Movimentos sociais e parlamentares de oposição repudiam medidas do presidente da Fundação Palmares

Racismo institucional atinge a população negra em seu cotidiano

Foto: Silvia Izquierdo - AP

Foto: Silvia Izquierdo – AP

As medidas adotadas por Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares são arbitrárias, atentam contra os princípios da instituição, são deturpações da história, motivo de desonra para toda a população negra e reforçam o racismo institucional. Estes são alguns dos pontos da nota de repúdio assinada por entidades representativas dos movimentos sociais e parlamentares de oposição. O deputado Patrus Ananias (PT-MG) é signatário da nota.

O documento, assinado no Dia da Consciência Negra (20.11), destaca o racismo institucional e a inadequação de Camargo para exercer o cargo. “Estamos diante de flagrante ato de racismo institucional que atinge a população negra em seu cotidiano, revelado diante da covardia do gestor quando tenta deturpar a história e a imagem de Zumbi, além das estúpidas declarações feitas em evidente ataque aos movimentos de defesa das comunidades afrodescendentes, à existência das celebrações, destacadamente a do Dia da Consciência Negra, e, mais recentemente, a arbitrariedade desmedida de retirar vários nomes da galeria de personalidades negras da instituição”.

A nota afirma que as ações arbitrárias no âmbito da instituição “são motivo de inominável desonra para toda a população negra do Brasil e caminham na contramão da história que este governo e seu indicado político insistem em negar”.  

Conclui que a atitude de Camargo “é digna do mais absoluto repúdio, posto que as ofensas dirigidas ao povo negro reforcem ainda mais o racismo institucional e o descompromisso do Estado brasileiro com a história e a cultura negra”.

 

Última medida 

No dia 10 de novembro, Sérgio Nascimento anunciou em seu perfil no Twitter a publicação da Portaria 189/2020, que altera os critérios para a indicação de personalidades negras da galeria da instituição, que passam a ser “uma homenagem póstuma” a personalidades notáveis negras, nacionais ou estrangeiras.

Com a nova portaria, a lista da Fundação Cultural Palmares de personalidades negras deverá excluir nomes como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Elza Soares, Givânia Maria da Silva, uma das fundadoras da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Martinho da Vila, Leci Brandão, Sandra de Sá, Sueli Carneiro e Zezé Motta. A lista oficial será divulgada no dia 1º de dezembro.

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