u00e3o bocaiuvense do Cinema Paradiso, onde muitos de n\u00f3s descobrimos\na arte cinematogr\u00e1fica e o encanto, o prazer que proporciona. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">T\u00ednhamos o Bocai\u00fava Clube que n\u00e3o\naceitava pessoas pretas. O contraponto eram os encontros e dan\u00e7as na Sociedade\nBeneficente Oper\u00e1ria, onde marcavam presen\u00e7a as pessoas negras, as fam\u00edlias\noper\u00e1rias e dos ferrovi\u00e1rios. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A televis\u00e3o chegou com a sele\u00e7\u00e3o\ncampe\u00e3 do mundo de 1970. Se a sele\u00e7\u00e3o brilhava com Pel\u00e9, Tost\u00e3o, Gerson, Carlos\nAlberto e cia; a televis\u00e3o, rec\u00e9m-chegada, tremia, confundia imagens, apagava. A\ngente via algumas cenas, lances inesquec\u00edveis de Pel\u00e9, mas n\u00e3o desligava o\nr\u00e1dio, este sim companheiro mais antigo e com narra\u00e7\u00e3o mais presente. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em 1962, acolhendo os fluxos\ndesenvolvimentistas da d\u00e9cada anterior, tempos marcados pela presen\u00e7a das\npr\u00e1ticas e dos princ\u00edpios democr\u00e1ticos que se impuseram \u00e0s amea\u00e7as golpistas de\n1954, 1955 e 1961, os bocaiuvenses elegeram um prefeito diferente. Diferente e\nbom. Din\u00e2mico, empreendedor, tolerante, alegre, dan\u00e7arino. Uma vers\u00e3o udenista,\ncom dimens\u00f5es locais, do pessedista que Diamantina deu a Minas e ao Brasil,\nJuscelino Kubitschek.&nbsp; Wan Dick Dumont\nabriu as possibilidades e os horizontes bocaiuvenses. Iniciou o processo de\ncal\u00e7amento. Abriu ruas, avenidas, pra\u00e7as. Construiu escolas. Priorizava as\nobras nos espa\u00e7os habitados majoritariamente pelos advers\u00e1rios pol\u00edticos.\nGostava de visit\u00e1-los, surpreendendo-os muitas vezes. \u201c\u00c9 s\u00f3 um cafezinho&#8230;\u201d\nPacificou a cidade. O progresso de Bocai\u00fava se abre e desdobra sobre as bases\ndo di\u00e1logo, do respeito \u00e0s diferen\u00e7as e aos diferentes, das pr\u00e1ticas\nconvivenciais e democr\u00e1ticas.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em 1966, Wan Dick cumpre o \u00faltimo\nano de seu mandato. Neste mesmo ano, a professora Maria Antonieta Antunes Cunha\ne seu companheiro, admir\u00e1vel, o m\u00e9dico Eunapio Antunes, aportam em Boca\u00eduva. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A mudan\u00e7a no campo pol\u00edtico\ninicia agora no campo da educa\u00e7\u00e3o, da cultura, das artes, da literatura\nsobretudo. Incide tamb\u00e9m na \u00e1rea da sa\u00fade, onde Eunapio, no antigo Hospital do\nSESP \u2013 Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica, estabelece novas e mais humanizadas\nformas de atendimento m\u00e9dico e de rela\u00e7\u00f5es humanas. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Eu iniciava a antiga quarta s\u00e9rie\nginasial e dava os meus primeiros passos nos estreitos caminhos da milit\u00e2ncia\npol\u00edtica. Assumia, naquele ano de 1966, a presid\u00eancia do Diret\u00f3rio Estudantil\nde Bocai\u00fava. Viv\u00edamos os primeiros anos da ditadura. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Professora Maria Antonieta\npromove uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e amorosa na educa\u00e7\u00e3o bocaiuvense. Torna a sala\nde aula um encanto. N\u00e3o mais o espa\u00e7o da monotonia, do desprazer; ora o\ndesleixo, a bagun\u00e7a, todos falando, gritando, ao mesmo tempo; ora o\nautoritarismo, o sil\u00eancio imposto. Antonieta, jovem professora, se afirma,\ncalma e amorosamente, pela qualidade das aulas. Espl\u00eandidas! O encontro da\ngram\u00e1tica, da L\u00edngua Portuguesa com a literatura, com as artes, com as mais\ndiversificadas formas de manifesta\u00e7\u00e3o; com os sentimentos, com a sensibilidade.\nA escuta. O est\u00edmulo. A partilha fraterna, generosa, alegre do conhecimento, do\nsaber.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os livros did\u00e1ticos relativos \u00e0\nl\u00edngua majorit\u00e1ria em nossos pa\u00eds \u2013 n\u00e3o podemos esquecer as l\u00ednguas ind\u00edgenas \u2013\nque eram adotados no antigo curso ginasial de Bocai\u00fava eram muito ruins.