{"id":1465,"date":"2016-05-16T11:18:43","date_gmt":"2016-05-16T14:18:43","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=1465"},"modified":"2022-11-03T10:46:25","modified_gmt":"2022-11-03T13:46:25","slug":"com-o-golpe-pauta-anti-trabalhador-pode-avancar-no-congresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/com-o-golpe-pauta-anti-trabalhador-pode-avancar-no-congresso\/","title":{"rendered":"Com o golpe, pauta anti-trabalhador pode avan\u00e7ar no Congresso"},"content":{"rendered":"<p>A realidade cotidiana do trabalhador brasileiro corre o risco de passar por profundos retrocessos. Basta a aprova\u00e7\u00e3o de um conjunto de pelo menos sete Projetos de Lei (PL) e Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC), que aguardam vota\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional. Um caminho que pode se tornar mais f\u00e1cil com o golpe e a chegada do presidente golpista Michel Temer ao poder.<!--more--><br \/>\nJ\u00e1 apontada por movimentos sociais, sindicatos, trabalhadores e estudiosos das leis e rela\u00e7\u00f5es de trabalho brasileiras como \u201ca pauta anti-trabalhador\u201d, o conjunto de PLs e PECs representar\u00e1 um verdadeiro abalo nos mecanismos de prote\u00e7\u00e3o da parte mais fraca da rela\u00e7\u00e3o empregador-empregado. Com esse pacote, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar um trabalhador com 14 anos, uma jornada acima de 14 horas di\u00e1rias, com refei\u00e7\u00f5es e pausas de 20 minutos, sal\u00e1rio reduzido em consequ\u00eancia da queda nas vendas dos produtos da empresa em que trabalha e um acordo coletivo mal-negociado, que se coloca acima da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e diminui ainda mais os pequenos ganhos que t\u00eam em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/>\nDa autoriza\u00e7\u00e3o para contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra a partir dos 14 anos at\u00e9 a terceiriza\u00e7\u00e3o, passando por submeter a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) aos acordos coletivos e at\u00e9 pela altera\u00e7\u00e3o do direito de greve, a pauta est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o no Congresso e atinge em cheio os pilares de conquistas hist\u00f3ricas dos trabalhadores no pa\u00eds.<br \/>\nTalvez a que mais provoque indigna\u00e7\u00e3o seja a PEC 18\/2011, do deputado federal Dilceu Sperafico (PR-PR), que abre a possibilidade para o ingresso no mercado de trabalho de jovens a partir dos 14 anos de idade. A ideia \u00e9 especialmente inapropriada porque, embora o Brasil tenha adotado pol\u00edticas p\u00fablicas que levaram \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do \u00edndice de trabalho infantil em 12 anos, em 2013, registrou mais de 3 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes entre 5 e 17 anos no trabalho infantil. O que se esperava, portanto, eram projetos que ajudassem a superar essa situa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a legaliza\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, como quer o deputado Sperafico.<br \/>\nPor sua vez, o deputado federal Moreira Mendes (PSD-RO) realizou exerc\u00edcio ret\u00f3rico peculiar ao apresentar o PL 3842\/2012. Em sua proposi\u00e7\u00e3o, o deputado usa os relat\u00f3rios do \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o tema, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que revelam que as leis brasileiras n\u00e3o s\u00e3o caracterizadas nos processos judiciais que envolvem acusa\u00e7\u00e3o de trabalho escravo ou an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o.<br \/>\nTrabalho Infantil<br \/>\nMas, ao contr\u00e1rio do que se poderia esperar, Mendes n\u00e3o atua para proteger os trabalhadores com dificuldades de comprovar a submiss\u00e3o ao trabalho escravo: o deputado prop\u00f5e excluir da legisla\u00e7\u00e3o \u201cos elementos de indetermina\u00e7\u00e3o\u201d do crime, ou seja, \u201cas refer\u00eancias puras e simples \u00e0 jornada exaustiva e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho, dissociadas da restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de ir e vir\u201d. Na pr\u00e1tica, se aprovado, o texto vai criar ainda mais obst\u00e1culos ao problema da caracteriza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de trabalho escravo apontado pela OIT.<br \/>\nIn\u00edcio da pauta anti-trabalhador<br \/>\nH\u00e1 pouco mais de um ano, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4330\/2014, de autoria de Sandro Mabel (PMDB-GO), que permite a subcontrata\u00e7\u00e3o de todo tipo de servi\u00e7o, inclusive da atividade fim de uma empresa, a chamada Lei da Terceiriza\u00e7\u00e3o. Foi o in\u00edcio da escalada anti-trabalhador que se verifica no conjunto de projetos e propostas que tramitam no Congresso.<br \/>\nNa \u00e9poca, houve intensa disputa, com participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores contra a ideia. Mas uma manobra regimental do ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), permitiu que o texto fosse votado e aprovado.<br \/>\nEm mar\u00e7o deste ano, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) realizou levantamento em parceria com entidades da sociedade civil como que identificou 55 pautas que tramitam no Congresso Nacional e podem amea\u00e7ar o direito dos trabalhadores. Saiba quais s\u00e3o aqui.<br \/>\nDe fato, a associa\u00e7\u00e3o dessas propostas vai configurar um retrocesso de d\u00e9cadas no avan\u00e7os sociais em mat\u00e9ria de direito do trabalho. \u00c9 o caso do Projeto de Lei do Senado 710\/2011, do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que mexe no direito de greve. Ou do PL 4193\/2012, do deputado federal Iraj\u00e1 Abreu (PSD-TO), que admite que as conven\u00e7\u00f5es e acordos coletivos possam se sobrepor \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es presentes nas leis do trabalho. Isso significa colocar em p\u00e9 de igualdade o dono da empresa e os seus funcion\u00e1rios na hora de negociar.<br \/>\n\u201cA rigidez e a judicializa\u00e7\u00e3o dos contratos de trabalho somados ao custo excessivo dos encargos trabalhistas tornaram a legisla\u00e7\u00e3o do trabalho um fardo para o Pa\u00eds\u201d, escreve o deputado Iraj\u00e1 Abreu. \u201cO descumprimento da CLT n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo \u00fanica e exclusivamente \u00e0 falta de boa vontade dos empregadores\u201d, complementa.<br \/>\nO deputado federal Julio Delgado (PSB-MG) tamb\u00e9m deu sua contribui\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar o lado dos empregadores, justamente o mais forte, ampliando as desigualdades nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. O PL 5019\/2009, de sua autoria, permite a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho em momentos de crise (a queda de 20% nas vendas \u00e9 o crit\u00e9rio fixado), mas com consequente redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e sem exig\u00eancia de diminui\u00e7\u00e3o salarial de gerentes e diretores das empresas \u201cpelo fato de normalmente trabalharem dobrado para tirar a empresa da situa\u00e7\u00e3o de dificuldade econ\u00f4mica\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pt.org.br\/com-o-golpe-pauta-anti-trabalhador-pode-avancar-no-congresso\/\">http:\/\/www.pt.org.br\/com-o-golpe-pauta-anti-trabalhador-pode-avancar-no-congresso\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A realidade cotidiana do trabalhador brasileiro corre o risco de passar por profundos retrocessos. Basta a aprova\u00e7\u00e3o de um conjunto de pelo menos sete Projetos de Lei (PL) e Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC), que aguardam vota\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional. 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