{"id":369,"date":"2012-06-11T16:53:32","date_gmt":"2012-06-11T16:53:32","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=369"},"modified":"2022-11-03T10:57:55","modified_gmt":"2022-11-03T13:57:55","slug":"pequi-fruto-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/pequi-fruto-do-sertao\/","title":{"rendered":"Pequi, fruto do sert\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no jornal Hoje em Dia, em 10\/06\/2012<\/p>\n<p><em>Patrus Ananias<\/em><\/p>\n<p>Uma proposta de reformula\u00e7\u00e3o para os crit\u00e9rios de prote\u00e7\u00e3o do pequizeiro est\u00e1 em discuss\u00e3o na Assembleia Legislativa, no centro de uma grande pol\u00eamica, como noticiou muito recentemente o Hoje em Dia. Por si s\u00f3, o pequi j\u00e1 justifica a incontest\u00e1vel relev\u00e2ncia do tema, considerando as suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es. Mas \u00e9 tamb\u00e9m fundamental o contexto no qual se desenvolve o debate, pois se trata de discutir mecanismos de preserva\u00e7\u00e3o do cerrado, esse ecossistema variado e rico que se encontra amea\u00e7ado.<!--more--><\/p>\n<p>Nascido em Bocaiuva, no Norte de Minas, conhe\u00e7o bem o valor do cerrado e do pequizeiro, uma de suas mais representativas esp\u00e9cies vegetais. Nunca \u00e9 demais lembrar que a forte paisagem do cerrado \u00e9 o cen\u00e1rio de onde partiu a grandiosa obra de Guimar\u00e3es Rosa, o <em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>. \u00c9 um territ\u00f3rio de vastos e amplos caminhos, fazendo-se presente em v\u00e1rios Estados brasileiros. Do centro-norte de Minas, o cerrado se estende por Goi\u00e1s, Tocantins, passa pelo centro-sul da Bahia e segue sua sina interiorana, em regi\u00f5es variadas. Nele, o pequizeiro se contorce, mas ergue-se forte, como uma testemunha da vida do cerrado, que \u00e9 tamb\u00e9m chamado de sert\u00e3o, de Gerais.<\/p>\n<p>O pequi \u00e9 uma daquelas coisas que v\u00e3o muito al\u00e9m de si mesmo. Ele \u00e9 o bom alimento, tem forte dimens\u00e3o social e amplas possibilidades econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m guarda uma vigorosa carga simb\u00f3lica, cultural da terra. Na minha inf\u00e2ncia, comprovei de perto sua presen\u00e7a entre os sertanejos, pois vi como as fam\u00edlias pobres, no tempo do pequi, melhoravam sua condi\u00e7\u00e3o alimentar.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m uma planta generosa, que dispensa cuidados. Por isso mesmo, nos perguntamos como uma planta t\u00e3o generosa quanto essa, que alimenta pessoas, al\u00e9m de se abrir a outras tantas aplica\u00e7\u00f5es, esteja amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Como podemos ter sido t\u00e3o displicentes com um patrim\u00f4nio t\u00e3o rico quanto esse. \u00c9 necess\u00e1rio e urgente, ent\u00e3o, pensarmos em alternativas economicamente vi\u00e1veis e ambientalmente respons\u00e1veis que nos permitam continuar usufruindo dos benef\u00edcios do pequi garantindo o mesmo para gera\u00e7\u00f5es futuras e conservando o cerrado.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Mas penso que ela deva ser pensada e discutida na perspectiva do desenvolvimento sustent\u00e1vel, conciliando as dimens\u00f5es econ\u00f4mica, ambiental, cultural e social. Temos a obriga\u00e7\u00e3o de cuidar do meio ambiente, mas tamb\u00e9m temos os desafios de acolher as fam\u00edlias. Para isso, tamb\u00e9m precisamos crescer, gerar empregos, produzir alimentos. Sei que n\u00e3o podemos fazer concess\u00f5es que abram brechas para exploradores sem responsabilidade com as gera\u00e7\u00f5es futuras. Mas o nosso desafio n\u00e3o \u00e9 unidimensional e o ambiental tem de estar sempre articulado com o social para dar sustentabilidade aos projetos de desenvolvimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no jornal Hoje em Dia, em 10\/06\/2012 Patrus Ananias Uma proposta de reformula\u00e7\u00e3o para os crit\u00e9rios de prote\u00e7\u00e3o do pequizeiro est\u00e1 em discuss\u00e3o na Assembleia Legislativa, no centro de uma grande pol\u00eamica, como noticiou muito recentemente o Hoje em Dia. 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