\nEstancavam, nos espa\u00e7os modest\u00edssimos reservados \u00e0 literatura, no\nparnasianismo. Sequer chegavam a Cruz e Souza e Alphonsus de Guimar\u00e3es. E como\ndenuncia Pedro Nava em suas mem\u00f3rias, o pior do legado parnasiano, o pior de\nOlavo Bilac. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Antonieta nos traz o livro de\nCelso Cunha, gram\u00e1tica mais dialogante e acolhedora; aberta ao modernismo,\nacolhendo a Semana da Arte Moderna, agora centen\u00e1ria, e seus desdobramentos, e\ndando-lhe o devido lugar, cada vez mais alargado, na Hist\u00f3ria do Brasil. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Lembro-me bem. Se n\u00e3o foi na\nprimeira, foi na segunda ou terceira aula, a leitura e a reflex\u00e3o compartilhada\nda cr\u00f4nica de Paulo Mendes Campos: \u2018O pombo enigm\u00e1tico\u2019. Guardei de cor.\nGuardei no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria. O momento exige a leitura. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na necessidade do cio (outono de\nabril) pombo e pomba marcaram um encontro de amor a voar no azul. Era de manh\u00e3.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; \u00c0s quatro azul em ponto casarei\ncontigo no mais alto beiral.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Candel\u00e1ria? <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Do lado norte.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; T\u00e1.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pois, \u00e0s quatro azul em ponto, a\npomba pontual\u00edssima pousava no beiral. O pombo n\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\npombinha que era branca arrulhava humilhada e ofendida e contemplava acima do\ncampan\u00e1rio todas as possibilidades da rosa-dos-ventos. Na paisagem do c\u00e9u\nvoavam s\u00f3 velozes andorinhas garotas, e as andorinhas mais velhas enfileiravam\nnas cornijas como gente fina l\u00e1 dentro nos dias solenes de missa de s\u00e9timo dia.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quatro\ne dez. Quatro e um quarto. Uma pomba sozinha, \u00e0 merc\u00ea talvez de um lend\u00e1rio\ngavi\u00e3o. Sol e sombra. Um quarto de hora muito custa a passar para uma pombinha\nque aguarda o pombo no beiral para casar. Brisa. F\u00eamea humilhada. Ah, arrulhou\nde repente a pomba, ao distinguir indignada o pombo que chegava caminhando pelo\nbeiral mais alto, do outro lado, l\u00e1 onde um pouco al\u00e9m gritavam as esganadas\ngaivotas do mar do mercado. Ir\u00f4nica:<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Perdeste a no\u00e7\u00e3o do tempo ou do\ntemplo?<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Por Deus, perd\u00e3o, pomba minha.\nTardo mas ardo. Olha que tarde!<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Que tarde?<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Olha a tarde! Que azul! Que abril\nazul!<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Mas e eu?! Sozinha e branca!<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; A tarde era t\u00e3o bonita,\npombinha, que era um crime voar, vir voando.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; E eu?! E eu?! <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; A tarde era t\u00e3o bonita, meu\namor, que eu vim andando. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sempre presentes comigo as\nperguntas, as reflex\u00f5es que a professora, a partir do texto, levantava. O pombo\nn\u00e3o gostava da pombinha? Se gostava, por que atrasou? Inesquec\u00edvel quando a professora\nAntonieta chamava a aten\u00e7\u00e3o para bem explicar os sentimentos do pombo em\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, \u00e0 tarde, mas sobretudo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pomba, para a\nexpress\u00e3o presente na \u00faltima frase: \u201cmeu amor\u201d.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As pombas e as estrelas\nparnasianas s\u00e3o confrontadas por uma nova leitura po\u00e9tica da vida, a partir dos\nespa\u00e7os e das rela\u00e7\u00f5es em que vivemos, como aquela do poeta maior, o Carlos\nDrummond de Andrade, tamb\u00e9m presente j\u00e1 nas primeiras aulas:<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Casas entre bananeiras<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">mulheres entre laranjeiras<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">pomar amor cantar<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Um homem vai devagar<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Um cachorro vai devagar.