A Folha errou e persistiu no erro

Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S. Paulo

FUNDADO EM 1983, o instituto de pesquisas Datafolha, pertencente ao Grupo Folha, acumulou um patrimônio de qualidade técnica, arrojo de abordagem e interpretação de dados isenta. Sua credibilidade foi construída em trabalho conjunto com a Redação. Introjetou-se de tal forma no jornal que uma crítica antiga à Folha é a de ser um jornal “data-dependente”.
Dito isso, é preciso reconhecer que a semana que passou foi amarga para o Datafolha e para a Folha.
Desde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram críticas e acusações ao jornal.
Variavam de fraude jornalística e manipulação de resultados a pura e simples má-fé, passando por sonegação de informação e interpretação tendenciosa.
A questão central está na acusação de o jornal ter omitido, deliberadamente, que a maioria dos entrevistados (62%) pelo Datafolha se disseram favoráveis a novas eleições presidenciais, em cenário provocado pela renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer. Continuar lendo

A fraude jornalística da Folha é ainda pior: surgem novas evidências

Glenn Greenwald e Erick Dau, em The Intercept

 •Dados de pesquisa ocultados pela Folha mostram que a grande maioria dos eleitores quer a renúncia de Temer, o que contradiz categoricamente a matéria da Folha
•62% dos brasileiros querem a renúncia de Dilma e Temer, e a realização de novas eleições: ao contrário dos 3% inicialmente mencionados pela Folha
•Dados cruciais da pesquisa foram publicados e, em seguida, retirados do ar pelo datafolha: encontrados por portal brasileiro
•Resposta do Diretor Executivo da Folha de São Paulo de que os dados ocultados não eram “jornalisticamente relevantes” não resiste a análise Continuar lendo

O dado que a Folha omitiu: 60% preferem nova eleição

Tereza Cruvinel, no Brasil 247

Em nenhum momento, nas matérias que publicou sobre a pesquisa realizada pelo Datafolha em 14 e 15 de julho, a Folha de S. Paulo registrou que 60% dos entrevistados preferem que haja uma nova eleição. Pelo contrário, informou que 50% preferem que Michel Temer fique no governo até o final do mandato que seria de Dilma Rousseff e que apenas 3% preferem novo pleito. Mas este dado – “60% são favoráveis à nova eleição” – aparece no título de um dos blocos do relatório da pesquisa que está postado no site do instituto.
Embora os 60% apareçam no título, eles não são mencionados no texto inferior. Continuar lendo

Folha comete fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer

Glenn Greenwald e Erick Dau, em The Intercept

Um dos mistérios mais obscuros da crise política que atingiu o país nos últimos meses (conforme relatado inúmeras vezes pela Intercept ) tem sido a ausência completa de pesquisas de opinião nos grandes meios de comunicação e órgãos de pesquisa do país. Há mais de três meses, no dia 17 de abril, a Câmara dos Deputados votou em favor de enviar ao Senado Federal o pedido de impeachment da presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff, resultando na investidura temporária de seu vice-presidente, Michel Temer, como “presidente interino”.
Desde a posse de Temer, o Datafolha – instituto de pesquisa utilizado pelo maior jornal do país, Folha de São Paulo  – não havia publicado pesquisas de opinião sobre o impeachment da presidente, nem sobre o impeachment de Temer, e nem mesmo sobre a realização de novas eleições para presidente. A última pesquisa do instituto antes da votação do impeachment foi realizada em 9 de abril e apontava que 60% da população apoiava o impeachment de Dilma, enquanto 58% era favorável ao impeachment de Temer. Além disso, a sondagem indicou que 60% dos entrevistados desejavam a renúncia de Temer após o impeachment de Dilma, e 79% defendiam novas eleições após a saída de ambos.
A última pesquisa de outra grande empresa do setor, o Ibope, foi publicada em 25 de abril, e concluiu que 62% desejavam que Dilma e Temer saíssem e que novas eleições fossem realizadas; 25% queriam a permanência de Dilma e a conclusão de seu mandato; e apenas 8% eram favoráveis a situação atual: com suspensão de Dilma e Temer como presidente interino. Essa pesquisa, mesmo sendo negativa para Temer, foi realizada há algum tempo, em abril deste ano.
De forma surpreendente, mesmo três meses depois da entrada de Temer, a poucas semanas da votação final do impeachment de Dilma no Senado e com toda a atenção do mundo voltada para o Brasil por conta das Olimpíadas, nenhuma pesquisa havia sido publicada até o último final de semana. No sábado, a Folha de São Paulo anunciou uma nova pesquisa realizada pelo Datafolha que se demonstrou, ao mesmo tempo, surpreendente e positiva para o presidente interino,  Michel Temer, além de apresentar uma grande variação com relação a pesquisas anteriores. A manchete principal impressa pela Folha, que rapidamente se alastrou pelo país como era de se esperar, dizia que metade do país deseja que Temer permaneça como presidente até o fim do mandato que seria de Dilma no final de 2018.
A iminência da votação final do impeachment torna esse resultado (50% dos brasileiros desejam que Temer conclua o mandato de Dilma) extremamente significativo. Igualmente importante foi a afirmação da Folha de que apenas 4% disseram não querer nenhum dos dois presidentes, e somente 3% desejam a realização de novas eleições. O jornal também estampou o resultado na primeira página da edição impressa de domingo, a edição de jornal mais lida do país.
Esse resultado não foi apenas surpreendente por conta da ampla hostilidade com relação a Temer revelada pelas pesquisas anteriores, mas também porque simplesmente não faz sentido. Continuar lendo

