{"id":1689,"date":"2016-07-24T10:07:20","date_gmt":"2016-07-24T13:07:20","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=1689"},"modified":"2022-08-31T11:33:09","modified_gmt":"2022-08-31T14:33:09","slug":"a-folha-errou-e-persistiu-no-erro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/a-folha-errou-e-persistiu-no-erro\/","title":{"rendered":"A Folha errou e persistiu no erro"},"content":{"rendered":"<p><em>Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>FUNDADO EM 1983, o instituto de pesquisas Datafolha, pertencente ao Grupo Folha, acumulou um patrim\u00f4nio de qualidade t\u00e9cnica, arrojo de abordagem e interpreta\u00e7\u00e3o de dados isenta. Sua credibilidade foi constru\u00edda em trabalho conjunto com a Reda\u00e7\u00e3o. Introjetou-se de tal forma no jornal que uma cr\u00edtica antiga \u00e0 Folha \u00e9 a de ser um jornal \u201cdata-dependente\u201d.<br \/>\nDito isso, \u00e9 preciso reconhecer que a semana que passou foi amarga para o Datafolha e para a Folha.<br \/>\nDesde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram cr\u00edticas e acusa\u00e7\u00f5es ao jornal.<br \/>\nVariavam de fraude jornal\u00edstica e manipula\u00e7\u00e3o de resultados a pura e simples m\u00e1-f\u00e9, passando por sonega\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o tendenciosa.<br \/>\nA quest\u00e3o central est\u00e1 na acusa\u00e7\u00e3o de o jornal ter omitido, deliberadamente, que a maioria dos entrevistados (62%) pelo Datafolha se disseram favor\u00e1veis a novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, em cen\u00e1rio provocado pela ren\u00fancia de Dilma Rousseff e Michel Temer.<!--more--><br \/>\nOptou por destacar que 50% preferiam a perman\u00eancia de Temer \u00e0 volta de Dilma, em quest\u00e3o que, mesmo sem haver essa hip\u00f3tese, 3%o disseram defender novas elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAs perguntas 11,13 e 14 do question\u00e1rio do Datafolha tornaram-se objeto de vigorosa controv\u00e9rsia.<br \/>\nOs sites The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, e Tijola\u00e7o, do jornalista Fernando Brito, acusaram a Folha de \u201cfraude jornal\u00edstica com pesquisa manipulada visando alavancar Temer\u201d.<br \/>\nEm trabalho complementar, comprovaram que o jornal omitira da reportagem e do question\u00e1rio divulgado no site do Datafolha quest\u00e3o proposta aos entrevistados sobre a convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOutra pergunta tamb\u00e9m foi omitida. Esta pedia aos entrevistados que avaliassem se o processo de impeachment est\u00e1 seguindo as regras democr\u00e1ticas e a Constitui\u00e7\u00e3o: 49% disseram que sim; 37%o que n\u00e3o.<br \/>\nPara alimentar teorias conspirat\u00f3rias, revelou-se que o Datafolha colocou em seu site mais de uma vers\u00e3o do relat\u00f3rio da pesquisa pol\u00eamica, sendo que em s\u00f3 uma delas constavam as duas perguntas. O instituto explica que faz um relat\u00f3rio completo para a Reda\u00e7\u00e3o, mas divulga no site apenas o que saiu no jornal. No caso, o primeiro documento continha, por falha, t\u00edtulo sobre a pergunta 14, ausente do relat\u00f3rio por n\u00e3o ter sido usada.<br \/>\nDiante da pol\u00eamica, Folha e Datafolha optaram por divulgar link para o relat\u00f3rio completo.<br \/>\nReveladas as omiss\u00f5es e estabelecida a confus\u00e3o, o editor-executivo do jornal, S\u00e9rgio D\u00e1vila, disse que o resultado da quest\u00e3o sobre a dupla ren\u00fancia de Dilma e Temer n\u00e3o pareceu especialmente noticioso, por repetir uma tend\u00eancia, al\u00e9m de o jornal considerar tratar-se de cen\u00e1rio pol\u00edtico pouco prov\u00e1vel.