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Um burro vai devagar.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Devagar&#8230; as janelas olham.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\u00cata vida besta, meu Deus.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todos os meses, ou a cada dois\nmeses \u2013 s\u00e3o as pequenas dan\u00e7as da mem\u00f3ria \u2013, t\u00ednhamos que ler um romance\ninclu\u00eddo no rol da boa literatura, especialmente brasileira, e fazer um\ntrabalho sobre ele: s\u00edntese da obra, cr\u00edticas lidas sobre ela \u2013 pelo menos duas\n\u2013; opini\u00e3o pessoal, mais algumas quest\u00f5es relacionadas com os recursos gramaticais\ne lingu\u00edsticos. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Um dos primeiros que li foi \u2018Vila\ndos Confins\u2019 de M\u00e1rio Palm\u00e9rio. Quis fazer o trabalho seguinte sobre \u2018Chapad\u00e3o\ndo Bugre\u2019. Antonieta, a mestra da boa leitura, ponderou: n\u00e3o repita o trabalho sobre\no mesmo autor. T\u00eam muitos outros autores bons para serem lidos. Vieram ent\u00e3o \u2018Mar\nMorto\u2019, \u2018Vidas Secas\u2019, \u2018Fogo Morto\u2019, este acompanhado pelo est\u00edmulo de M\u00e1rio de\nAndrade: \u201cCarece ler Fogo Morto. Carece\u201d.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N\u00e3o ousei fazer, naquela \u00e9poca,\ncomo fez o meu colega de turma e sempre amigo, o admir\u00e1vel escritor Luiz\nFernando Emediato, o trabalho sobre Grande Sert\u00e3o Veredas. Lembro-me bem: o\ntrabalho do Emediato encantou a professora. Captou logo o talento presente. A\nminha hist\u00f3ria de amor com a obra de Guimar\u00e3es Rosa come\u00e7ou a\u00ed. Com as b\u00ean\u00e7\u00e3os\nda professora Maria Antonieta. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ela, com a total solidariedade do\nDr. Eunapio \u2013 como fal\u00e1vamos respeitosamente \u2013 abria as portas e nos acolhia em\nsua casa. Total disponibilidade. Conversava, emprestava livros, orientava leituras.\nUma vez assustei meus pais. Cheguei em casa carregado de livros. Per\u00edodo de\nf\u00e9rias. Tempo de boas leituras na Fazendo do Espinho. Sa\u00ed da casa de nossa\nprofessora com \u2018Corpo de Baile\u2019, na \u00e9poca em volume \u00fanico, bem consistente, que\ndepois foi dividido em tr\u00eas: \u2018Manuelz\u00e3o e Miguilim\u2019; \u2018Noites do Sert\u00e3o\u2019; \u2018No\nUrubuquaqu\u00e1, no Pinh\u00e9m\u2019; a trilogia de Jos\u00e9 Lins do Rego: \u2018Menino de Engenho\u2019, \u2018Doidinho\u2019,\n\u2018Bangu\u00ea; as obras po\u00e9ticas de M\u00e1rio de Andrade e Carlos Drummond de Andrade.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m das aulas inesquec\u00edveis,\nprazerosas, dialogantes, participativas; das acolhidas fraternas em sua casa,\ndos livros emprestados e alguns doados, Antonieta acolheu o nosso convite para\nministrar um curso de Literatura Brasileira, fora do hor\u00e1rio e do espa\u00e7o\nescolares, sem nenhuma remunera\u00e7\u00e3o. Pura disponibilidade e amor ao conhecimento\nliter\u00e1rio e desejo de partilh\u00e1-lo.&nbsp;\nMarcou-me neste curso o seu elevado e just\u00edssimo apre\u00e7o \u00e0 obra de\nGraciliano Ramos. Ela acolhe a avalia\u00e7\u00e3o bem consensual sobre os nossos dois\nautores mais universais, mas muito bem fincados em nossa realidade nacional:\nMachado de Assis e Guimar\u00e3es Rosa. Mas faz quest\u00e3o de registrar a proximidade,\no encosto muito pr\u00f3ximo neles de Graciliano; a import\u00e2ncia, tamb\u00e9m a\nuniversalidade, bem nossa, bem brasileira, do romancista, do contador de\nest\u00f3rias infantis, do memorialista de inf\u00e2ncia e \u2018Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere\u2019. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Desdobrando o curso,\napresenta-nos uma bel\u00edssima e refinada leitura da obra de Carlos Drummond de\nAndrade, a sua dimens\u00e3o social.