{"id":3588,"date":"2019-04-19T10:07:12","date_gmt":"2019-04-19T13:07:12","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=3588"},"modified":"2022-11-03T10:57:38","modified_gmt":"2022-11-03T13:57:38","slug":"patrus-propoe-inscricao-do-marechal-rondon-no-livro-dos-herois-da-patria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/patrus-propoe-inscricao-do-marechal-rondon-no-livro-dos-herois-da-patria\/","title":{"rendered":"Patrus prop\u00f5e inscri\u00e7\u00e3o do Marechal Rondon no Livro dos Her\u00f3is da P\u00e1tria"},"content":{"rendered":"<p>O deputado Patrus Ananias (PT-MG) apresentou projeto de lei 2350\/2019, no qual prop\u00f5e a inscri\u00e7\u00e3o do nome de Marechal Rondon no Livro dos Her\u00f3is da P\u00e1tria, arquivado no Pante\u00e3o da Liberdade e da Democracia, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O deputado justificou o projeto destacando as rela\u00e7\u00f5es de respeito e de di\u00e1logo de Rondon com as tribos ind\u00edgenas nas suas atividades em torno das pesquisas e das linhas telegr\u00e1ficas, que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o aos \u00cdndios.<\/p>\n<p>Abaixo, texto escrito pelo deputado Patrus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><b>JUSTIFICA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), ou Marechal Rondon como \u00e9 bem conhecido, merece ser inscrito no Livro dos Her\u00f3is da P\u00e1tria pelos trabalhos not\u00e1veis que desenvolveu a servi\u00e7o da p\u00e1tria brasileira em v\u00e1rias frentes. Duas delas se destacaram.<\/p>\n<p>Cabe salientar, inicialmente, nesta justificativa que C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon era um apaixonado pelo Brasil. O amor de Rondon \u00e0 p\u00e1tria brasileira traduzia em palavras, gestos e obras.<\/p>\n<p>Nas suas andan\u00e7as pelos sert\u00f5es brasileiros ainda n\u00e3o conhecidos Rondon levava os s\u00edmbolos da p\u00e1tria. Nas palavras de uma de seus bi\u00f3grafos, Todd A. Diacon<b>:\u00a0<\/b>\u201cEm plena selva, t\u00e3o longe do Rio de Janeiro, ordenou que o Hino Nacional fosse tocado em um gramofone levado at\u00e9 l\u00e1 exclusivamente com essa finalidade (&#8230;) o Hino Nacional anunciava sonoramente que aquelas terras e o povo que as habitava eram agora t\u00e3o \u201cbrasileiros\u201d quanto quem vivia nas cidades. A bandeira brasileira adejava no alto de um mastro comprido cravado no meio da selva, refor\u00e7ando as li\u00e7\u00f5es sobre a import\u00e2ncia de construir a na\u00e7\u00e3o que eram aprendidas sob ela\u201d (Rondon \u2013 o Marechal da floresta. Tradu\u00e7\u00e3o Laura Teixeira Motta; coordena\u00e7\u00e3o Elio Gaspari e Lilia M. Schwarcz \u2013 S\u00e2o Paulo: Companhia das Letras, 2006.)<\/p>\n<p>O compromisso do Marechal Rondon com o Brasil manifestou-se com maior for\u00e7a e visibilidade nos trinta anos que passou em Mato Grosso, seu estado natal, e em territ\u00f3rios da Amaz\u00f4nia \u2013 lembrando a homenagem que lhe foi prestada no estado de Rond\u00f4nia! \u2013 construindo linhas telegr\u00e1ficas, a partir de 1890, que visavam integrar o nosso Pa\u00eds.\u00a0\u00a0Supervisionou a linha telegr\u00e1fica de 580 quil\u00f4metros ligando Cuiab\u00e1 a uma esta\u00e7\u00e3o no oeste de Goi\u00e1s. Posteriormente os trabalhos de liga\u00e7\u00e3o Cuiab\u00e1-Corumb\u00e1. A partir de 1900 vieram desafios mais amplos: foram aproximadamente 1800 quil\u00f4metros de linhas telegr\u00e1ficas, 350 quil\u00f4metros atrav\u00e9s do Pantanal e outros 240 atrav\u00e9s de florestas. A partir de 1907 as linhas telegr\u00e1ficas sob supervis\u00e3o e o comando diretos de Rondon transcendem os territ\u00f3rios matogrossenses e chegam \u00e0 bacia amaz\u00f4nica nos territ\u00f3rios do Amazonas, do Acre, do Alto Purus e do Alto Juru\u00e1 onde situa-se atualmente o estado de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u00c0s atividades de integra\u00e7\u00e3o nacional atrav\u00e9s das linhas telegr\u00e1ficas que eram essenciais na \u00e9poca, Rondon desenvolvia explora\u00e7\u00f5es para conhecimento de territ\u00f3rios e atividades de cartografia para melhores informa\u00e7\u00f5es sobre as diferentes realidades do imenso e fascinante continente nacional brasileiro.<\/p>\n<p>Outra contribui\u00e7\u00e3o not\u00e1vel do Marechal Rondon ao nosso pa\u00eds foi a sua rela\u00e7\u00e3o amorosa com os ind\u00edgenas. Assim como Jer\u00f4nimo de Albuquerque que no alvorecer da hist\u00f3ria brasileira, era neto de \u00edndia e \u201cdisse tinha orgulho e fazia alarde\u201d, Rondon era descendente de \u00edndios terena e bororo. Nas suas caminhadas Brasil adentro, Rondon alertava seus comandados e acompanhantes sobre as possibilidades de ataques e dava ordens expressas de n\u00e3o revidarem. \u201cMorrer se preciso for, matar nunca\u201d era o sentimento e a ordem manifesta na rela\u00e7\u00e3o com os \u00edndios. Ordem que se aplicava ao pr\u00f3prio comandante. A rela\u00e7\u00e3o respeitosa de Rondon com os ind\u00edgenas se traduzia concretamente no respeito \u00e0 vida, \u00e0 integridade f\u00edsica e emocional, a cultura e pr\u00e1ticas existenciais, convivenciais e de rela\u00e7\u00e3o com a natureza.