Todos os dias são dias das mães

Todos os dias são dias das mães. O amor das mães transcende datas, tempos, espaços. Mas o segundo domingo de maio nos faz pensar com mais profundidade sobre este amor, que tanto nos ajuda na travessia da vida.

O coronavírus vai impedir muitas celebrações, boas festas, abraços, beijos. É o amor vivido à distância, abrindo novos espaços nos corações.

Quero homenagear as mães que já partiram na pessoa da minha mãe, Maria Tereza Patrus Ananias, que nos deixou há pouco mais de um ano. Às mães que ficaram encantadas, lembrando nosso Guimarães Rosa, quero homenageá-las com a poesia de Carlos Drummond de Andrade.

MAE

PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade. Lição de Coisas. São Paulo: J. Olympio, 1965.

 

Às mães que estão presentes entre nós, quero homenageá-las na pessoa da minha companheira de mais de 40 anos, Vera Maria Neves Victer Ananias, mãe dos nossos filhos, Marcos e Pedro, avó dos nossos netos, David e Izabela, parceira nas lutas e sonhos que travamos e sonhamos juntos.

À Vera e às mães presentes mais uma lembrança do nosso Drummond, Além da Terra, além do céu, extraído do livro com o belo e pedagógico título, Amar se aprende amando.

VERA

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade. Amor se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 2009.

 

Que o amor das mães nos ensine a construirmos um Brasil e um mundo mais amorosos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>