O que está por trás do ‘Escola Sem Partido’?

Tatiana Carlotti para o portal Carta Maior 

O retrocesso na Educação e a grave ameaça à liberdade dos professores dentro da sala de aula são temas desta entrevista com o educador Fernando de Araújo Penna, doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF).
 Criador do site e da página no Facebook “Professores Contra o Escola Sem Partido”, Penna analisa o crescimento do Escola Sem Partido no Brasil, denunciando seu caráter ideológico e a forma tendenciosa como suas propostas estão sendo propaladas na sociedade brasileira. A ameaça de que essas propostas se tornem lei é concreta, aponta.
 São vários projetos de lei do Movimento, dois deles aguardam tramitação no Congresso Nacional: um na Câmara dos Deputados, o PL 867/2015 de autoria do deputado Izalci Lucas (PSDB); e outro no Senado Federal, o PL 193/2016 apresentado pelo senador Magno Malta (PR-ES). Continuar lendo

Datafolha pró-Temer é fraude estátística

No Brasil 247

247 – Em abril deste ano, o Instituto Datafolha, controlado pela família Frias, publicou uma pesquisa de opinião pública apontando que 60% dos brasileiros defendiam a renúncia de Michel Temer, enquanto 58% apontavam que ele também deveria sofrer impeachment, assim como a presidente eleita Dilma Rousseff. Os resultados, naturalmente, favoreciam a tese de novas eleições.

Neste domingo, no entanto, o mesmo Datafolha publica uma pesquisa com toda a pinta de ter sido encomendada para influenciar senadores e consolidar o golpe parlamentar no Brasil. De acordo com o levantamento, 50% dos brasileiros agora julgam que é melhor que Michel Temer continue no Palácio do Planalto, muito embora 30% dos brasileiros nem saibam seu nome. De acordo com esse levantamento, 32% defendem a volta de Dilma e 3% querem novas eleições.
Os 60% que, há apenas três meses, defendiam novas eleições, pregando tanto a saída de Dilma como de Temer, foram reduzidos a míseros 3% na pesquisa atual. É um resultado totalmente inconsistente não apenas com o próprio Datafolha, mas também com outros institutos. Em abril deste ano, uma pesquisa Ibope também apontou que 62% dos brasileiros defendem novas eleições. Um mês atrás, o Paraná Pesquisas também indicou que 63% preferem novas eleições.
Para que, em dois meses de interinidade, Temer tivesse transformado a rejeição de 60% em um percentual de 50% de pessoas dispostas a que ele continuasse, seu governo teria que ter operado milagres no Brasil. No entanto, o desemprego cresceu, três ministros foram demitidos e inúmeras trapalhadas ocorreram. O mais provável, portanto, é que o Datafolha tenha tentado torturar os números para consolidar o impeachment.

Diário da Travessia (breves e atrasadas notícias)

dialogo 01

O Ministério do Desenvolvimento Agrário promoveu em Brasília no último dia 27 de julho uma reunião histórica. Desde que assumimos o Ministério estamos propondo às entidades e movimentos ligados à luta pela reforma agrária, ao desenvolvimento da agricultura familiar e das populações e comunidades tradicionais um amplo debate sobre a questão da terra, abordando-a na perspectiva local, regional, nacional e planetária; considerando-a à luz dos princípios constitucionais e leis que determinam a função social da propriedade e das riquezas. Continuar lendo

Nota de esclarecimento

Algumas pessoas têm perguntado sobre o blog “Patrus Governador”, que aparece nas pesquisas da internet. Este blog foi criado por apoiadores, durante a campanha de 2010. Infelizmente, perdemos o contato com essas pessoas e ele está praticamente desativado. Ele não é nosso blog oficial e não há relação de conteúdo entre os dois.

Aos leitores do blog

O blog completa uma semana no ar e agradeço as manifestações de apoio e carinho recebidos em sua estreia. Li atentamente os comentários. Gostei muito de saber da repercussão deles na rede. Percebi que o texto Democracia Encolhida  despertou bastante interesse. Continuaremos discutindo este assunto, que é justamente sobre a participação das pessoas na vida política.
Continuemos nossa prosa.
Abraço fraterno a todos e todas.