Proteção para os trabalhadores da Cultura

 

Praça Sete, 4/8/92 - Patrus e "O Sombra". Foto: Cecília Pedersoli

Praça Sete, 4/8/92 – Patrus e “O Sombra”. Foto: Cecília Pedersoli

A Câmara dos Deputados discute nas próximas horas o Projeto de Lei 1075/2020 que inclui os artistas desprovidos de renda nos benefícios aprovados pelo Congresso Nacional e garante a manutenção dos espaços culturais. Trata-se de um projeto de alta relevância. Integra a cultura na dimensão social.

A cultura brasileira em todas as suas dimensões é uma conquista do povo brasileiro. A nossa cultura, seja ela chamada de erudita ou popular – e com muita frequência elas se encontram – tem as suas raízes nas expressões da nossa gente. Elas se manifestam pelo nosso país afora e expressam muito das nossas diversidades e riquezas regionais.

A crise que nos foi imposta pelo coronavírus, acompanhada pela insensibilidade calculada do desgoverno Bolsonaro, deixou a maior parte dos artistas brasileiros e brasileiras desassistidos; artistas da música, do circo, do teatro, da dança, do cinema. O governo no poder segue dando mostras de que deseja sufocar a cultura e a arte brasileiras. Precisamos preservar a arte e os artistas, garantindo-lhes a digna sobrevivência e com eles preservar também o grande bem que nos trazem: a cultura brasileira.

Por que é necessário adiar o Enem

ADIAENEM

O coronavírus atinge mais duramente os pobres. Os que não têm casa para ficar ou espaços minimamente adequados para bem acolher todos os integrantes da família; os que não têm recursos para assegurar a boa alimentação ou ter em casa nesses dias de provação acesso aos bens da cultura – livros, música, filmes. Falta-lhes o direito de acesso aos bens e serviços básicos da vida.

A Educação é uma política pública fundamental. Atua nas duas pontas: é um direito fundamental da pessoa humana desde o início de sua existência, direito individual que se articula com os direitos das famílias e das comunidades. Ao mesmo tempo a Educação é um bem público essencial ao desenvolvimento das nações e afirmação de suas soberanias e projetos nacionais históricos.

A Educação, além de promover a expansão das potencialidades de cada ser humano, é um instrumento imprescindível para assegurar a efetiva igualdade de direito e oportunidades; instrumento que promove a justiça social e o bem comum.

O coronavírus explicita desigualdades no campo da Educação. Os filhos das classes sociais mais abastadas podem receber as lições em casa, têm espaços e equipamentos adequados: computadores, celulares, facilidades de acesso a textos, livros e pesquisas.

Não é o que acontece com os estudantes pobres. Muitas vezes vivem apertados em casebres que se superpõem nas comunidades pobres. A grande maioria não tem acesso aos equipamentos modernos que possibilitam o ensino a distância.

Por estas e outras razões os exames do Enem devem ser transferidos para tempos posteriores à pandemia. Caso contrário, estaremos tornando a Educação em instrumento para aumentar entre nós as enormes injustiças e desigualdades, privilegiando os estudantes filhas e filhos das classes ricas.

Queremos Educação a serviço da expansão das possibilidades individuais e coletivas da gente brasileira. Sem discriminações ou privilégios, como já ensinava o saudoso Anísio Teixeira. Como ensinaram também, entres outros, Darci Ribeiro e Paulo Freire, este o Patrono da Educação Brasileira.

PT propõe Ação Popular para adiar o ENEM 2020

Entendimento dos parlamentares sobre a necessidade de adiamento das provas tem o apoio da Procuradoria Federal de Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal

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O deputado federal Patrus Ananias é dos 36 parlamentares petistas que assinaram proposição de Ação Popular Constitucional, com pedido de liminar, à Justiça Federal, em face da inflexibilidade do Ministério da Educação em adiar as provas do ENEM 2020.