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro que\nescreveu sobre Carlos Drummond de Andrade, \u201cum dos maiores nomes da literatura\nem l\u00edngua portuguesa de todos os tempos\u201d, Antonieta rep\u00f5e o desafio do curso\nque nos deu:<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;tab-stops:48.0pt\">Mas n\u00e3o se trata\napenas de um extraordin\u00e1rio escritor: trata-se de uma testemunha privilegiada\ndos acontecimentos do s\u00e9culo XX, homem que viveu intensamente seu tempo e\ndurante toda a vida \u201ctomou partido\u201d, n\u00e3o foi um simples observador dos fatos,\nembora ele, no fim da vida, tenha intitulado a parte publicada de seu di\u00e1rio de\nO Observador no escrit\u00f3rio.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O seu objetivo era mostrar que o\nabrir-se \u00e0s quest\u00f5es da vida real, dos conflitos sociais da Pol\u00edtica \u2013 especialmente\nnos livros que coincidem com o seu per\u00edodo de maior milit\u00e2ncia como \u2018Sentimento\ndo mundo\u2019 (1940) e \u2018A rosa do povo\u2019 (1945) \u2013 n\u00e3o incidem sobre o conte\u00fado e a\nforma po\u00e9ticas, sempre presentes e admir\u00e1veis. Em nenhum momento Drummond se\ntorna autor panflet\u00e1rio, dogm\u00e1tico, partid\u00e1rio. O conte\u00fado pol\u00edtico, a\nsensibilidade humana e social, a aten\u00e7\u00e3o aos desafios que a realidade nos\nimp\u00f5e, presentes em tantas obras cl\u00e1ssicas da literatura e das artes, n\u00e3o entorpece\noutras dimens\u00f5es fundamentais do ser humano e das suas rela\u00e7\u00f5es que transcendem\na dimens\u00e3o pol\u00edtica e que confluem na verdadeira arte, mas sempre a partir da\nrealidade efetiva dos viventes. Como na pintura social, humana, dos retirantes\nde Portinari. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pedro Rodrigues, bocaiuvense fiel\n\u00e0s ra\u00edzes, adentrando agora os caminhos da literatura infantil, nosso colega de\nturma, diz sempre, com toda a raz\u00e3o, que Antonieta Cunha promoveu uma revolu\u00e7\u00e3o\ncultural em nossa terra. Bocai\u00fava antes e depois dela. N\u00e3o ser\u00edamos o que somos\nsem ela. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N\u00e3o ficou muito tempo. Tr\u00eas anos pelos\nmeus registros. Al\u00e9m da sala de aula, dos cursos sobre literatura nacional, da\ncircula\u00e7\u00e3o de livros e ideias; dirigiu pe\u00e7as de teatro. Lembro-me de ver \u2018Pluft,\no fantasminha\u2019 e o \u2018Auto da Compadecida\u2019. Sugeria-nos que fossemos ao Cine\nParoquial assistir filmes como \u2018Amor, sublime amor\u2019.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Voltou a Belo Horizonte para\ncontinuar os estudos e a sua carreira acad\u00eamica no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o.\nUniversidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Educa\u00e7\u00e3o e doutora em Letras.\nGuardo, com carinho, a tese publicada, apresentada \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o da Faculdade\nde Letras da UFMG para doutoramento em Letras \u2013 L\u00edngua Portuguesa: \u2018O Discurso Indireto\nLivre em Carlos Drummond de Andrade\u2019. Recebi presenteado pela autora.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vieram outras publica\u00e7\u00f5es: os\nquatro volumes de \u2018Ler e Redigir\u2019; \u2018A Comicidade em Maria Clara Machado\u2019; \u2018Poesia\nna escola\u2019; \u2018Literatura Infantil \u2013 teoria e pr\u00e1tica\u2019; \u2018Mergulhando na leitura\nliter\u00e1ria \u2013 Proposta de experi\u00eancia para o ensino fundamental\u2019; \u2018Livro \u2013\norienta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para aquisi\u00e7\u00e3o de acervos p\u00fablicos e privados\u2019, o j\u00e1\nmencionado, bel\u00edssimo no seu despojamento e simplicidade, sobre Carlos Drummond\nde Andrade.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As obras t\u00eam como ponto de converg\u00eancia\no amor e o conhecimento da L\u00edngua Portuguesa, da literatura, com especial\naten\u00e7\u00e3o para a literatura brasileira e a literatura infantil. Confluem no\ndesejo manifesto, incontido mesmo, sempre presente, de partilhar o\nconhecimento, de estimular, sobretudo nas crian\u00e7as e jovens, diretamente ou na\nconversa com as professoras e professores, o gosto, o prazer da leitura, a\nreflex\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o mais amorosa com a l\u00edngua portuguesa, sempre na perspectiva\nda expans\u00e3o das possibilidades interiores que devem se abrir na busca do\nencontro, do di\u00e1logo, da expans\u00e3o tamb\u00e9m das possibilidades comunit\u00e1rias, do\nprojeto nacional brasileiro. