{"id":4766,"date":"2020-09-07T11:13:53","date_gmt":"2020-09-07T14:13:53","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=4766"},"modified":"2022-11-03T10:58:11","modified_gmt":"2022-11-03T13:58:11","slug":"somos-um-pais-independente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/somos-um-pais-independente\/","title":{"rendered":"Somos um pa\u00eds independente?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><b>Patrus Ananias<\/b><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<a href=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/COVID-11.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4767\" alt=\"COVID-11\" src=\"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/COVID-11.jpg\" width=\"800\" height=\"645\" \/><\/a><\/p>\n<p>Celebrar o 7 de setembro e pensar o processo emancipat\u00f3rio nacional nos faz voltar aos dias da independ\u00eancia. Foi um processo muito singular. A nossa independ\u00eancia foi proclamada pelo pr\u00edncipe herdeiro da coroa portuguesa. O Brasil indenizou Portugal pela perda da sua col\u00f4nia. Nas palavras do historiador Boris Fausto na sua\u00a0<i>Hist\u00f3ria do Brasil<\/i>: \u201cIsto ocorreu em 1825 por um tratado em que o Brasil concordou em compensar a metr\u00f3pole em dois milh\u00f5es de libras pela perda da antiga col\u00f4nia (&#8230;) a necessidade de indenizar a coroa portuguesa deu origem ao primeiro empr\u00e9stimo contra\u00eddo pelo Brasil em Londres\u201d. Sa\u00edmos do dom\u00ednio pol\u00edtico de Portugal e ca\u00edmos nos bra\u00e7os econ\u00f4micos da ent\u00e3o superpoderosa Inglaterra.<\/p>\n<p>A plena independ\u00eancia de um pa\u00eds se faz em dois n\u00edveis: em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses, no exerc\u00edcio efetivo da soberania nacional; e em rela\u00e7\u00e3o ao seu pr\u00f3prio povo, garantindo-lhe dignas condi\u00e7\u00f5es de vida para que possa exercer a soberania popular, prevista na nossa Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tivemos ent\u00e3o ao longo do s\u00e9culo XIX a forte presen\u00e7a econ\u00f4mica para n\u00e3o dizer dom\u00ednio da Inglaterra. Tivemos alguns entreveros e chegamos a romper rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o chegaram a quebrar a hegemonia inglesa que se fazia dominante mundo afora.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX assistiu \u00e0 crescente presen\u00e7a dos Estados Unidos, que passaram a ver a Am\u00e9rica Latina como uma extens\u00e3o de seus interesses. O Brasil n\u00e3o fugiu ao crescente dom\u00ednio econ\u00f4mico, cultural e ideol\u00f3gico da nova pot\u00eancia mundial. Surgiram outros atores no cen\u00e1rio mundial, a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Europa reerguida ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial, o Jap\u00e3o, mais recentemente a China. O Brasil, em alguns momentos hist\u00f3ricos deu bons sinais de que romperia com a nossa economia dependente. Tais sinais n\u00e3o se efetivaram. Continuamos produzindo segundo as demandas do mercado externo, sem considerarmos as nossas pr\u00f3prias necessidades e potencialidades. Um pa\u00eds exportador de mat\u00e9rias- primas. Quando buscamos ampliar a nossa ind\u00fastria, abrimos as nossas fronteiras ao capital estrangeiro. Esquecemos as li\u00e7\u00f5es de muitos pa\u00edses, come\u00e7ando pela Inglaterra e Estados Unidos, que aprenderam que o capital se faz em casa, como nos ensinou o not\u00e1vel nacionalista Barbosa Lima Sobrinho, no seu livro sobre o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Ca\u00edmos na ilus\u00e3o que perdura nos nossos dias que capitais estrangeiros v\u00e3o promover o nosso desenvolvimento e bem-estar. A rigor, eles buscam em primeiro lugar os seus lucros, que sempre retornam aos seus donos e acionistas em seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p>Tivemos importantes momentos hist\u00f3ricos em que se buscou afirmar o projeto nacional, com a cria\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas como a Petrobras, a Eletrobras e a Cemig no setor energ\u00e9tico, a Vale do Rio Doce, a Embrapa no setor