A ação foi fundamentada na “prática de condutas lesivas à legalidade, isonomia, igualdade e dignidade humana, entre outras violações, consistente na manutenção, a despeito da Pandemia de Covid-19 e da inviabilidade de estudos e, em muitos casos, conclusão do ano letivo ou formatura para milhões de estudantes, do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM”.

Em face das desigualdades sociais e econômicas entre os participantes, a manutenção do calendário prejudicará os menos favorecidos. Os projetos de vida de milhões de estudantes brasileiros serão interrompidos.

Procuradoria se manifesta a favor do adiamento

E em Nota Técnica divulgada em 15 de maio, a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, Deborah Duprat, argumenta contra a manutenção do calendário do ENEM 2020.

Fundamentada no artigo 3º da Constituição da República, que define os compromissos da República, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” e de “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”, a procuradora aponta dois vetores fundamentais: a máxima igualdade na máxima diversidade. E continua: “O espaço escolar foi pensado para avançar nesse sentido. Daí por que o artigo 205 traz como objetivo primeiro da educação o pleno desenvolvimento faz pessoas e a sua capacitação para o exercício da cidadania”.

A suspensão das aulas presenciais retirou um componente fundamental da educação: o encontro e o intercâmbio. Todos perdem. E o documento conclui: “No ambiente da pandemia, em que a desigualdade se acentua e a diversidade fica pouco invisível, há tudo, menos educação minimamente digna. Considerar que, nesse período, há dias letivos, ou que é possível a realização da prova do ENEM, é orientar a política nacional de educação na contramão do artigo 3º da CR”.

Emendas à MP 934 e PL também buscam o adiamento das provas

A ampliação dos prazos do ENEM também é objeto de emenda do deputado Patrus Ananias à Medida Provisória 934, que estabelece normas excepcionais sobre o ano letivo da educação básica e do ensino superior.

Patrus propõe a isenção do pagamento da taxa de inscrição a todos os estudantes que cursaram o último ano do ensino médio em escolas das redes públicas de educação básica, e ainda, a realização do ENEM somente após a conclusão do ano letivo nas escolas públicas que ofertam o ensino médio.

O parlamentar é coautor em duas outras proposições: o Projeto de Decreto Legislativo 232, da deputada Erika Kokay (PT-DF); e o PL 2596, da deputada Luizianne Lins (PT-CE), todos pelo adiamento do ENEM. O último deve ser apensado ao projeto aprovado pelo Senado ontem (19.05) e a previsão é que seja votado nesta quarta-feira (20/05) na Câmara dos Deputados.

Deputados do PT propõem medidas de proteção à mulher durante o isolamento social

A cada dia, cerca de 13 mulheres são vítimas de violência no Brasil, por hora são 536 agressões

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Os parlamentares petistas apresentaram dois projetos de lei que acrescentam à Lei Maria da Penha medidas excepcionais de proteção à mulher e aos seus dependentes, crianças e adolescentes, para o enfrentamento à violência doméstica e familiar durante o isolamento social, período em que o número de agressões tende a aumentar drasticamente.

O PL 2688 assegura que o acesso das mulheres vítimas de violência às medidas protetivas, durante período de calamidade pública, seja feito virtualmente, pela internet, e que esses pedidos de proteção sejam automaticamente concedidos. Para isso, o PL estabelece a criação de plataforma eletrônica na Rede Mundial de Computadores exclusiva para receber, processar e encaminhar as denúncias das vítimas aos órgãos competentes para a adoção das medidas administrativas ou judiciais.

O deputado Patrus Ananias é coautor dos projetos apresentados quinta-feira (14.05), à mesa da Câmara dos Deputados, pela deputada Érika Kokay (PT-DF). “Esperamos, assim, contribuir para a efetiva proteção das mulheres justamente neste momento em que muitas delas estão submetidas ao isolamento ou à quarentena, estando ainda mais expostas a um ambiente de violações inúmeras”, justificam os parlamentares.

