{"id":3874,"date":"2019-09-02T16:20:44","date_gmt":"2019-09-02T19:20:44","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=3874"},"modified":"2022-08-31T11:31:57","modified_gmt":"2022-08-31T14:31:57","slug":"a-escravidao-que-nunca-nos-deixou-voltam-os-tempos-dos-capatazes-e-jaguncos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/a-escravidao-que-nunca-nos-deixou-voltam-os-tempos-dos-capatazes-e-jaguncos\/","title":{"rendered":"A escravid\u00e3o que nunca nos deixou: voltam os tempos dos capatazes e jagun\u00e7os"},"content":{"rendered":"<div>Minhas leituras e estudos est\u00e3o mais voltados nos ultimos tempos para a Hist\u00f3ria do Brasil, no desejo de observar a forma\u00e7\u00e3o nacional para melhor compreender nossa realidade presente. No contexto mais amplo da nossa hist\u00f3ria, a escravid\u00e3o ocupa necessariamente um lugar especial nas reflex\u00f5es sobre a nossa forma\u00e7\u00e3o. Fica cada vez mais claro, \u00e0 luz da cultura brasileira, que a escravid\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 resolvida. Ela persiste. A escravid\u00e3o segue entranhada nas rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais que permeiam a sociedade brasileira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nos anos que antecederam a aboli\u00e7\u00e3o, os debates se concentravam sobre a quest\u00e3o da propriedade. Os donos de escravos reclamavam seu direito absoluto de propriedade sobre eles. Diziam tamb\u00e9m que o Estado n\u00e3o podia adentrar nas suas propriedades territoriais para fazer os registros dos escravos e verificar as suas condi\u00e7\u00f5es de vida para assegurar, por exemplo, que os filhos de escravos nascidos libertos tivessem essa garantia m\u00ednima.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>H\u00e1 poucos dias, ouvimos na C\u00e2mara dos Deputados discursos que nos levaram de volta aos tempos da escravid\u00e3o. Os representantes do latifundio e dos setores mais atrasados do agroneg\u00f3cio defendiam a tese de que os propriet\u00e1rios devem ser os respons\u00e1veis pela sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a e pela prote\u00e7\u00e3o das suas terras. E de que, para faz\u00ea-lo, precisam de armas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.Dessa maneira, a seguran\u00e7a p\u00fablica e a prote\u00e7\u00e3o da vida deixam de ser pol\u00edticas p\u00fablicas extensivas a toda sociedade para se tornarem assuntos privados. A seguran\u00e7a p\u00fablica passa a ser quest\u00e3o pessoal &#8211; defende-a quem pode! Ou quem pode pagar por ela. O restante da sociedade fica \u00e0 merc\u00ea dessa mercantiliza\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 vida, cada vez mais limitado em seu direito a uma seguran\u00e7a p\u00fablica ampla, estrat\u00e9gica e dinamizada.<\/p>\n<p>Vale dizer: estamos voltando aos tempos dos capatazes e jagun\u00e7os. A classe m\u00e9dia, os pobres, as pessoas que preferem a paz e a n\u00e3o-viol\u00eancia que se cuidem. O Estado est\u00e1 privatizando a seguran\u00e7a p\u00fablica. E isso \u00e9 o mesmo que est\u00e1 fazendo com a educa\u00e7\u00e3o, com a sa\u00fade, com a Previd\u00eancia Social. Nessa mentalidade governamental, quem puder que pague pelo servi\u00e7o. E para o restante da sociedade, parece que querem deixar apenas as sobras e a barb\u00e1rie.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minhas leituras e estudos est\u00e3o mais voltados nos ultimos tempos para a Hist\u00f3ria do Brasil, no desejo de observar a forma\u00e7\u00e3o nacional para melhor compreender nossa realidade presente. No contexto mais amplo da nossa hist\u00f3ria, a escravid\u00e3o ocupa necessariamente um lugar especial nas reflex\u00f5es sobre a nossa forma\u00e7\u00e3o. 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