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Bem sabemos, quase nunca\ncumprimos, que a abertura desse olhar e dessa sensibilidade para dentro e para\nfora de si mesmo, de n\u00f3s mesmos, come\u00e7a na inf\u00e2ncia, bem no in\u00edcio da\ntrajet\u00f3ria existencial e comunit\u00e1ria. \u00c9 a\u00ed que nasce e desenvolve o sentimento\nde nacionalidade, de p\u00e1tria, de pertencimento fundado nas ra\u00edzes territoriais,\nhist\u00f3ricas, culturais. Antonieta, sempre atenta a essas dimens\u00f5es, nos rep\u00f5e a\nimport\u00e2ncia do folclore. Na sua enternecida e instigante obra \u2018Literatura\nInfantil \u2013 teoria e pr\u00e1tica\u2019, capta com precis\u00e3o, a partir do nosso folclore, a\nquest\u00e3o nacional:<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Considerando a crian\u00e7a, o\nfolclore \u00e9 a melhor forma de verdadeiramente faz\u00ea-lo penetrar na alma do povo,\nde conhecer as vidas diferentes do pa\u00eds, de criar uma consci\u00eancia nacional e o\namor \u00e0s nossas coisas.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que o povo brasileiro \u2013\ncomo muitos outros \u2013 vive um intenso processo de coloniza\u00e7\u00e3o cultural. Para\ncomprovar isso, basta observar o filme, a m\u00fasica, a programa\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o,\nassim como os modelos de personalidade, de her\u00f3is, de roupa, etc., a que\nestamos submetidos diariamente, atrav\u00e9s de todos os meios comunica\u00e7\u00e3o de massa.\nNossos jovens est\u00e3o, assim, formando-se ao embalo de uma leitura estrangeira.\nN\u00e3o podem ser culpados de sua desvincula\u00e7\u00e3o de tudo que \u00e9 nacional e apresente\nnossas ra\u00edzes. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O contacto, desde muito cedo, com\no material folcl\u00f3rico brasileiro ser\u00e1 certamente uma das formas mais eficazes\nde combate \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Esse contato ajudar\u00e1 tamb\u00e9m a\ndescoloniza\u00e7\u00e3o que existe ainda em n\u00edvel nacional: o brasileiro sente-se em\ngeral colono dos dois grandes centros culturais e econ\u00f4micos \u2013 Rio de Janeiro e\nS\u00e3o Paulo. O conhecimento da cultura regional permitir\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 a sua aceita\u00e7\u00e3o\ne valoriza\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m a pr\u00f3pria integra\u00e7\u00e3o no seu meio.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A professora Antonieta n\u00e3o\ndispensa a contribui\u00e7\u00e3o de autores internacionais no despertar das crian\u00e7as,\ndos jovens, das pessoas em qualquer tempo e idade para o gosto da leitura e do\nconhecimento, mas valoriza, e muito bem, os nossos autores: Monteiro Lobato que\ninicia \u201ca verdadeira literatura infantil brasileira\u201d; Maria Clara Machado,\nAriano Suassuna do \u2018Auto da Compadecida\u2019 e do compromisso com a cultura\nbrasileira; Or\u00edgenes Lessa, Lygia Bojunga Nunes, Bartolomeu Campos de Queir\u00f3s,\nque tinha o dom de falar em prosa e poesia para todas as idades; Graciliano\nRamos, que se deixava levar pelo humor dos casos mirabolantes de Alexandre; Ana\nMaria Machado; o nosso saudoso, sempre presente, \u00c2ngelo Machado; L\u00e9o Cunha, o\nfilho bocaiuvense que se imp\u00f5e, a cada publica\u00e7\u00e3o, entre os cl\u00e1ssicos da nossa\nliteratura infantil; a poesia de Cec\u00edlia Meirelles \u2013 \u2018Ou isto ou aquilo\u2019 \u2013, de\nHenriqueta Lisboa \u2013 \u2018O menino poeta\u2019. Sempre h\u00e1bil, Antonieta busca em autores\nnem sempre atentos aos olhares e cora\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, textos que se abrem \u00e0s\nnovas gera\u00e7\u00f5es: Guimar\u00e3es Rosa, Jorge Amado, Jos\u00e9 Lins do Rego, An\u00edbal Machado,\nRaquel de Queir\u00f3z, Rubens Braga &#8230;<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A vida e a obra da professora\nMaria Antonieta Antunes Cunha expressam, a cada momento, em cada publica\u00e7\u00e3o, em\ncada linha, em cada palavra, mais do que um compromisso, um amor profundo,\nexistencial, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Educa\u00e7\u00e3o verdadeira, n\u00e3o demag\u00f3gica, n\u00e3o promessa\nvazia de campanha eleitoral. Educa\u00e7\u00e3o que se plenifica no conhecimento, no saber,\nna sabedoria; na abertura ao outro, aos outros, aos exclu\u00eddos da boa escola.