Consideram “mais que previsível”, que com a situação de emergência, de enfrentamento ao coronavírus (Covid- 19), os números de casos de violência contra a mulher “tendem a aumentar drasticamente, exigindo por parte do poder público e do Estado brasileiro a adoção imediata de medidas que concorram para o efetivo cumprimento da Lei Maria da Penha e o seu aperfeiçoamento como instrumento legal de proteção e defesa dos direitos das mulheres”.

Destacam que a violência doméstica e familiar contra a mulher em tempos de pandemia “constitui grave problema social que recrudesce de forma assustadora neste período de calamidade pública e de isolamento social”.

O Projeto de Lei 2688 foi assinado por 20 deputados do Partido dos Trabalhadores.

 

Projeto garante a educação nas casas abrigo

O segundo projeto PL 2690, apresentado pelos parlamentares, acrescenta à Lei Maria da Penha a garantia de qualidade no atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar e a seus dependentes pelas casas abrigo de todo país. Os parlamentares consideram que os dependentes devem dispor do acesso à educação dentro das próprias casas abrigo e afirmam que verificaram a ausência “de um olhar mais cuidadoso para essas crianças e adolescentes abrigados institucionalmente junto com suas mães”.

O PL assegura a moradia provisória, protegida, segura e integral às mulheres e seus dependentes, devendo ser resguardado o sigilo à identidade, localização e demais informações sobre moradores, bem como o bem-estar físico, psicológico e social. Destacam a garantia do acesso à educação, a continuidade de tratamentos de saúde, auxílio no processo de reorganização de suas vidas para a superação da situação, entre outras. Registram que, sempre que possível, a casa abrigo deverá ser indicada por intermédio da Proteção Social Especial do Sistema Único de Assistência Social (Suas).

 

Situação das casas abrigo

Na apresentação do PL os parlamentares informam que, de acordo com dados do Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic) e dos Estados Brasileiros (Estadic), divulgados pelo IBGE em setembro de 2019, o Brasil contava com apenas 43 casas abrigo estaduais, sendo que em somente 2,4% dos municípios brasileiros a prefeitura oferecia o abrigo.

O deputado Patrus Ananias (PT-MG) é coautor do PL 2690, apresentado pela deputada Érika Kokay. Também assinaram o projeto as deputadas e deputados Benedita da Silva (PT-RJ), Professora Rosa Neide (PT-MT), Assis Carvalho (PT-PI), Paulo Teixeira (PT-SP), Frei Anastácio (PT-PB), Israel Batista (PV-DF), Nilto Tatto (PT-SP), Carlos Zarattini (PT-SP).

 

Mortes e agressões contra mulheres

Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 536 mulheres são agredidas no Brasil a cada hora. Muitas são vítimas de seus próprios companheiros e, pelo fato de dependerem financeiramente deles, não conseguem se livrar do ciclo da violência doméstica – que leva 13 mulheres à morte todos os dias.

No contexto nacional, é urgente a adoção de medidas considerando a posição brasileira nos rankings mundiais de violência doméstica e feminicídio, afirmam os parlamentares. Registram que a taxa anual de feminicídios é de 2,3 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres no mundo, e de quatro mortes para 100 mil mulheres no Brasil, que é 74% maior do que a média mundial.

A América Latina é a região mais perigosa para mulheres fora de zonas de guerra, segundo a ONU Mulheres. E, a cada três vítimas de feminicídio no Brasil, duas foram mortas em casa. (UNODC Global study on homicide.)

Câmara dos Deputados deve votar projeto de proteção aos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na terça (19)

A votação em regime de urgência se deve ao crescente número de mortes entre os indígenas e os quilombolas

Foto: Mídia NINJA

Foto: Mídia NINJA

O Projeto de Lei 1142, que deve ser votado na terça-feira (19.05), cria Plano Emergencial de Enfrentamento à Covid-19 para povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. O deputado Patrus Ananias (PT-MG) é coautor do PL apresentado pela deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), no dia 27 de março. Assinaram também como coautores a deputada Joênia Wapichana (Rede/RR) e os deputados José Ricardo (PT-RS), Airton Faleiro (PT-PA) e Célio Moura (PT-MG).

