CPI do Crime da Vale aceita requerimentos de Patrus para audiências

A CPI do Rompimento da Barragem de Brumadinho aprovou a convocação do ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco para prestar informações à Comissão.

A CPI aprovou também o requerimento do deputado Patrus Ananias (PT-MG) para ouvir a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, Coordenadora do Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apuração (CIAEA).

O Comitê foi criado pela Vale S.A. para apoiar seu conselho de administração na apuração de causas do rompimento da Barragem I, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

A pedido do deputado Patrus, serão ouvidos também os deputados Gustavo Valadares (PSDB-MG) e André Quintão (PT-MG), respectivamente presidente e relator da CPI da Barragem de Brumadinho, instalada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A Comissão convocou também os funcionários da empresa TÜV SÜD, que atestou a segurança da barragem de Brumadinho. Além disso, a CPI aprovou requerimento de informações à Vale sobre o plano de ação adotado para evitar o rompimento de outras barragens sob a responsabilidade da empresa.

60325847_2315560785175050_1656801845093335040_n

Com iniciativa de Patrus, parlamentares do PT debatem conjuntura mineira

A minha iniciativa, conversar sobre a conjuntura mineira sem perder de vista o cenário nacional, foi muito bem acolhida pelas candidaturas à deputado estadual, com as quais fiz parceria durante a campanha eleitoral de 2018.

A fragilidade fiscal e a incapacidade do governo mineiro — quadro agravado pelo crime da Vale, em Brumadinho, que expõe o esgotamento desse modelo de mineração, associada à opção, já anunciada, pelo governador Zema em aderir ao programa de ajuste fiscal do governo federal — apontam inevitavelmente para a privatização da Cemig e da Copasa, além, é claro, do congelamento do salário dos servidores públicos.

Nesse cenário desafiador, entre um governo estadual omisso e um governo federal que ataca diariamente direitos constitucionais, conquistas históricas de segmentos mais vulneráveis da sociedade, as forças sociais comprometidas com a democracia e a justiça social precisam buscar a unidade e rechaçar propostas como as reformas previdenciária e trabalhista e, mais do que nunca, lutar pela defesa do patrimônio público e pela soberania do Brasil.

Mais do que derrotar as propostas que levam o povo brasileiro de volta ao século XIX, vamos construir uma agenda de enfrentamento que preserve o Estado Democrático de Direito que certamente passa pelo diálogo com os mais diversos setores da sociedade para a construção de um projeto nacional.

O encontro, o 1º de muitos que pretendo fazer, realizado na última segunda (1º), em Belo Horizonte, contou com a participação de deputados estaduais do PT, Betão Leninha e André Quintão; o vereador Pedro Patrus e militantes históricos; a ex-secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo; a ex-deputada e ex-prefeita de Betim, Maria do Carmo Lara; a ex-deputada Geiza Teixeira, a diretora de Políticas Sociais e Previdência da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Maria Alves e Leleco Pimentel; todos eles candidatos na última eleição.

Também presentes o assessor da deputada Marília Campos, André Teixeira; o assessor do deputado André Quintão, Wagner Caetano; a assessora do Betão, Sumara Ribeiro; o sindicalista Guido Coutinho; o assessor de Pedro Patrus, Eugênio Pasqualini; a secretária Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania de BH, Maíra Colares; e o assessor da deputada Leninha, Allan Silveira.

56514055_2247704941960635_4936402412341559296_n

Crime da Vale em Brumadinho: Vale do Paraopeba é prioridade

Motivado por compreender melhor o processo que se instalou em Brumadinho, que começou bem antes do rompimento da Barragem da Mina do Feijão, em 25 de janeiro, e que se estende para um cenário de muitas lutas para assegurar os direitos básicos da população atingida, estive na cidade, onde tive a oportunidade de escutar moradores e lideranças.

Do bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e referencial para o Vale do Paraopeba, Dom Vicente Ferreira, tomo emprestado a classificação de Brumadinho como uma metáfora da atual conjuntura, de local a global. Acrescento que o crime cometido pela Vale e o modelo implantado é a expansão de negócios sem limites. Não tenho dúvidas de que a questão política está subordinada à questão econômica.

O relato do Padre René Lopes, pároco da Igreja de São Judas Tadeu, destacou o esforço de integrantes da igreja e voluntários, religiosos e não religiosos, de diversas partes do país em dar conforto, apoio, alimentação e, em parceria com a PUC-MG, assistência jurídica às centenas de famílias atingidas. Este esforço já contabilizou 700 famílias atendidas espiritual e socialmente.

53858724_2211859715545158_893164828892332032_o

Famílias como as da comunidade do Parque da Cachoeira, com metade das propriedades e muitas vidas arrastadas pela lama, que hoje têm na Igreja de São Judas Tadeu o referencial para seguir em frente. Neste local, a Arquidiocese de BH montou a central de distribuição de doações e alimentação.

53764477_2211859828878480_9179825500879585280_o

 

Encontrei velhos conhecidos, como o Seu Romeu, taxista em Belo Horizonte por décadas, e que escolheu viver ali, após se aposentar. O local que antes ficava sua casa, fruto do trabalho como motorista, abaixo de metros de lama, está marcado por um tronco retorcido.

53625662_2211859688878494_2784819445690793984_o

Solidarizei-me com o pai, Carlos Antônio, funcionário da Vale, que conseguiu se salvar, fugindo em disparada na camionete que dirigia, mas não pode levar consigo o filho, também funcionário da empresa.

A preocupação com o futuro econômico do município foi externada pelo secretário de obras, Alcimar Barcelos e como fiz nos momentos anteriores, momentos de escuta, afirmei o compromisso do mandato em somar esforços.

54257301_2211859918878471_181733956217995264_o
Encerrei a visita no Acampamento Pátria Livre, do outro lado do Paraopeba e já em São Joaquim de Bicas. Cerca de 400 famílias, já foram mil, foram impactadas, já que a água do rio servia para irrigar a horta e para os animais.

53357855_2211859905545139_3697435408372596736_o

Com o rio morto a única opção foi buscar água em uma nascente que corta o terreno. E lá a questão é mais complexa pois uma exigência da empresa para prestar atendimento aos atingidos é mediante a apresentação de um comprovante de endereço. “Queremos ser reconhecidos como atingidos”, disse Cristiano, um dos dirigentes do movimento.

Percorri o acampamento, recentemente beneficiado pelo Programa de Segurança Alimentar (PSA), um plano emergencial resultado do diálogo entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Cáritas Brasileira Regional MG e a extinta Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese), com a entrega de kits horta, apicultura e pintainhas.

Com menos dois anos de implantação, o acampamento possui uma escola, que já contou com 300 alunos em 2018, oferece educação infantil completa, alfabetização para adultos, possui biblioteca, refeitório e um projeto de horta, hoje com futuro incerto. Inaugurada em maio do ano passado a escola conta com a parceria da Fundação Helena Antipoff para oferecer uma educação de qualidade.

Minha presença efetiva em Brumadinho se torna um compromisso, o Vale do Paraopeba se torna uma prioridade do mandato, pois o discurso que se anuncia, que assistimos se constituir, é o de preservação da empresa, o que é assustador, perante a tragédia humana e ambiental.

Não se sabe realmente quantas pessoas foram mortas. Encerro minha visita de compromisso em Brumadinho com a certeza de que nossa luta é pelos mais pobres, por aqueles que estão sendo expropriados de seu direito mais básico, o direito à vida.