\nEduca\u00e7\u00e3o que se desdobre no encontro com as realidades que nos cercam:\npol\u00edtica, econ\u00f4mica, cultural, ambiental; realidades que devem ser confrontadas\ntamb\u00e9m \u00e0 luz dos valores \u00e9ticos e do compromisso com as gera\u00e7\u00f5es presentes e\nfuturas. Esta educa\u00e7\u00e3o libertadora come\u00e7a cedo, no alvorecer da vida, na educa\u00e7\u00e3o\ninfantil, nas creches, nos espa\u00e7os que chamamos, com ternura, jardins da\ninf\u00e2ncia. Bel\u00edssima e comovente a aten\u00e7\u00e3o de Antonieta com esta forma\u00e7\u00e3o\nintegral desde os anos, meses inaugurais da exist\u00eancia. Mostra, na linha da\nrefinada compreens\u00e3o alcan\u00e7ada pelos gregos, como nos ensina Werner Jaeger na\nsua obra enciclop\u00e9dica Paideia, a import\u00e2ncia da m\u00fasica nesse per\u00edodo de\nforma\u00e7\u00e3o. Importante tamb\u00e9m a poesia, o teatro, o desenho. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vivemos no Brasil hoje, entre\ntantos outros, esse desafio fundamental para consolidarmos a nossa\nindepend\u00eancia e a nossa soberania, para consolidarmos o projeto de uma na\u00e7\u00e3o\nque priorize a vida e a dignidade de seu povo. Temos o desafio de construir,\ndesde a educa\u00e7\u00e3o infantil at\u00e9 as universidades, um projeto pedag\u00f3gico que\nconsidere, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das professoras e professores, com\nmaior aten\u00e7\u00e3o, os conte\u00fados pedag\u00f3gicos. O que ensinar? Como ensinar? Como\ndespertar nas crian\u00e7as, nos jovens, nos adultos o gosto pelo estudo, pela\nleitura, o prazer de ampliar as possibilidades da intelig\u00eancia, da mem\u00f3ria, da\nraz\u00e3o, tamb\u00e9m dos sentimentos, dos desejos, da sensibilidade. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como promover o encontro e o\ndi\u00e1logo das disciplinas e dos saberes? Como interagir escola e sociedade? Como\nlevar, a partir da escola at\u00e9 as pessoas, fam\u00edlias, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es\nsociais, partidos pol\u00edticos, \u00e0 comunidade enfim, o gosto pela especula\u00e7\u00e3o das\nideias que tanto agradava Riobaldo Tatarana. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Educa\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica p\u00fablica\nfundamental ao bem viver das pessoas e ao bem comum coletivo se encontra e\naprofunda v\u00ednculos com a cultura. \u00c9 o que vive e ensina Antonieta. A educa\u00e7\u00e3o e\na cultura abra\u00e7am a Pol\u00edtica na sua dimens\u00e3o mais verdadeira; a Pol\u00edtica como\narte de promover o bem comum, que possibilita que os conflitos inerentes \u00e0\nsociedade dividida em classes e \u00e0 pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana se fa\u00e7am atrav\u00e9s de\nprocedimentos democr\u00e1ticos, que melhor se manifestam atrav\u00e9s da democracia\nparticipativa e do exerc\u00edcio efetivo da cidadania e dos direitos fundamentais. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mantive sempre com a minha\nprofessora os la\u00e7os da fraterna amizade, sempre acompanhando as suas\natividades, as suas publica\u00e7\u00f5es, o seu trabalho editorial, especialmente \u00e0\nfrente da editora infanto-juvenil, a Miguilim; o testemunho de quem faz da\nEduca\u00e7\u00e3o e da Cultura um compromisso de vida, a servi\u00e7o do povo brasileiro e da\nhumanidade.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tivemos um novo encontro de\ntrabalho quando, vereador em Belo Horizonte, fui escolhido pelos meus colegas, em\n1989, para ser o relator da Lei Org\u00e2nica, que traduz no plano municipal as\ndiretrizes da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Minas\nGerais. A professora Maria Antonieta, fez com a dedica\u00e7\u00e3o e a compet\u00eancia de\nsempre, com a sua rela\u00e7\u00e3o amorosa com a L\u00edngua Portuguesa e not\u00e1vel\nsensibilidade em face das pol\u00edticas e das quest\u00f5es sociais, a revis\u00e3o e\nadequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias da nossa Lei Org\u00e2nica.