{"id":275,"date":"2012-05-06T18:09:11","date_gmt":"2012-05-06T18:09:11","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=275"},"modified":"2022-11-03T10:57:56","modified_gmt":"2022-11-03T13:57:56","slug":"ponto-sem-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/ponto-sem-retorno\/","title":{"rendered":"Ponto sem retorno"},"content":{"rendered":"<p><em>Publicado originalmente no jornal Hoje em Dia, 06\/05\/2012<\/em><\/p>\n<p><em>Patrus Ananias<\/em><\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica nacional. \u00c9 um problema e um desafio que dizem respeito \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana. Agora mesmo estamos vendo os estragos que um poderoso empres\u00e1rio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, Rupert Murdoch, provocou na Inglaterra. H\u00e1 alguns anos vimos a a\u00e7\u00e3o articulada e criminosa da m\u00e1fia com pol\u00edticos e empres\u00e1rios na It\u00e1lia que levou \u00e0 famosa Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3os Limpas.<\/p>\n<p>O povo brasileiro, na sua grande maioria, n\u00e3o \u00e9 corrupto. O melhor da nossa gente est\u00e1 na pobreza honrada e trabalhadora, na m\u00e9dia laboriosa, nos profissionais liberais, empres\u00e1rios e servidores p\u00fablicos que ganham a vida com honestidade e consci\u00eancia social.<!--more--><\/p>\n<p>Por outro lado, a corrup\u00e7\u00e3o deita ra\u00edzes profundas na hist\u00f3ria do Estado brasileiro. Come\u00e7ou com as capitanias que davam aos donat\u00e1rios benef\u00edcios privados e poderes ou privil\u00e9gios estatais. \u00c9 o in\u00edcio dessa rela\u00e7\u00e3o prom\u00edscua que nos acompanha entre o p\u00fablico e o privado, levando \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o dos bens p\u00fablicos. Nos desdobramentos das capitanias heredit\u00e1rias, vieram as sesmarias e o coronelismo, que projeta a sua sobra at\u00e9 os nossos dias. O poder incontrast\u00e1vel dos coron\u00e9is nos seus feudos e junto \u00e0s mais altas esferas de poder possibilitam a pergunta que desconhece normas de cidadania: \u201cvoc\u00ea sabe com quem est\u00e1 falando?\u201d<\/p>\n<p>O processo de crescimento das cidades no Brasil e de amplia\u00e7\u00e3o das obras p\u00fablicas, especialmente no per\u00edodo da ditadura, possibilitou o surgimento de novas formas de poderes urbanos e empresariais sempre prontos para o assalto ao dinheiro e aos terrenos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o vigorosa e competente de setores da Pol\u00edcia Federal, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Poder Judici\u00e1rio que n\u00e3o perderam a consci\u00eancia da dignidade de seus cargos e responsabilidades est\u00e1 expondo as entranhas da corrup\u00e7\u00e3o aos olhos da sociedade e exigindo medidas en\u00e9rgicas e hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>O caso mais recente levou \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o de uma CPI para investigar as rela\u00e7\u00f5es do bicheiro Carlinhos Cachoeira com pol\u00edticos. Esse caso explicita a perversa rede que se armou para literalmente saquear o pa\u00eds. Os fatos, que a cada momento surpreendem a indignam a consci\u00eancia nacional, me levaram a resgatar na mem\u00f3ria o filme <em>Os Infiltrados<\/em>, de Martin Scorsese, que traduz com dolorosa fidelidade a forma como se organizam e agem essas organiza\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses, no caso, os Estados Unidos, para se colocarem dentro do poder.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabem mais concess\u00f5es! Em nome das futuras gera\u00e7\u00f5es brasileiras, carece estabelecer a linha divis\u00f3ria entre os que querem servir ao Brasil e os que querem servir-se dele e por fim \u00e0 era da corrup\u00e7\u00e3o impune. \u00c9 hora, como queria o saudoso Darcy Ribeiro, de passar o Brasil a limpo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no jornal Hoje em Dia, 06\/05\/2012 Patrus Ananias A corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica nacional. \u00c9 um problema e um desafio que dizem respeito \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana. Agora mesmo estamos vendo os estragos que um poderoso empres\u00e1rio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, Rupert Murdoch, provocou na Inglaterra. 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