{"id":4901,"date":"2021-01-24T08:58:04","date_gmt":"2021-01-24T11:58:04","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=4901"},"modified":"2022-11-03T10:56:12","modified_gmt":"2022-11-03T13:56:12","slug":"homenagem-a-michel-le-ven-e-padre-piggi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/homenagem-a-michel-le-ven-e-padre-piggi\/","title":{"rendered":"Homenagem a Michel Le Ven e Padre Piggi"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4902\" aria-describedby=\"caption-attachment-4902\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/IMG-20210124-WA0001.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4902\" alt=\"Michel Le Ven\" src=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/IMG-20210124-WA0001.jpg\" width=\"400\" height=\"354\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4902\" class=\"wp-caption-text\">Michel Le Ven<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4903\" aria-describedby=\"caption-attachment-4903\" style=\"width: 682px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/IMG-20210124-WA0000.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4903\" alt=\"Padre Piggi\" src=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/IMG-20210124-WA0000.jpg\" width=\"682\" height=\"501\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4903\" class=\"wp-caption-text\">Padre Piggi<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00eam os que amam a sua terra por que nela nasceram, t\u00eam a\u00ed suas ra\u00edzes, a sua hist\u00f3ria pessoal, familiar, comunit\u00e1ria. Outros escolhem a terra em que v\u00e3o viver e amar. Mais do que filhos adotivos s\u00e3o filhos por op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Michel Marie Le Ven e Pier Luigi Bernareggi escolheram o Brasil, escolheram Minas Gerais, escolheram Belo Horizonte. Tornaram-se profundamente brasileiros, mineiros, belo-horizontinos. Tornaram melhor a nossa p\u00e1tria, as nossas Minas e os nossos Gerais, esta cidade que tem o mais belo dos horizontes.<\/p>\n<p>Michel Le Ven chegou aos meus ouvidos e ao meu cora\u00e7\u00e3o no estranho ano de 1968 \u2013 \u201co ano que n\u00e3o terminou&#8230;\u201d \u2013 quando foram presos em Belo Horizonte tr\u00eas padres franceses e um di\u00e1cono brasileiro por \u201catividades subversivas\u201d. Trabalhar com os pobres, alargar os cora\u00e7\u00f5es e as mentes das pessoas nos trabalhos de constru\u00e7\u00e3o da paz era considerado subvers\u00e3o, atividades atentat\u00f3rias \u00e0 seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p>Michel Le Ven estava entre os presos e eu vivia, ent\u00e3o, os meus 16 anos abrindo os meus olhos, o meu cora\u00e7\u00e3o e a minha cabe\u00e7a para as realidades do Brasil e do mundo. Michel participou ativamente deste projeto. Vim a conhec\u00ea-lo pessoalmente alguns anos depois \u2013 anos 1970. Teve in\u00edcio uma bela e fraterna amizade, onde seguramente recebi muito mais do que dei.<\/p>\n<p>Michel, homem comprometido com as grandes causas humanas, sociais e \u00e9ticas do nosso tempo, era uma pessoa enternecida. Vivia as rela\u00e7\u00f5es pessoais com a mesma intensidade com que se colocava nas lutas coletivas pela justi\u00e7a e pela vida. Homem s\u00e1bio, portador de conhecimentos e de cultura not\u00e1veis, vivia essa dimens\u00e3o do mestre com a humildade pr\u00f3pria dos que unem o saber \u00e0s virtudes crist\u00e3s do acolhimento, da abertura, da compaix\u00e3o. Homem simples e despojado, vivia tamb\u00e9m sem maiores alardes o pleno desprendimento em rela\u00e7\u00e3o ao dinheiro e aos bens materiais. Vera e eu conversamos sobre essas bel\u00edssimas dimens\u00f5es, que se integram na vida do Michel.