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em 1992, foi a caminhada por\ntodos os cantos e recantos de Belo Horizonte que nos levou \u00e0 Prefeitura da capital\nmineira. Comprometida e solid\u00e1ria com os nossos compromissos, Antonieta coordenou\no nosso Programa no campo cultural. Duas dimens\u00f5es sempre me fascinaram na\nbel\u00edssima hist\u00f3ria belorizontina. As lutas populares, de oper\u00e1rios e trabalhadores,\ndesde a funda\u00e7\u00e3o da cidade, que se recusaram \u00e0 exclus\u00e3o, a ficarem fora da\nAvenida do Contorno. As comunidades que margeiam a Contorno \u2013 a de Santa L\u00facia,\nconhecida como Morro do Papagaio, do Aglomerado da Serra, do Alto Vera Cruz, da\nPedreira Prado Lopes&#8230; \u2013 testemunham essa resist\u00eancia que se traduziu na Lei do\nPr\u00f3-Favela. A outra vertente luminosa \u00e9 a inquieta\u00e7\u00e3o cultural sempre presente:\nas gera\u00e7\u00e3o dos anos vinte&#8230;; cidade que formou Guimar\u00e3es Rosa; a gera\u00e7\u00e3o que\nemerge nos anos cinquenta; as gera\u00e7\u00f5es posteriores que se abrem, al\u00e9m da\nliteratura, na ci\u00eancia pol\u00edtica, na pedagogia, na hist\u00f3ria, na filosofia, na\nteologia, na psican\u00e1lise; nas artes \u2013 na m\u00fasica, na pintura, no teatro, no\ncinema. Cidade do Grupo Corpo, do Grupo Galp\u00e3o, do Armatrux, do Giramundo.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Antonieta torna-se a nossa\nSecret\u00e1ria Municipal de Cultura. Realiza um trabalho que rep\u00f5e a nossa capital\nno cen\u00e1rio cultural do Brasil e do mundo.&nbsp;\nLembremos as realiza\u00e7\u00f5es do FIT \u2013 Festival Internacional de Teatro de Palco\ne Rua, com a presen\u00e7a de grupos nossos e internacionais. Recordo-me bem dos\nfranceses, que agitavam a cidade, que t\u00e3o bem os acolhia, ocupavam as avenidas,\nas ruas, as pra\u00e7as, os parques. Era o teatro, a arte, entrando sem pedir\nlicen\u00e7a, mas com toda a delicadeza, na vida, no quotidiano, no ir e vir das\npessoas. Surpreendiam, inclusive, o prefeito, nas suas andan\u00e7as pela cidade.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Lembremos a temporada de poesia\nque trouxe a Belo Horizonte, entre outras e outros, o poeta e m\u00edstico nicaraguense,\nmilitante pol\u00edtico e ministro da Cultura em seu pa\u00eds, Ernesto Cardenal; o FAN \u2013\nFestival de Arte Negra, integrado \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es do tricenten\u00e1rio da morte de\nZumbi dos Palmares. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Secretaria de Cultura, em nosso\ngoverno, sob a lideran\u00e7a da professora Antonieta criou as bases e iniciou a\nimplanta\u00e7\u00e3o dos Centros Regionais de Cultura; promoveu a revitaliza\u00e7\u00e3o do Museu\nHist\u00f3rico Ab\u00edlio Barreto, dos teatros Francisco Nunes e Mar\u00edlia; a reforma do\nMuseu de Arte de Belo Horizonte. Implementou obras e a\u00e7\u00f5es em parques urbanos\ncomo o da Lagoa do Nado. Inaugurou o Centro de Refer\u00eancia Audiovisual.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Iniciamos e muito avan\u00e7amos nos\npreparativos para as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio de Belo Horizonte, a Capital do\nS\u00e9culo, a Capital da Paz. Institu\u00edmos uma pol\u00edtica de mem\u00f3ria em BH que, para\nal\u00e9m da multiplicidade de im\u00f3veis preservados, estabeleceu uma metodologia\nmultidisciplinar de invent\u00e1rios que levou ao tombamento de conjuntos urbanos na\nFloresta, na Lagoinha, no Primeiro de Maio, em vilas e na \u00e1rea central.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Belo Horizonte saltou do 13\u00ba\nlugar em 1992 para 3\u00ba lugar em 1996 em n\u00famero e qualidade de eventos culturais,\nsegundo levantamento da EMBRATUR.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O car\u00e1ter modelar, referencial de\nseu trabalho, fez com que ela prosseguisse \u00e0 frente da Cultura belo-horizontina\nno governo de Fernando Pimentel, criando e inovando continuamente, com mais e\nmais projetos como o Festival Internacional de Quadrinhos, o FIQ.