A voz das ruas

Boa parte da população brasileira voltou às praças e ruas. Uns diretamente enfrentando os riscos da repressão, os excessos e provocações de manifestantes mais sectários e agressivos. Outros, mais discretos, apoiando nas sacadas e janelas dos prédios; acompanhando solidários pelas informações da internet, do rádio e da TV.

O fato é que as manifestações que vieram crescendo, ganharam repercussão com a violenta repressão do governo do Estado de São Paulo e encontraram um forte momento de afirmação no último dia 17. Multidões nas ruas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Belém – excessos, provocações e violência de pessoas e grupos a parte – as manifestações, que começaram em torno do aumento das passagens e da qualidade do transporte coletivo, apontam para a deficiência dos nossos serviços públicos: educação, saúde, transporte e segurança.

Há também um sentimento crítico em relação às obras da copa, que, além da qualidade e vagareza, estariam subtraindo os recursos das políticas públicas fundamentais. Cabe aqui o registro de que os estádios reformados para a copa expulsaram os pobres, e mesmo parcelas significativas da classe média, por conta dos preços muito altos.

Continuar lendo