<\/p>\n<p>Entre os textos e livros do Michel, sempre muito bons!, dois me marcaram de forma muito particular e intensa: Afeto e Pol\u00edtica. O t\u00edtulo fala por si, \u00e9 o que mais carecemos nesses tempos \u00e1ridos em que vivemos; impregnar a nossa milit\u00e2ncia pol\u00edtica e social com as dimens\u00f5es do afeto, da ternura, do respeito \u00e0s diferen\u00e7as e aos diferentes, sem abdicar dos nossos valores e compromissos.<\/p>\n<p>O outro livro \u00e9 sobre Dazinho. Mais uma paix\u00e3o que nos unia. Converg\u00edamos na compreens\u00e3o de que Dazinho era um ser humano absolutamente singular nos seus limites e imperfei\u00e7\u00f5es, inerentes a todos n\u00f3s, mas sobretudo nas virtudes c\u00edvicas e crist\u00e3s, na sua busca extraordin\u00e1ria da coer\u00eancia e da integridade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das dimens\u00f5es pol\u00edticas e culturais, vivemos, Vera e eu, com Michel, o prazer da amizade. Vera recorda o encontro e o jantar que tivemos com Michel e M\u00f4nica, em Bras\u00edlia, nos bons tempos do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome.<\/p>\n<p>Por onde andei, por onde andamos, Michel sempre esteve presente. Continuar\u00e1!<\/p>\n<p>As minhas rela\u00e7\u00f5es com Padre Piggi &#8211; para muitos de n\u00f3s se tornou, no linguajar brasileiro, o Padre Pide \u2013 se deram mais no campo da milit\u00e2ncia e dos compromissos sociais e do desejo de seguir os ensinamentos de Jesus. Eu o conheci tamb\u00e9m nos anos 1970, nas lutas inesquec\u00edveis do Profavela (Programa Municipal de Regulariza\u00e7\u00e3o de Favelas), que garantiram a muitas comunidades empobrecidas de Belo Horizonte o direito de permanecer e de morar onde estavam e est\u00e3o resistindo aos avan\u00e7os da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>Aprofundamos as nossas rela\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos quando exerci o cargo de vereador e fui o relator da Lei Org\u00e2nica da nossa capital. Sobretudo quando fui prefeito. Concordamos sempre em nossos objetivos e compromissos com os que lutam pelo direito fundamental \u00e0 moradia. T\u00ednhamos \u00e0s vezes as nossas fraternas discord\u00e2ncias quanto aos meios. No seu arraigado amor aos pobres e aos que n\u00e3o t\u00eam onde morar ou moram em condi\u00e7\u00f5es indignas e desumanas, Padre Piggi nem sempre considerava as quest\u00f5es ambientais e urban\u00edsticas. Tivemos ent\u00e3o \u00f3timas conversas. Seguramente ele me fez compreender melhor o que representa para as pessoas e para as fam\u00edlias o direito \u00e0 casa pr\u00f3pria, inserido no contexto comunit\u00e1rio \u2013 direito para todos. Guardo sobretudo a lembran\u00e7a de uma visita que lhe fiz em sua resid\u00eancia quando esteve adoentado. Conversa longa. Na despedida rezamos juntos.<\/p>\n<p>Padre Piggi tinha um lado parecido com o Dazinho: quando assumia uma causa era para valer. Ia \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias na fidelidade a esse bem-querer.<\/p>\n<p>Eles sempre assumiam a causa dos pobres, assim como Michel.<\/p>\n<p>Michel Le Ven e Pier Luigi Bernareggi, o nosso Padre Pide, continuam presentes, muito presentes, na caminhada hist\u00f3rica e libert\u00e1ria dos pobres, de Minas Gerais, do Brasil. Vamos preservar com muito carinho as suas mem\u00f3rias e exemplos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; T\u00eam os que amam a sua terra por que nela nasceram, t\u00eam a\u00ed suas ra\u00edzes, a sua hist\u00f3ria pessoal, familiar, comunit\u00e1ria. Outros escolhem a terra em que v\u00e3o viver e amar. Mais do que filhos adotivos s\u00e3o filhos por op\u00e7\u00e3o. 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