<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As realiza\u00e7\u00f5es materiais, os\neventos explicitam, de um lado, a efic\u00e1cia e o compromisso do governo. H\u00e1,\ntodavia, um outro lado, menos vis\u00edvel aos olhos do corpo e que se manifestam\ncom maior intensidade no territ\u00f3rio das sensibilidades, dos sentimentos, dos\ncora\u00e7\u00f5es. O trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura, com a\nsua dimens\u00e3o pedag\u00f3gica, \u00e9tica, participativa, bem integrado com o or\u00e7amento\nparticipativo, calam bem fundo na alma dos belo-horizontinos. Era vis\u00edvel, no\ncontato com as pessoas, a alegria, o orgulho de ser cidad\u00e3, cidad\u00e3o de Belo\nHorizonte. Expandimos a dimens\u00e3o cultural, liter\u00e1ria, de justi\u00e7a, de\ncompromisso com a vida e com o pr\u00f3ximo, com os empobrecidos, sempre muito\npresentes nos sentimentos e nas a\u00e7\u00f5es do povo de Belo Horizonte. Nesta\nperspectiva, talvez no melhor do nosso governo, a a\u00e7\u00e3o da Secretaria Municipal\nde Cultura foi fundamental. Tocava o cora\u00e7\u00e3o ver Belo Horizonte, a sua gente,\nse encontrando consigo mesma. Com a sua Hist\u00f3ria, e se abrindo ao futuro com a\npresen\u00e7a vis\u00edvel dos valores da solidariedade e do amor. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Academia Mineira de Letras\nacolhe hoje uma intelectual e escritora admir\u00e1vel. Traz consigo uma obra que a\nfaz respeitada e admirada nos meios acad\u00eamicos e em todos os espa\u00e7os que se\nabrem ao conhecimento e \u00e0 cultura. Um nome de grandeza nacional e internacional,\ncomo se comprova por sua participa\u00e7\u00e3o como jurada, uma, duas vezes, no mais importante\npr\u00eamio mundial de literatura infanto-juvenil \u2013 sempre as crian\u00e7as e os jovens\nno seu cora\u00e7\u00e3o \u2013, o Pr\u00eamio Hans Christian Andersen, vinculado a UNESCO. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas Antonieta tem uma dimens\u00e3o\nmuito especial, um registro muito pr\u00f3prio que a faz ser, al\u00e9m de mestra, em\nv\u00e1rios n\u00edveis escolares, da escritora e intelectual \u2013 leitora voraz e amorosa,\numa pessoa humana que dignifica a nossa sofrida e peregrina condi\u00e7\u00e3o. Os estudos,\nas leituras, o conhecimento da professora Antonieta n\u00e3o cabem dentro dela.\nDemandam sa\u00eddas, sempre \u00e0 procura das crian\u00e7as, dos jovens, das professoras e\nprofessores que com eles interagem. \u00c9 uma mission\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o e da cultura.\n<o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Maria Antonieta vai contribuir\nmuito para que a nossa Academia, sob a espl\u00eandida lideran\u00e7a de Rogerio Faria\nTavares, amplie ainda mais os seus espa\u00e7os de interlocu\u00e7\u00e3o com a sociedade e,\nsobretudo, com as crian\u00e7as e a juventude. Vai contribuir muito para que a\nliteratura, que mais prezamos, tenha bons encontros e di\u00e1logos com a m\u00fasica, o\nteatro, o cinema, a pintura, a hist\u00f3ria, a filosofia. Espa\u00e7o do saber aberto,\ncompartilhado, dialogante, abrindo novas perspectivas \u00e0s possibilidades\nhumanas. \u00c9 isto que nos traz esta mestra de gera\u00e7\u00f5es. <o:p><\/o:p><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Seja muito bem-vinda professora\nMaria Antonieta Antunes Cunha que, a partir de agora, dignifica e engrandece esta\nCasa! Seremos melhores com a sua presen\u00e7a!<o:p><\/o:p><\/p><p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Academia Mineira de Letras &nbsp; Discurso de recep\u00e7\u00e3o da professora Maria Antonieta Antunes Cunha pelo acad\u00eamico Patrus Ananias &nbsp; Bocai\u00fava, no in\u00edcio dos anos 1960, era uma pequena cidade bem t\u00edpica do interior de Minas. No contexto da universalidade mineira, das diferen\u00e7as convergentes de Minas \u2013 \u201cMinas \u00e9 muitas!\u201d \u2013, Bocai\u00fava se inclu\u00eda com maior &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/discurso-de-recepcao-da-professora-maria-antonieta-antunes-cunha\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Discurso de recep\u00e7\u00e3o da professora Maria Antonieta Antunes Cunha&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"views":897,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8131"}],"collection":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8131"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8140,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8131\/revisions\/8140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}