{"id":4843,"date":"2020-11-02T19:32:44","date_gmt":"2020-11-02T22:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=4843"},"modified":"2022-11-03T10:54:55","modified_gmt":"2022-11-03T13:54:55","slug":"dia-dos-mortos-dia-dos-vivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/dia-dos-mortos-dia-dos-vivos\/","title":{"rendered":"Dia dos mortos, dia dos vivos"},"content":{"rendered":"<p>Celebramos hoje a mem\u00f3ria dos nossos mortos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/pexels-pixabay-161280.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4844\" alt=\"pexels-pixabay-161280\" src=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/pexels-pixabay-161280-1024x791.jpg\" width=\"584\" height=\"451\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estou entre aqueles que n\u00e3o esquecem as pessoas queridas que partiram. Gosto de falar sobre elas. \u00c0 medida que a idade avan\u00e7a, as lembran\u00e7as v\u00e3o se avolumando. Como diria o nosso memorialista Pedro Nava: &#8220;Saudade, saudades&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Dentro das limita\u00e7\u00f5es da nossa fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o humana, procuro guardar no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria aqueles que me estenderam a m\u00e3o em diferentes momentos da minha vida. S\u00e3o muitas e muitos. V\u00eam num crescendo. Encontrei muita acolhida e gestos fraternos de solidariedade e companheirismo. Procuro escut\u00e1-los na comunica\u00e7\u00e3o misteriosa da alma, dos desejos, dos sonhos, dos projetos. Penso sobre o que diriam ou fariam nos diferentes momentos existenciais da minha, da nossa caminhada, ou em face dos contextos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais, culturais, ideol\u00f3gicos, ambientais que nos desafiam. Sempre revendo com eles a nossa dimens\u00e3o coletiva, comunit\u00e1ria, como nos rep\u00f5e, de forma t\u00e3o bonita e vigorosa, o Papa Francisco neste documento bel\u00edssimo que \u00e9 a Fratelli\u00a0Tutti \u2014\u00a0\u00a0Sobre a fraternidade e a amizade social.<\/p>\n<p>Fico com vontade de citar todas as pessoas que partilharam comigo as inquieta\u00e7\u00f5es, lutas e compromissos que pautam a minha vida, a nossa vida, sempre na busca de formas mais elevadas de conviv\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o social. Mencion\u00e1-las seria ir muito al\u00e9m dos limites deste espa\u00e7o e do nosso breve tempo. Presto minhas homenagens \u00e0 mem\u00f3ria de todos que estiveram comigo nas pessoas que me acompanharam desde o in\u00edcio: meus pais, Maria Tereza e Jair; minha av\u00f3 Concei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m forte e generosa presen\u00e7a em meus caminhos.<\/p>\n<p>Aos que partiram na juventude, colhidos pela viol\u00eancia, pelo imprevisto dos acidentes ou pelos limites da nossa pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o, homenageio-os na pessoa da Patr\u00edcia, minha irm\u00e3, que se encantou, como diria Guimar\u00e3es Rosa, aos vinte anos. &#8220;As pessoas n\u00e3o morrem; ficam encantadas&#8221;. O cora\u00e7\u00e3o se desdobra em outra frase po\u00e9tica: &#8220;Mas como d\u00f3i!&#8221;. Lembro tamb\u00e9m do Cal, sobrinho da Vera e meu, a quem am\u00e1vamos (e amamos) como filho.<\/p>\n<p>O corte definitivo na conviv\u00eancia corporal direta, dialogante, \u00e9 muito penoso. Por isso, muitos optam pelo esquecimento. Prefiro optar pelas lembran\u00e7as \u2014 ainda que \u00e0s vezes sofridas.<\/p>\n<p>Penso ent\u00e3o que a melhor maneira de celebrarmos a mem\u00f3ria dos nossos mortos, al\u00e9m de n\u00e3o esquec\u00ea-los, \u00e9 defendermos a VIDA como o bem maior que recebemos e que, assim, deve coesionar as nossas rela\u00e7\u00f5es sociais, os espa\u00e7os comunit\u00e1rios. Todos os esfor\u00e7os devem ser mobilizados para que ningu\u00e9m morra v\u00edtima da viol\u00eancia ou de descuidos inaceit\u00e1veis como a fome, a desnutri\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de cuidados preventivos e curativos com a sa\u00fade, o desemprego, o trabalho em condi\u00e7\u00f5es aviltantes e perigosas, a impossibilidade de morar e conviver com dignidade, a insensatez no tr\u00e2nsito, nas cidades e nas estradas; a falta de cuidados com a natureza, a m\u00e3e terra, as \u00e1guas, as fontes da vida.<\/p>\n<p>S\u00f3 reverenciamos em verdade os nossos mortos quando mobilizamos todos os recursos para que as pessoas que nos s\u00e3o queridas, e as pessoas que s\u00e3o queridas a milhares, milh\u00f5es de outras pessoas, vale dizer, todos os seres\u00a0humanos possam\u00a0bem cumprir o seu tempo existencial sem atropelos ou mortes prematuras, provocadas pela gan\u00e2ncia, pela ambi\u00e7\u00e3o desmedida em busca do dinheiro e do lucro a qualquer pre\u00e7o, pela insensatez, pela nossa indiferen\u00e7a e omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembremos a frase de Jesus, que atravessa os s\u00e9culos e os mil\u00eanios:\u00a0\u201cEu vim para que tenham vida e a tenham em plenitude\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos hoje a mem\u00f3ria dos nossos mortos. 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