A Pacem in Terris (Paz na Terra) e o contexto brasileiro na época de sua publicação

Partilho texto que elaborei como participante do evento promovido pelo Senado Federal sobre os 50 anos da  Encíclica Papal Pacem In Terris.

1.      A Encíclica

No dia 11 de abril de 1963, a menos de dois meses de sua morte, o Papa João XXIII, cuja canonização acaba de ser anunciada, surpreendeu o mundo com a publicação da encíclica Pacem in Terris.

A encíclica joanina começa inovando na sua abertura. Tradicionalmente os documentos pontifícios eram destinados à comunidade católica. João XXIII, após fazer as saudações de praxe, inclui, entre os destinatários da encíclica, “todas as pessoas de boa vontade”. Torna-se, assim, logo de saída, um texto ecumênico e dialogante. A inesperada e esplêndida saudação inaugural encontra ressonância e desdobramentos no corpo da encíclica. João XXIII convida a todos para os trabalhos de construção da paz: “As linhas doutrinais aqui traçadas brotam da própria natureza das coisas e, às mais das vezes, pertencem à esfera do direito natural. A aplicação delas oferece, por conseguinte, aos católicos vasto campo de colaboração tanto com cristãos separados desta sé apostólica, como pessoas sem nenhuma fé cristã, nas quais, no entanto está presente a luz da razão e operante a honradez natural”.

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Por que parou? Parou por quê?

Patrus Ananias e Pedro Patrus

Vamos precisar de tempo e de muita reflexão para compreendermos melhor o que está acontecendo no Brasil nessas últimas semanas.

Entretanto, algumas imagens e desafios já vão se delineando no campo e no horizonte das manifestações. Por conta da nossa formação e características históricas somos uma nação jovem. As manifestações que mobilizam o país exprimem uma crise de crescimento. É a imagem de um (a) jovem que não comporta mais as roupas da infância. Precisamos de uma nova indumentária. O colunista Luis Nassif expressou esse sentimento com palavras  elegantes: “… a moldura institucional do país não cabe mais no organismo social brasileiro”.

Os fatores que motivaram as manifestações foram se delineando aos poucos. As pessoas seguramente querem um Brasil à altura de si mesmo. Um país rico que pode dar, portanto,  condições dignas de vida ao povo. Querem direitos e serviços públicos universais e de qualidade, assegurados pela Constituição e pelo ordenamento jurídico do país. Para isso, querem o fim da corrupção, do desperdício e mau uso do dinheiro público.

No campo dos direitos e das políticas públicas algumas áreas ganharam mais visibilidade: transporte coletivo no contexto mais amplo da mobilidade urbana, educação, saúde, segurança vinculada à efetiva proteção e promoção da vida. Cada um desses pontos, assim como a questão da transparência e da prestação de contas, merece abordagem específica.

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