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es de respeito e de di\u00e1logo do Marechal Rondon com as tribos ind\u00edgenas nas suas atividades em torno das pesquisas e das linhas telegr\u00e1ficas levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o aos \u00cdndios. Tornou-se o primeiro diretor deste servi\u00e7o em 14 de mar\u00e7o de 1910, enfatizando a necessidade de \u201cprote\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas contra ataques, o direito dos \u00edndios ao t\u00edtulo de posse das terras que ocupavam e a necessidade de restituir terras j\u00e1 usurpadas pelos brancos\u201d. Rondon reiterou o compromisso de \u201cmanter-se o mais escrupuloso respeito pela organiza\u00e7\u00e3o interna das diversas tribos, n\u00e3o intervindo para alter\u00e1-lo sen\u00e3o com brandura e fraternalmente, sem for\u00e7ar nem enganar, sempre, portanto, consultando a vontade deles\u201d.<\/p>\n<p>Nos seus esfor\u00e7os, sempre pac\u00edficos, de estabelecer rela\u00e7\u00f5es com os \u00edndios nambikwara, Rondon aprendeu a l\u00edngua nambikwara.<\/p>\n<p>Nas palavras do j\u00e1 citado bi\u00f3grafo de Rondon: \u201c A inven\u00e7\u00e3o e a reinven\u00e7\u00e3o de C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon continuar\u00e1 a acompanhar a inven\u00e7\u00e3o e a reinven\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Em 1912, o antrop\u00f3logo e escritor Edgard Roquette \u2013 Pinto que por muitos anos dirigiu o Museu Nacional, esteve no norte de Mato Grosso e testemunhou o legado de Rondon: \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o de Rondon aos ind\u00edgenas do Brasil, Roquette-Pinto n\u00e3o deixou de lembrar a import\u00e2ncia do contato que este vinha realizando com a popula\u00e7\u00e3o do interior, possibilitando a coleta de materiais etnogr\u00e1ficos e o conhecimento de diferentes grupos ind\u00edgenas (&#8230;). A influ\u00eancia do tenente-coronel C\u00e2ndido Rondon sobre Roquette-Pinto seria, sem d\u00favida, decisiva tanto no seu modo de conceber a realidade do interior do Brasil quanto no tratamento dispensado aos grupos ind\u00edgenas e a popula\u00e7\u00e3o sertaneja (&#8230;). Al\u00e9m de constru\u00e7\u00e3o das linhas telegr\u00e1ficas, a Comiss\u00e3o Rondon tamb\u00e9m tinha como objetivo realizar, por meio de experi\u00eancias cient\u00edficas, o reconhecimento hidrogr\u00e1fico e topogr\u00e1fico da regi\u00e3o, o estudo das riquezas minerais, a observa\u00e7\u00e3o da fauna e da flora, a descri\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e o conhecimento das l\u00ednguas e dos costumes das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e sertanejas (&#8230;) A conquista geogr\u00e1fica e todo o empreendimento levado a cabo pela Comiss\u00e3o Rondon s\u00f3 seria compar\u00e1vel \u00e0 \u201ccicl\u00f3pica\u201d realiza\u00e7\u00e3o do canal do Panam\u00e1 &#8230;\u201d (Vanderlei Sebasti\u00e3o de Souza; Em busca do Brasil \u2013 Edgard Roquette-Pinto e o retrato antropol\u00f3gico brasileiro (1905-1935). Rio de Janeiro: FGV Editora e Editora Fiocruz, 2017).<\/p>\n<p>A vida do Marechal C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon expressa muito bem a capacidade do povo brasileiro de buscar a plena afirma\u00e7\u00e3o do projeto nacional atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional, do desenvolvimento integral, integrado e sustent\u00e1vel, respeitando a identidade, a cultura e os valores dos que formaram a nacionalidade e que nos precederam nestas generosas terras brasileiras.<\/p>\n<p>Assim, nobres pares promover a inscri\u00e7\u00e3o de C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon no Livro dos Her\u00f3is da P\u00e1tria \u00e9 um reconhecimento \u00e0 extraordin\u00e1ria contribui\u00e7\u00e3o deste brasileiro not\u00e1vel ao nosso pa\u00eds e \u00e0 nossa identidade hist\u00f3rica e cultural. Rondon foi um militar qualificado, corajoso, com profundos sentimentos patri\u00f3ticos e nacionalistas, que ousou usar, com destemor, as armas da justi\u00e7a e da n\u00e3o-viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, espero contar com o apoio de Vossas Excel\u00eancias para que o Marechal Rondon tenha o lugar que merece no cora\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Sala das Sess\u00f5es, em 16 de abril de 2019.<\/p>\n<p align=\"center\"><b>PATRUS ANANIAS<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>Deputado Federal<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>PT\/MG<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O deputado Patrus Ananias (PT-MG) apresentou projeto de lei 2350\/2019, no qual prop\u00f5e a inscri\u00e7\u00e3o do nome de Marechal Rondon no Livro dos Her\u00f3is da P\u00e1tria, arquivado no Pante\u00e3o da Liberdade e da Democracia, em Bras\u00edlia. 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