{"id":5167,"date":"2021-08-04T11:40:29","date_gmt":"2021-08-04T14:40:29","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=5167"},"modified":"2022-11-03T10:56:32","modified_gmt":"2022-11-03T13:56:32","slug":"o-sertao-e-a-metafora-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/o-sertao-e-a-metafora-do-brasil\/","title":{"rendered":"O sert\u00e3o \u00e9 a met\u00e1fora do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Grande Sert\u00e3o: veredas, a magn\u00edfica obra do escritor mineiro Guimar\u00e3es Rosa (1908-1967), completa em 2021 65 anos de seu lan\u00e7amento. Considerada uma das maiores obras da literatura brasileira, apresenta profundas reflex\u00f5es humanas, filos\u00f3ficas, pol\u00edticas e sociais tendo como cen\u00e1rio o sert\u00e3o. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Focus Brasil, da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, traz artigo do deputado Patrus Ananias sobre este livro inigual\u00e1vel que tem no Brasil a sua grande refer\u00eancia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/2121-115.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5168\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Grande Sert\u00e3o: veredas, de Guimar\u00e3es Rosa, que est\u00e1 completando 65 anos de lan\u00e7amento, \u00e9 uma obra profundamente brasileira, sertaneja. Uma obra Pol\u00edtica, no sentido mais alargado da palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil, em v\u00e1rias dimens\u00f5es, da linguagem aos territ\u00f3rios, passando pela nossa hist\u00f3ria, \u00e9 a grande presen\u00e7a nesta obra genial. \u00c9 o ponto de partida para as reflex\u00f5es que transcendem o tempo e os espa\u00e7os nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Guimar\u00e3es Rosa contextualiza o sert\u00e3o em termos de espa\u00e7os geogr\u00e1ficos e seus vazios, territ\u00f3rios confusos e difusos, como sempre foi o n\u00e3o resolvido tema da ocupa\u00e7\u00e3o de terras no Brasil. Al\u00e9m da cr\u00edtica social, explicita ainda a aus\u00eancia total do Estado e da lei, tempos do coronelismo e dos jagun\u00e7os, que ainda hoje projetam suas sombras: \u201cO senhor tolere, isto \u00e9 o sert\u00e3o. (\u2026) onde o criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil emerge como esta\u00e7\u00e3o primeira da grande viagem roseana. \u00c9 o que conhecemos em nossa hist\u00f3ria e forma\u00e7\u00e3o, o estado distante, quando n\u00e3o totalmente ausente. \u00c9 a busca de uma moderniza\u00e7\u00e3o tardia, que se expressa, entre outras passagens, na refer\u00eancia \u00e0 Coluna Prestes e nos sonhos e palavreados meio desembestados do personagem Z\u00e9 Bebelo, querendo impor a lei a seu modo.<\/p>\n\n\n\n<p>Intuitivo e apressado, Z\u00e9 Bebelo queria impor o progresso e buscava um contorno ainda que prim\u00e1rio de um projeto nacional. Vincula o sert\u00e3o \u00e0s dimens\u00f5es do pa\u00eds, ao confrontar os que \u201cdesonram o nome da p\u00e1tria e esse sert\u00e3o nacional\u201d. O sert\u00e3o se mostra como espa\u00e7o da pol\u00edtica e met\u00e1fora do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu discurso de defesa, Z\u00e9 Bebelo explicita sua vis\u00e3o pol\u00edtica a partir do sert\u00e3o e da sua dial\u00e9tica sertaneja: ele quer apoderar-se, superar a barb\u00e1rie, normatizar, levar a presen\u00e7a civilizadora do Estado, imbu\u00eddo de suas responsabilidades sociais, institui\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os, e sair do sert\u00e3o depois de cumprir a miss\u00e3o integradora: \u201cAh, este Norte em reman\u00eancia: progresso forte, fartura para todos, a alegria nacional! (\u2026) A gente tem de sair do sert\u00e3o! Mas s\u00f3 se sai do sert\u00e3o \u00e9 tomando conta dele a dentro\u2026 \u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9 Bebelo quer melhorar o Brasil, tem anseios e sentimentos de justi\u00e7a e desenvolvimento &#8211; \u201c o que imponho \u00e9 se educar e socorrer as inf\u00e2ncias deste sert\u00e3o\u201d-, mas quer uma mudan\u00e7a conservadora, nos moldes do velho coronelismo, com os votos encabrestados dos cabras comandados por chefes como Joca Ramiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao falar dos chefes jagun\u00e7os, inclusive dele pr\u00f3prio, Riobaldo, porta voz sapiencial do autor, ingressa no delicado territ\u00f3rio do poder: \u201cEsses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um s\u00f3 v\u00ea e entende as coisas dum seu modo\u2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Medeiro Vaz, que Riobaldo considerava \u201co mais supro, o mais s\u00e9rio\u201d dos chefes, escolheu, pelo olhar, j\u00e1 agonizando, o pr\u00f3prio Riobaldo para suced\u00ea-lo. Mas para esse, n\u00e3o obstante os apelos de Diadorim, n\u00e3o havia chegado a hora. Mais adiante, assumiria o poder depois do confronto com Z\u00e9 Bebelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Riobaldo, o Urutu-Branco, viveu as tenta\u00e7\u00f5es do poder de ser chefe. Cedeu a algumas, resistiu \u00e0s piores, falhou no ato final. N\u00e3o p\u00f4de salvar a vida de Diadorim. Sai dos territ\u00f3rios do poder e da chefia &#8211; \u201cdesapoderei\u201d. Reencontra Z\u00e9 Bebelo, que buscava nos novos tempos o novo poder: ganhar muito dinheiro, o poder econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Riobaldo torna-se um abastado fazendeiro. Estaria a\u00ed tamb\u00e9m a sua op\u00e7\u00e3o por Otac\u00edlia?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Deputado Federal Patrus Ananias<\/em><\/strong><br><em>Texto originalmente publicado na revista Focus Brasil, Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2 de Agosto de 2021, N\u00ba 21<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grande Sert\u00e3o: veredas, a magn\u00edfica obra do escritor mineiro Guimar\u00e3es Rosa (1908-1967), completa em 2021 65 anos de seu lan\u00e7amento. Considerada uma das maiores obras da literatura brasileira, apresenta profundas reflex\u00f5es humanas, filos\u00f3ficas, pol\u00edticas e sociais tendo como cen\u00e1rio o sert\u00e3o. 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