Até o dia de 5 de maio foram registrados 442 casos e 92 mortes de indígenas. Os dados são do Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena, consolidados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), e inclui dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e de organizações indígenas de várias regiões do país.

E de acordo com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), são 63 casos confirmados e 17 óbitos decorrentes do coronavírus entre os quilombolas.

A relatora do PL 1142, deputada Joênia Wapichana, liderança indígena no Congresso Nacional, trabalhou conjuntamente com os autores e coautores a elaboração de um Projeto de Lei Substitutivo, que incorporou os demais projetos sobre o tema.

Dentre as principais ações, o PL propõe: criação de um Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos territórios indígenas; medidas de vigilância sanitária e epidemiológica para prevenção do contágio e da disseminação da Covid-19 nos territórios indígenas; ações de garantia de segurança alimentar e nutricional durante a pandemia; ações relativas a povos indígenas isolados e de recente contato; medidas de apoio às comunidades quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais; alteração da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para assegurar recursos adicionais nas situações emergenciais e de calamidade pública.

Serão contemplados com a proposta os indígenas isolados e de recente contato, indígenas aldeados, indígenas que vivem em áreas urbanas ou rurais, povos e grupos de indígenas que se encontram no país em situação de migração ou mobilidade transnacional provisória, quilombolas, quilombolas que, em razão de estudos, atividades acadêmicas, tratamento de sua própria saúde ou de familiares, estejam residindo fora das comunidades quilombolas, e demais povos e comunidades tradicionais.

Ao PL 1142/20 foram apensados outros cinco projetos de lei (PLs 1.283/20, 1.299/20, 1.305/20 1.549/20 e 2.160/20) com ações para povos indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, dos quais, o deputado Patrus Ananias é coautor em três deles.

Parlamentares petistas propõem a suspensão de serviços não essenciais liberados pelo governo

A abertura de academias de ginástica, salão de beleza e barbearias afronta a legislação que define os serviços essenciais

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Os parlamentares do PT apresentaram na terça-feira (12.05), à mesa da Câmara dos Deputados, o Projeto de Decreto Legislativo 209 que suspende a medida do presidente Bolsonaro, assinada na mesma data. O governo federal contraria seu próprio decreto e bate de frente com as iniciativas adotadas por governadores e prefeitos ao liberar a abertura de academias de esporte de todas as modalidades, salão de beleza e barbearias durante período de enfrentamento à pandemia do coronavírus (Covid-19).

Os parlamentares destacam que neste momento em que o Brasil enfrenta sucessivos recordes diários de morte, em razão da pandemia, o presidente da República edita um decreto “que viola a Constituição Federal, ofende o direto à vida, extrapola o poder regulamentar e coloca a coletividade em risco”.

Citam ainda a falta de fundamento técnico da medida do governo e sua desconexão com Decreto 10.282, de 20 de março de 2020, que define os serviços públicos e as atividades essenciais no período de enfrentamento à pandemia como “aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população”.

A estratégia já divulgada pelo governo de promover a retomada da atividade econômica em detrimento da vida, por meio da ampliação da relação de serviços não essenciais, assim como o enfrentamento aos governadores que priorizam medidas que protegem a vida dos brasileiros, são também destaques dos parlamentares. Concluem ser “imperioso que o Congresso Nacional, com a urgência que o caso requer, suste parcialmente os efeitos do Decreto no 10.344, de 11 de maio de 2020”.

A medida do governo libera ainda as atividades de construção civil e industriais em todo país.

Os deputados Patrus Ananias (PT-MG) e Waldenor Pereira (PT-BA) são coautores do PDL 209 apresentado pelo deputado Carlos Veras (PT-PE).

