{"id":1316,"date":"2015-11-04T12:56:17","date_gmt":"2015-11-04T14:56:17","guid":{"rendered":"http:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/?p=1316"},"modified":"2022-08-31T11:33:32","modified_gmt":"2022-08-31T14:33:32","slug":"desafio-aos-pessimistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/patrusananias.com.br\/blog\/desafio-aos-pessimistas\/","title":{"rendered":"Desafio aos pessimistas"},"content":{"rendered":"<p>Patrus Ananias<\/p>\n<p>Ao discorrer sobre a mentira, Razum\u00edkhin, patr\u00edcio de Rask\u00f3lnikov, o protagonista do romance \u201cCrime e Castigo\u201d, de Dostoi\u00e9vski, reflete: \u201c(\u2026) mas n\u00f3s n\u00e3o somos capazes nem de mentir com intelig\u00eancia!\u201d. Poder\u00edamos, hoje, \u00e0 luz das quimeras propagand\u00edsticas repetidas \u201cadnauseam\u201d, adaptar aquela senten\u00e7a: \u201celes n\u00e3o s\u00e3o capazes nem de mentir com intelig\u00eancia\u201d.<br \/>\nRefiro-me a diatribes do tipo \u201co pa\u00eds quebrou\u201d e \u201cvivemos a pior crise da hist\u00f3ria\u201d. O pais n\u00e3o quebrou. Crises, j\u00e1 tivemos muitas. O que est\u00e1 posto hoje no Brasil n\u00e3o \u00e9 a disputa pelo receitu\u00e1rio econ\u00f4mico mais adequado, \u00e9 a disputa de projeto pol\u00edtico.<!--more--><br \/>\nPara tanto \u00e9 preciso constatar os avan\u00e7os nos \u00faltimos 12 anos. Movido pela agenda do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio, tenho viajado o Brasil. Por conta do projeto Territ\u00f3rios em Foco, quando mergulho numa regi\u00e3o por tr\u00eas dias, experimento as pol\u00edticas p\u00fablicas e ou\u00e7o a comunidade local. As andan\u00e7as revelaram um Brasil muito maior do que a crise.<br \/>\nEm especial, chamou a aten\u00e7\u00e3o os quatro anos da seca no semi\u00e1rido nordestino. H\u00e1 12 anos poder\u00edamos prever as consequ\u00eancias da estiagem: levas de retirantes clamando por comida. O cen\u00e1rio hoje \u00e9 visceralmente distinto.<br \/>\nAgora vi quilombolas, antes renegados, cultivando a terra e preservando suas tradi\u00e7\u00f5es no Maranh\u00e3o. Vi filhos de agricultores familiares nas escolas Fam\u00edlia Agr\u00edcola, no Esp\u00edrito Santo. No Cear\u00e1, vi planta\u00e7\u00e3o irrigada de feij\u00e3o. Vi o sertanejo enfrentando a seca amparado em 1,2 milh\u00e3o de cisternas.<br \/>\nVi a efic\u00e1cia do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que cresceu dez vezes nos \u00faltimos 12 anos e hoje assegura recursos de R$ 28,9 bilh\u00f5es. Vi agricultoras recebendo t\u00edtulos de terras das quais detinham apenas a posse. Vi filhos de agricultores beneficiados pelo Prouni.<br \/>\nViajando, vi a efici\u00eancia dos programas implantados desde que o presidente Lula assumiu a Presid\u00eancia, em 2003. Senti os efeitos positivos do Bolsa Fam\u00edlia, do Beneficio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada.<br \/>\nQuando Lula lan\u00e7ou o Fome Zero, muitos disseram que o programa era inexequ\u00edvel. Duvidavam: \u201cAcabar com a fome?\u201d. Pois em 2014 vi a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) retirar o Brasil do mapa da fome.<br \/>\nTudo isso n\u00e3o \u00e9 passado, \u00e9 presente. A propaganda que avassala o pais cria o desvario da \u201cterra arrasada\u201d, como se tudo o que foi constru\u00eddo nos \u00faltimos 12 anos tivesse desaparecido. Ao contr\u00e1rio, foi incorporado de forma incontorn\u00e1vel \u00e0 nossa realidade. Por isso precisamos ter consci\u00eancia da amea\u00e7a representada pelo pessimismo.<br \/>\nClaro que temos desafios pela frente. \u00c9 preciso avan\u00e7ar nas reformas agraria, tribut\u00e1ria e urbana. Acelerar o desenvolvimento da agricultura familiar, aumentando a produtividade, priorizando a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, incrementando o cooperativismo. Radicalizar a distribui\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f4mico, pois, sem ele, n\u00e3o teremos a distribui\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio reconhecer que houve equ\u00edvocos nessa trajet\u00f3ria, mas n\u00e3o podemos olvidar nossas conquistas. Precisamos perseverar na trilha do pa\u00eds de oportunidades iguais para todos. Progn\u00f3sticos irreais alimentam a incerteza e o medo; precisamos de expectativas conscienciosas, que inflem o \u00e2nimo dos cidad\u00e3os.<br \/>\nComo o otimismo versejado por Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto ao final de seu \u201cMorte e Vida Severina\u201d. Ao descrever a desventura, apontou a esperan\u00e7a diante do nascimento do rebento: \u201cE n\u00e3o h\u00e1 melhor resposta\/que o espet\u00e1culo da vida\/ (\u2026\/v\u00ea-la brotar como h\u00e1 pouco\/em nova vida explodida\u201d.<\/p>\n<p><a title=\"pt\" href=\"http:\/\/http:\/\/www.pt.org.br\/patrus-ananias-desafio-aos-pessimistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.pt.org.br\/patrus-ananias-desafio-aos-pessimistas\/<\/a><\/p>\n<p>(<em>Artigo inicialmente publicado no jornal \u2018Folha de S. Paulo\u2019<\/em>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patrus Ananias Ao discorrer sobre a mentira, Razum\u00edkhin, patr\u00edcio de Rask\u00f3lnikov, o protagonista do romance \u201cCrime e Castigo\u201d, de Dostoi\u00e9vski, reflete: \u201c(\u2026) mas n\u00f3s n\u00e3o somos capazes nem de mentir com intelig\u00eancia!\u201d. Poder\u00edamos, hoje, \u00e0 luz das quimeras propagand\u00edsticas repetidas \u201cadnauseam\u201d, adaptar aquela senten\u00e7a: \u201celes n\u00e3o s\u00e3o capazes nem de mentir com intelig\u00eancia\u201d. 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