agr\u00edcola. Essas e outras empresas p\u00fablicas surgiram em face da incapacidade ou omiss\u00e3o do setor privado. Depois que as empresas ganham porte e abrem as portas do conhecimento e da produ\u00e7\u00e3o, elas s\u00e3o privatizadas como est\u00e1 ocorrendo agora. Mais do que privatizadas, s\u00e3o quase sempre entregues ao capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Quando voltamos para o plano interno e falamos da soberania popular,<b>\u00a0<\/b>vinculamos a\u00a0independ\u00eancia ao exerc\u00edcio dos direitos e deveres da cidadania que se articula com o acesso aos direitos fundamentais, presentes e bem explicitados em nossa Constitui\u00e7\u00e3o. Nem sempre efetivados. Na atual conjuntura est\u00e3o sendo duramente agredidos.<\/p>\n<p>Os detentores do poder no Brasil tentaram conciliar a independ\u00eancia com a escravid\u00e3o, que atravessou quase todo o per\u00edodo imperial. A rigor, o pesado fardo da escravid\u00e3o nos acompanha. A Lei \u00c1urea n\u00e3o assegurou aos nossos antepassados escravos e aos seus descendentes o acesso \u00e0 cidadania. \u00c9 uma das causas das injusti\u00e7as e desigualdades sociais que marcam o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mantiveram os donos do poder o direito de propriedade absolutamente sacralizado, acima do direito \u00e0 vida, concep\u00e7\u00e3o herdada das capitanias heredit\u00e1rias e sesmarias. Estamos indo s\u00e9culo XXI afora sem termos subordinado o direito de propriedade, em princ\u00edpio leg\u00edtimo, \u00e0s exig\u00eancias superiores do bem comum nacional. Por isso n\u00e3o realizamos as tr\u00eas reformas sociais b\u00e1sicas que os pa\u00edses capitalistas mais acertados consigo mesmo realizaram: reformas agr\u00e1ria, urbana e tribut\u00e1ria. Esta no sentido de exigir um justo e razo\u00e1vel retorno dos que mais ganham dentro do espa\u00e7o nacional.<\/p>\n<p>Cabe portanto no dia em que celebramos a nossa independ\u00eancia de Portugal confrontarmo-nos com algumas perguntas para que possamos abrir as portas do futuro. Somos um pa\u00eds plenamente independente para definirmos as nossas prioridades nacionais e em fun\u00e7\u00e3o dela os rumos da nossa economia? O povo brasileiro vive a sua liberdade e independ\u00eancia, se considerarmos que ainda perduram entre n\u00f3s as amarras da fome, da mis\u00e9ria, da ignor\u00e2ncia, das doen\u00e7as que podem ser eficazmente prevenidas e combatidas? Se ainda perduram entre n\u00f3s as travas seculares que impedem o acesso de todas as brasileiras e brasileiros \u00e0 moradia digna,\u00a0\u00a0ao trabalho decente, ao meio ambiente saud\u00e1vel? O acesso aos bens da cultura, da arte, do conhecimento?<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo ano, 2022, estaremos celebrando os 200 anos\u00a0 do Grito do Ipiranga. H\u00e1 um s\u00e9culo, em 1922, a independ\u00eancia foi bem celebrada no\u00a0seu primeiro centen\u00e1rio. Tivemos v\u00e1rios movimentos e iniciativas hist\u00f3ricos. Fiquemos com a Semana da Arte Moderna, que mobilizou a Cultura e as Artes e estende os seus desdobramentos aos nossos dias. Podemos dizer hoje, do ponto de vista cultural, que somos um pa\u00eds plenamente independente. 1922 mexeu fundo com as \u00e1guas da nossa literatura, da nossa m\u00fasica, da nossa pintura, da nossa arquitetura. Mobilizou intelig\u00eancias e vidas que mergulharam na nossa hist\u00f3ria, no nosso folclore, na nossa cultura popular e pensaram os nossos desafios, os desafios da educa\u00e7\u00e3o e do conhecimento.<\/p>\n<p>Vamos pensar e trabalhar para que as comemora\u00e7\u00f5es do bicenten\u00e1rio da nossa independ\u00eancia nos fa\u00e7am\u00a0avan\u00e7ar no desejado encontro do Brasil consigo mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patrus Ananias \u00a0 Celebrar o 7 de setembro e pensar o processo emancipat\u00f3rio nacional nos faz voltar aos dias da independ\u00eancia. Foi um processo muito singular. A nossa independ\u00eancia foi proclamada pelo pr\u00edncipe herdeiro da coroa portuguesa. O Brasil indenizou Portugal pela perda da sua col\u00f4nia. 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