13 de Maio – Uma libertação que ainda não se concretizou

Família Brasileira no Rio de Janeiro, por Jean-Baptiste Debret, 1839

Família Brasileira no Rio de Janeiro, por Jean-Baptiste Debret, 1839

Há 132 anos foi abolida formalmente a escravidão no Brasil. A Lei Áurea não traduziu a plena libertação dos nossos antepassados escravos, não lhes assegurou os direitos sociais básicos, não tiveram acesso à terra, como já defendia naquela época Joaquim Nabuco; não tiveram acesso à educação. Os direitos relacionados com a moradia decente, a capacitação profissional, o trabalho digno, o acesso aos bens e valores da cultura e das artes não foram sequer considerados.

Quero hoje recordar uma companheira muito querida e inesquecível, Francisca Trindade, colega na Câmara dos Deputados. Um dia nos idos de 2003, eu lhe coloquei algumas dúvidas sobre a questão de cotas.

Ela foi firme e clara.

- Nós não estamos pedindo nenhum privilégio, apenas o início do resgate de uma dívida de quase quatrocentos anos.

As minhas dúvidas desapareceram.

Hoje a tragédia da Covid-19 explicita a brutalidade das nossas injustiças e desigualdades sociais. Elas se constituíram ao longo da nossa história, a escravidão foi a causa principal. O 13 de maio de 1888 não abriu novas perspectivas, pelo contrário, fechou as portas da inclusão e da cidadania. Os escravos, que eram tratados como coisas, bens materiais, e não como pessoas humanas nossas iguais, foram literalmente jogados na rua da amargura e do abandono.

Este continua sendo o grande desafio do nosso país: construirmos uma nação soberana, onde todas as brasileiras e brasileiros, sem discriminações ou exclusões, possam viver com dignidade e possam exercer os diretos e deveres fundamentais assegurados na nossa Constituição.

As políticas públicas sociais que promovem a vida e o bem comum são essenciais, só podemos assegurá-las em médio e longo prazo efetivando o que nunca se fez no Brasil: a justa distribuição dos bens e das riquezas, que pressupõe a aplicação do princípio da função social das propriedades urbanas e rurais e a reforma tributária, como realizamos com o IPTU na Prefeitura de Belo Horizonte. Quem pode mais, paga mais; quem pode menos, paga menos; quem não pode, não paga; recebe, para que seus filhos e netos possam contribuir no futuro.

P.S.: Quem quiser saber mais sobre Francisca Trindade, leia o texto que escrevi logo após a sua morte inesperada e prematura.

Apoio e solidariedade às trabalhadoras e trabalhadores da Asmare

Galpão da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), em Belo Horizonte. Av. do Contorno, 10.555, Carlos Prates. Foto: site UFV

Galpão da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), em Belo Horizonte. Av. do Contorno, 10.555, Carlos Prates. Foto: site UFV

Senti um imenso pesar ao saber do incêndio no galpão da Asmare, em Belo Horizonte. Tenho boas e antigas relações com as catadoras e catadores de material reciclável, desde a época em que estive à frente da PBH.

Acompanhei a luta para formação da associação, e juntos, inauguramos na capital mineira novos paradigmas com a adoção da gestão integrada e sustentável de resíduos, onde a inclusão social era prioridade.

Manifesto meu apoio e solidariedade aos homens e mulheres que prestam serviços fundamentais para toda a cidade e que neste momento, de crise econômica agravada pela pandemia do coronavírus, se encontram ainda mais fragilizados.

Deputado Patrus Ananias quer garantir vigência da lei de proteção aos dados pessoais

MP 959 do governo define adiamento para o próximo ano, o que causa prejuízo a toda população

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O deputado Patrus Ananias apresentou, na quarta-feira (06.05), emenda à Medida Provisória 959 do governo, editada em 29 de abril, para que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) entre em vigor na data prevista, 14 de agosto de 2020. O objetivo é assegurar a proteção das informações pessoais dos cidadãos e garantir que a administração pública esteja sujeita às mesmas regras de segurança de dados pessoais aplicadas pelas empresas privadas.