<br \/>\nLeitores discordaram: \u201cA Folha me pareceu escapar pela tangente, com respostas vagas\u201d, disse Eduardo Ottoni. \u201cOs argumentos chegam a ser at\u00e9 um insulto \u00e0 intelig\u00eancia do leitor\u201d, afirmou M\u00e1rcia Meireles. \u201cA Folha errou, \u00e9 t\u00e3o grave assumir seus erros?\u201d, questionou.<br \/>\nA ombudsman resumiu as cr\u00edticas dos leitores ao editor-executivo. D\u00e1vila argumentou que \u201co \u00fanico cen\u00e1rio concreto \u00e0 frente \u00e9 o Senado decidir se Dilma Rousseff volta a exercer o cargo de presidente da Rep\u00fablica ou se Michel Temer continua a exerc\u00ea-lo. N\u00e3o h\u00e1 terceira op\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos dois desfechos poss\u00edveis. (&#8230;) Faz parte da boa pr\u00e1tica jornal\u00edstica n\u00e3o publicar o que \u00e9 pouco relevante\u201d.<br \/>\nD\u00e1vila lembrou que a Folha frequentemente publica uma fra\u00e7\u00e3o das pesquisas, \u201cnunca sua \u00edntegra\u201d.<br \/>\nDiscordo em muitos pontos do editor-executivo. Quando a Folha, em editorial de Primeira P\u00e1gina em 3 de abril, defendeu a ren\u00fancia de Dilma e de Temer e a convoca\u00e7\u00e3o de nova elei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m esse n\u00e3o era um cen\u00e1rio prov\u00e1vel.<br \/>\nSe a possibilidade de dupla ren\u00fancia n\u00e3o era mais levada em conta, por que ent\u00e3o a quest\u00e3o foi inclu\u00edda na pesquisa? O question\u00e1rio j\u00e1 foi elaborado nesse cen\u00e1rio. A repeti\u00e7\u00e3o de tend\u00eancia como argumento para n\u00e3o publicar o resultado \u00e9 incoerente com a pr\u00e1tica do jornal por anos a fio.<br \/>\nQuando secret\u00e1ria de Reda\u00e7\u00e3o e editora de Pol\u00edtica, participei da elabora\u00e7\u00e3o de incont\u00e1veis question\u00e1rios de pesquisas Datafolha. Com a limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de quantidade de perguntas, cada uma precisa ser muito bem pensada e escolhida. N\u00e3o h\u00e1 justificativa para colocar uma pergunta e depois ignor\u00e1-la.<br \/>\nNa cr\u00edtica que circula diariamente na Reda\u00e7\u00e3o, questionei a abordagem da pesquisa, feita pelo jornal, subaproveitando temas pol\u00edticos, ao destacar em manchete o otimismo com a economia. Reveladas as omiss\u00f5es, lamentei a forma como o jornal enfrentou a pol\u00eamica. Sugeri que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os n\u00fameros ausentes da pesquisa em nova reportagem.<br \/>\nA meu ver, o jornal cometeu grave erro de avalia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornal\u00edstica equidistante das paix\u00f5es pol\u00edticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na l\u00f3gica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso.<br \/>\nA rea\u00e7\u00e3o pouco transparente, lenta e de quase desprezo \u00e0s falhas e omiss\u00f5es apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. A Folha errou e persistiu no erro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/paula-cesarino-costa-ombudsman\/2016\/07\/1794799-a-folha-errou-e-persistiu-no-erro.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/paula-cesarino-costa-ombudsman\/2016\/07\/1794799-a-folha-errou-e-persistiu-no-erro.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S. Paulo FUNDADO EM 1983, o instituto de pesquisas Datafolha, pertencente ao Grupo Folha, acumulou um patrim\u00f4nio de qualidade t\u00e9cnica, arrojo de abordagem e interpreta\u00e7\u00e3o de dados isenta. Sua credibilidade foi constru\u00edda em trabalho conjunto com a Reda\u00e7\u00e3o. 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