A proposta governamental é adiar a vigência da LGPD (Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018) para o dia 3 de maio de 2021. Patrus Ananias entende que a entrada em vigor da lei é altamente necessária para a proteção dos cidadãos e para que as entidades da administração pública atuem com mais efetividade no provimento de serviços que vão do acesso à saúde a programas sociais.

O longo período em que os cidadãos estiveram sem qualquer proteção ante os abusos na utilização de seus dados pessoais, e buscando um tempo adequado para que os setores econômicos pudessem se adequar à nova legislação, justifica a emenda proposta pelo parlamentar.

O prazo de entrada em vigor da LGPD seria inicialmente de 18 meses após a sua sanção. A pedido de setores atingidos, o prazo foi prorrogado para 24 meses, por meio da MP 869, com vencimento em 14 de agosto de agosto de 2020. A MP 869 também efetivou a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais brasileira.

“Diante do exposto não tem justificativa o adiamento da entrada em vigor da LGDP, já que seu prazo foi adiado o que causa prejuízo a toda a população”, conclui o deputado.

LGPD fundamenta outras propostas parlamentares

A LGPD fundamentou também emenda do parlamentar à Medida Provisória 954. A proposta suprime, na sua totalidade, o texto dessa MP, editada em 17 de abril deste ano, que quebra o sigilo dos dados dos usuários de linhas telefônica, direito assegurado na lei.

A medida determina às operadoras de telefonia o compartilhamento de nomes, números de telefone, fixo e celular, e endereços de seus clientes, pessoas físicas ou jurídicas, com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sob a alegação de realizar entrevistas oficiais domiciliares, não presenciais, sobre a situação de emergência de saúde pública decorrente do coronavírus (Covid-19).

Violação de direitos e falta de relevância
Para Patrus Ananias a MP 954 “viola o sigilo de dados dos brasileiros e invade a privacidade e a intimidade de todos, sem a devida proteção quanto à segurança de manuseio das informações, sem justificativa adequada, sem finalidade suficientemente especificada e sem garantir a manutenção do sigilo por uma autoridade com credibilidade, representatividade e legitimidade, conforme prevista pela LGPD”.

E por maioria, o plenário do STF referendou na quinta-feira (07.05) decisão liminar para suspender a MP 954. A liminar havia sido concedida em 24 de abril pela ministra Rosa Weber, com base na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada por partidos de oposição e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Todos os ministros apontaram a necessidade de resguardar a vida privada e proteger o sigilo dos cidadãos. Também consideraram a fragilidade da MP, visto que ainda não está em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garantiria melhor tratamento para as informações.

Todos os dias são dias das mães

Todos os dias são dias das mães. O amor das mães transcende datas, tempos, espaços. Mas o segundo domingo de maio nos faz pensar com mais profundidade sobre este amor, que tanto nos ajuda na travessia da vida.

O coronavírus vai impedir muitas celebrações, boas festas, abraços, beijos. É o amor vivido à distância, abrindo novos espaços nos corações.

Quero homenagear as mães que já partiram na pessoa da minha mãe, Maria Tereza Patrus Ananias, que nos deixou há pouco mais de um ano. Às mães que ficaram encantadas, lembrando nosso Guimarães Rosa, quero homenageá-las com a poesia de Carlos Drummond de Andrade.

MAE

PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade. Lição de Coisas. São Paulo: J. Olympio, 1965.

 

Às mães que estão presentes entre nós, quero homenageá-las na pessoa da minha companheira de mais de 40 anos, Vera Maria Neves Victer Ananias, mãe dos nossos filhos, Marcos e Pedro, avó dos nossos netos, David e Izabela, parceira nas lutas e sonhos que travamos e sonhamos juntos.

À Vera e às mães presentes mais uma lembrança do nosso Drummond, Além da Terra, além do céu, extraído do livro com o belo e pedagógico título, Amar se aprende amando.

VERA

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade. Amor se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 2009.

 

Que o amor das mães nos ensine a construirmos um Brasil e um mundo mais amorosos!